Julho marca o período de maior atenção para quem sofre com alergias respiratórias. Além das temperaturas mais baixas e da queda da umidade do ar, o inverno traz um agravante muitas vezes invisível: o aumento da concentração de poluentes na atmosfera.

Essa combinação ajuda a explicar por que, nesta época do ano, crescem em até 25% as consultas médicas e queixas de espirros, congestão nasal, tosse e crises de asma, especialmente em grandes metrópoles como São Paulo e Rio de Janeiro.

O alerta ganha ainda mais relevância por conta do Dia Mundial da Alergia (8 de julho), data dedicada à conscientização sobre o impacto dessas condições. Segundo a otorrinolaringologista Cristiane Passos Dias Levy, especialista do Hospital Paulista, a qualidade do ar exerce papel fundamental na saúde das vias aéreas.

A poluição funciona como um agente irritante permanente para a mucosa respiratória. Quando ela se associa ao clima seco do inverno, observamos um aumento importante dos sintomas alérgicos e das doenças respiratórias, especialmente em pessoas que já possuem alguma predisposição”, explica a médica.

O impacto da qualidade do ar na saúde global

A relação entre o meio ambiente e o bem-estar humano reforça a importância do conceito de One Health (Saúde Única), que demonstra como a saúde humana, animal e ambiental estão interligadas. O desequilíbrio na qualidade do ar das cidades reflete diretamente nos índices de adoecimento da população.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que a poluição atmosférica está associada a aproximadamente 7 milhões de mortes prematuras por ano no mundo. Ao mesmo tempo, a própria OMS estima que as doenças alérgicas afetem entre 30% e 40% da população mundial.

No Brasil, a rinite alérgica está entre as condições mais comuns. Estimativas da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) indicam que cerca de 30% dos brasileiros apresentam sintomas relacionados à doença, número que se intensifica nos períodos de mudanças climáticas bruscas e alta concentração de poluentes urbanos.

Por que a poluição piora nos meses mais frios?

Durante o inverno, a dispersão dos poluentes se torna mais difícil. A redução das chuvas diminui a limpeza natural da atmosfera, enquanto fenômenos como a inversão térmica impedem que o ar frio (mais denso e carregado de impurezas) circule adequadamente.

Como resultado, partículas provenientes da queima de combustíveis e emissões industriais permanecem concentradas próximas ao solo. O médico otorrinolaringologista Bruno Borges de Carvalho Barros explica que, em áreas urbanas, esse acúmulo dificulta o controle dos sintomas.

Essas partículas entram em contato direto com as vias respiratórias, provocando irritação, inflamação e aumento da produção de secreções”, afirma o especialista.

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Entenda quais são os principais sintomas

O nariz funciona como a primeira barreira de defesa, mas a exposição constante ao ar seco e poluído compromete os cílios microscópicos que eliminam as impurezas. Os principais sintomas observados são:

  • Espirros repetitivos e coriza;

  • Congestão nasal e coceira no nariz ou olhos;

  • Irritação na garganta e tosse persistente;

  • Agravamento de crises de rinite e asma.

Além disso, a tendência de permanecermos em ambientes fechados no inverno favorece a exposição a ácaros, poeira e mofo. Crianças, idosos e pacientes com doenças respiratórias crônicas são os grupos mais vulneráveis e exigem atenção redobrada.

Quando procurar ajuda médica?

A busca por um especialista é recomendada quando os sintomas se tornam frequentes, persistentes ou começam a comprometer a qualidade de vida e o sono. Sinais de alerta como crises alérgicas recorrentes, congestão nasal constante, chiado no peito ou falta de ar merecem investigação.

Muitas pessoas se acostumam a conviver com o desconforto e acabam normalizando o problema. Mas a rinite crônica e a asma precisam de acompanhamento e tratamento preventivo adequado”, conclui a Dra. Cristiane Passos.

O Dr. Bruno Barros faz uma ressalva essencial sobre os riscos da automedicação: “Embora os descongestionantes nasais de farmácia possam aliviar rapidamente o nariz entupido, o uso prolongado e sem orientação médica pode causar dependência e agravar ainda mais o quadro (efeito rebote)”.

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Cuidados práticos e prevenção

Embora seja impossível eliminar completamente a exposição à poluição urbana, algumas medidas práticas ajudam a proteger as vias respiratórias e aliviar o desconforto:

  • Hidratação constante: Beba água ao longo do dia e utilize soro fisiológico para lavar o nariz várias vezes. “A lavagem nasal remove as partículas inaladas e mantém a mucosa hidratada, reduzindo a irritação”, orienta a Dra. Cristiane.

  • Higiene do ambiente: Limpe a casa regularmente com pano úmido (evitando vassouras que espalham o pó) e mantenha as janelas abertas nos horários de sol para circular o ar.

  • Atenção com as roupas: Casacos guardados por muito tempo devem ser lavados antes do uso. Roupas utilizadas na rua também acumulam poluentes e devem ser trocadas ao chegar em casa.

  • Evite choques térmicos: Evite mudanças bruscas de temperatura, seque bem os cabelos após o banho e evite pisar descalço em pisos frios.

Com informações de Assessorias de Imprensa

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