Os jovens brasileiros entre 16 e 24 anos apresentaram uma taxa de tabagismo superior à de todas as outras faixas etárias, segundo dados de uma pesquisa nacional realizada pelo Instituto A.C.Camargo Câncer Center em parceria com a empresa Nexus. O levantamento, que entrevistou mais de 2 mil pessoas em todo o país, revela um cenário preocupante para a saúde pública no âmbito do Dia Nacional de Combate ao Tabagismo, lembrado nesta sexta-feira, dia 28 de agosto.
Nessa faixa etária, 19% dos entrevistados se declaram fumantes ativos de cigarros tradicionais ou eletrônicos, valor que supera a média nacional de 17%. Em contrapartida, a população de 25 a 40 anos registra o menor índice de tabagismo (15%), seguida pelas pessoas com mais de 60 anos (16%) e pelo grupo de 41 a 59 anos (17%).
Iniciação precoce e riscos à saúde
De acordo com o médico Helano Freitas, líder do Centro de Referência de Tumores de Pulmão e Tórax do A.C.Camargo, a incidência entre os mais jovens exige atenção prioritária. O estudo aponta que o primeiro contato com o tabaco ocorre, em média, aos 16 anos. Por se tratar de uma etapa de alta vulnerabilidade, o início precoce eleva significativamente os riscos de desenvolvimento de dependência de longo prazo.
Além do impacto direto aos usuários, o levantamento indica que cerca de um terço da população brasileira (33%) compartilha frequentemente ambientes domésticos ou de trabalho com fumantes. A exposição passiva à fumaça aumenta consideravelmente o risco de câncer de pulmão e outras enfermidades graves, inclusive em pessoas que nunca fumaram.
Panorama socioeconômico e hábitos de vida
A pesquisa traz também um recorte detalhado sobre o perfil dos fumantes e os fatores regionais e socioeconômicos associados ao consumo:
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Regiões do país: O Sul lidera o consumo de tabaco no Brasil, com 22%, seguido pelo Sudeste (19%), Nordeste (13%) e Norte/Centro-Oeste (13%).
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Renda e escolaridade: O tabagismo é mais prevalente entre pessoas com renda de até um salário mínimo (19%) e entre aqueles que concluíram apenas o ensino fundamental (21%).
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Ex-fumantes: A faixa etária com maior índice de cessação do fumo é a de pessoas com mais de 60 anos (32%), enquanto apenas 8% dos jovens de 16 a 24 anos conseguiram abandonar o hábito.
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Acúmulo de hábitos nocivos: Entre os fumantes ativos, 84% relataram manter até quatro hábitos prejudiciais à saúde no cotidiano, como sedentarismo e consumo elevado de frituras e ultraprocessados. Já entre os ex-fumantes, a maioria (44%) mantém apenas um hábito ruim residual, sinalizando que a interrupção do tabagismo costuma ser acompanhada de uma reestruturação geral do estilo de vida.
Falsa percepção de bem-estar
Um dos achados mais surpreendentes da pesquisa é a percepção de saúde relatada pelos próprios usuários. Cerca de 63% dos fumantes classificam a própria saúde como “ótima” ou “boa”. Esse percentual supera numericamente o índice registrado entre não fumantes (61%), ainda que a diferença esteja dentro da margem de erro.
Essa percepção equivocada reforça os desafios das campanhas de conscientização, destacando a importância de reforçar ações educativas e preventivas junto às novas gerações.
A urgência de combater o tabagismo se conecta diretamente ao equilíbrio integrativo da saúde. Ao analisar os impactos ambientais da fumaça, a exposição passiva no convívio social e o surgimento de zoonoses e crises climáticas que afetam o sistema respiratório global, reforça-se a necessidade da abordagem da Saúde Única (One Health). Compreender a interconexão indissociável entre a saúde humana, a saúde animal e o meio ambiente é fundamental para construir políticas públicas e hábitos de vida genuinamente sustentáveis.
Campanha nacional aposta na linguagem da Geração Z

Para dialogar diretamente com o público jovem e mudar a abordagem sobre o tabagismo, a AstraZeneca lançou a campanha nacional “Fumar não dá match com seus planos”. Em vez de focar apenas em consequências de longo prazo, a iniciativa aproxima a prevenção do cotidiano ao conectar escolhas do presente a temas como autoestima, treinos, saúde mental, relacionamentos e projetos de vida.
Com apoio institucional de diversas entidades — incluindo o Instituto Vencer o Câncer (IVOC), Instituto Oncoguia, Instituto Lado a Lado pela Vida, Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) e Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) —, a campanha será desenvolvida até o fim de 2026.
As ações incluem conteúdos digitais com influenciadores, histórias reais, caminhadas, ativações da Carreta da Saúde e o direcionamento constante da população aos programas gratuitos de cessação do fumo disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS).
Com Assessorias




