Os cães estão vivendo mais e, com isso, os cuidados com a saúde também precisam acompanhar todas as fases da vida. A expectativa média de vida dos cães é de 12,5 anos, embora possa variar de acordo com raça, sexo e porte, segundo estudo publicado na revista científica Scientific Reports. No Brasil, cerca de 44% dos domicílios têm pelo menos um cão, de acordo com a pesquisa Radar Pet.

A maior longevidade dos animais acompanha uma mudança na relação entre cães e tutores. Cada vez mais presentes na rotina das famílias, os pets passaram a receber mais atenção em aspectos como prevenção, alimentação, acompanhamento veterinário e qualidade de vida. Esse cenário reforça a importância de olhar para a saúde do animal de forma contínua, com cuidados que acompanhem suas necessidades ao longo dos anos.

Celebrado em 26 de agosto, o Dia Mundial do Cachorro é a oportunidade perfeita para reforçar a importância dos cuidados diários com os animais de companhia. Hoje, com os cães cada vez mais integrados à rotina das famílias, assegurar a sua longevidade vai além do afeto: exige uma rotina estruturada de medicina preventiva.

Os cães ocupam hoje um papel muito mais integrado à rotina das famílias. Eles convivem com crianças e idosos, acompanham seus tutores em diferentes momentos e fazem parte da vida familiar. Esse vínculo também reforça a importância de cuidar da saúde de forma preventiva, desde os primeiros anos até a fase adulta e o envelhecimento”, Mariana Cappellanes Flocke, médica-veterinária e consultora técnica sênior da Elanco Brasil para Pet Health.

Prevenção começa com o controle de parasitas

Pulgas, carrapatos e vermes estão entre os principais desafios de saúde dos cães e podem causar desconforto, comprometer a qualidade de vida e, em alguns casos, transmitir doenças. Por isso, o controle parasitário deve fazer parte da rotina de cuidados, respeitando as necessidades de cada animal e a orientação do médico-veterinário.

A prevenção, no entanto, não termina com o controle de parasitas.  Problemas de pele e alergias também podem afetar a qualidade de vida dos cães. Segundo dados da MSD Saúde Animal e levantamentos do setor veterinário, as afecções dermatológicas estão entre as principais causas de consulta nas clínicas, representando até um terço de todos os atendimentos na rotina de pequenos animais. Seja por infestações de ectoparasitas ou por quadros alérgicos, os problemas de pele comprometem diretamente o bem-estar do pet, exigindo atenção contínua dos responsáveis.

Consultas veterinárias periódicas, vacinação, alimentação balanceada, atividade física adequada à idade e exames preventivos também são importantes para acompanhar mudanças na saúde do animal e identificar possíveis problemas precocemente. Cuidar da saúde ao longo da vida significa acompanhar as mudanças que acontecem em cada fase e agir de forma preventiva sempre que possível. Esse cuidado ajuda a reduzir riscos, identificar possíveis problemas mais cedo e proporcionar mais qualidade de vida aos animais

Sinais de dor podem ser confundidos com o envelhecimento

À medida que os cães envelhecem, algumas condições exigem atenção especial. É o caso da osteoartrite, doença que, embora se manifeste clinicamente em adultos e idosos, inicia-se silenciosamente ainda na juventude.

A evolução da doença costuma ser gradual e alguns sinais podem passar despercebidos ou ser associados apenas à idade. Dificuldade para subir escadas, menor disposição para passeios, relutância em brincar ou mudanças na mobilidade podem indicar que o animal está sentindo dor.

Quando alterações de mobilidade passam a fazer parte da rotina, é importante não atribuí-las automaticamente ao envelhecimento. A avaliação veterinária permite investigar a causa desses sinais e, quando necessário, iniciar o tratamento de forma adequada, contribuindo para preservar a qualidade de vida do animal”, explica Flocke.

10 dicas para manter a saúde do seu cão em dia

Para marcar a data, Kathia Soares, médica-veterinária e coordenadora técnica da MSD Saúde Animal, elenca 10 dicas fundamentais para manter a saúde do seu cão em dia, detalhando como o cuidado dermatológico deve ser aplicado no cotidiano:

1. Mantenha a proteção contra pulgas e carrapatos em dia

A prevenção contra pulgas e carrapatos vai muito além de evitar o desconforto da coceira. Esses ectoparasitas podem transmitir doenças importantes aos cães e, em alguns casos, também representar riscos à saúde humana. Optar por soluções de longa duração evita falhas no calendário e mantém o animal protegido ininterruptamente.

Muitas vezes, o responsável pelo pet só nota a infestação quando ela já está avançada e espalhada pela casa. A prevenção contínua é fundamental para interromper rapidamente o ciclo dos parasitas, evitando infestações, reduzindo o risco de transmissão de doenças e prevenindo processos alérgicos que podem comprometer a saúde e o bem-estar do animal”, explica Kathia Soares.

2. Atente-se aos pequenos sinais da pele e da pelagem

A pele do cão dá sinais claros quando algo não vai bem. Descamação semelhante à caspa, vermelhidão no abdômen e dobras, odor forte mesmo após o banho, perda excessiva de pelos ou o hábito constante de lamber e morder as patas são alertas de que a barreira cutânea pode estar comprometida e necessita de investigação.

3. Estabeleça uma rotina de banhos equilibrada

Higienizar o pet é essencial, mas o excesso de banhos ou o uso de produtos inadequados pode retirar a camada lipídica natural que protege a pele contra bactérias e fungos. O ideal é manter um intervalo adequado entre os banhos e utilizar exclusivamente shampoos de uso veterinário, com pH neutro ou formulações terapêuticas indicadas pelo médico-veterinário.

4. Escove os pelos regularmente para remover impurezas

A escovação diária ou semanal (a depender da raça) remove pelos mortos, previne a formação de nós que acumulam umidade e sujeira, e estimula a microcirculação sanguínea na pele. Além do benefício estético e higiênico, é um momento valioso de conexão e inspeção do corpo do pet.

5. Cuide da hidratação e da nutrição de dentro para fora

Uma pelagem brilhante e forte é reflexo direto da alimentação. Dietas de alta qualidade, ricas em ácidos graxos essenciais (como Ômega 3 e 6), ajudam a manter a integridade da pele e a qualidade dos pelos. Água fresca e limpa sempre à disposição também é indispensável para a hidratação adequada do organismo e para o bem-estar do cão.

6. Proteja o pet durante e após os passeios

Evite caminhadas nos horários quentes para prevenir queimaduras nos coxins (almofadinhas das patas) e desidratação. Ao retornar de passeios em parques, praças ou locais com vegetação alta, faça uma checagem minuciosa entre os dedos, orelhas e dobras do animal para identificar eventuais carrapatos presos ao corpo.

7. Controle as alergias com apoio profissional especializado

As dermatites alérgicas estão entre as doenças de pele mais frequentes em cães e podem ter diferentes causas, como alergias ambientais, alimentares e a ectoparasitas. Como muitas delas apresentam sinais semelhantes, o diagnóstico correto é fundamental para identificar os fatores desencadeantes e evitar crises recorrentes.

O ato compulsivo de se coçar traz um desconforto imenso e, além de interferir diretamente no sono, no humor e na disposição do cão, pode provocar lesões na pele que evoluem para feridas e, em alguns casos, até infecções. Tratar as dermatites alérgicas não é uma questão estética; é devolver qualidade de vida e bem-estar ao animal e mais tranquilidade para toda a família”, ressalta a médica-veterinária.

8. Mantenha o ambiente em que o pet vive higienizado

Grande parte do ciclo de vida das ectoparasitas ocorre no ambiente e não sobre o animal. Por isso, caminhas, mantas, brinquedos de tecido, tapetes e frestas de pisos devem ser higienizados regularmente para reduzir a presença de parasitas e ajudar a prevenir reinfestações.

9. Não automedique seu pet

Coceira, vermelhidão, falhas na pelagem e lesões na pele podem ter diferentes causas e exigir tratamentos específicos. O uso de medicamentos por conta própria ou a aplicação de produtos indicados para outros animais podem atrasar o diagnóstico, agravar o problema e colocar a saúde do cão em risco. A orientação do médico-veterinário é fundamental para garantir um tratamento seguro e eficaz.

10. Faça consultas preventivas e acompanhamento periódico

Levar o cão ao médico-veterinário para check-ups regulares, e não apenas quando ele apresentar manifestações graves, é o caminho mais eficiente para diagnosticar precocemente qualquer alteração cutânea, ajustar os tratamentos e preservar a longevidade do pet.

Celebrar o Dia do Cão é olhar com atenção para a rotina do nosso parceiro e fazer com que ele esteja confortável na própria pele. Pequenos cuidados diários, aliados à prevenção contínua e ao acompanhamento veterinário constante, são o maior ato de afeto e responsabilidade que podemos oferecer a eles”, conclui Kathia.

Com Assessorias

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