O surto de ebola na África acendeu o alerta na rede de saúde de São Paulo. Embora as autoridades afirmem que o risco de chegada do vírus ao Brasil é baixo, o estado já reforçou seus protocolos de vigilância epidemiológica e isolamento para garantir uma resposta rápida caso algum passageiro com a doença desembarque em território paulista.
A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo reforçou nesta quinta-feira (21) os protocolos de segurança e os fluxos de atendimento para a identificação, isolamento e notificação de eventuais casos suspeitos de ebola. A medida é preventiva e ocorre em resposta ao avanço da doença na África, onde a Organização Mundial da Saúde (OMS) já contabiliza quase 600 casos suspeitos e 139 mortes na República Democrática do Congo e em Uganda.
Por concentrar o maior fluxo de passageiros internacionais do país, principalmente pelo Aeroporto Internacional de Guarulhos, São Paulo atua de forma antecipada. O Instituto de Infectologia Emílio Ribas, localizado na capital paulista, foi oficializado como a unidade de referência estadual para o acolhimento e tratamento de pacientes que possam apresentar a infecção.
Por que o risco de disseminação no Brasil é considerado baixo?
De acordo com os especialistas e com a Sala de Situação da pasta estadual, o risco de uma epidemia de ebola no Brasil e no continente sul-americano permanece muito baixo. Três fatores centrais sustentam essa avaliação epidemiológica:
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Ausência de voos diretos: Não há rotas aéreas diretas ligando as regiões afetadas na África Central à América do Sul, o que reduz drasticamente a probabilidade de circulação imediata de infectados.
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Mecanismo de transmissão: Diferente de vírus respiratórios como a Influenza ou a Covid-19, o ebola não é transmitido pelo ar. O contágio só ocorre através do contato direto com o sangue, secreções, órgãos ou fluidos corporais de uma pessoa que já esteja manifestando os sintomas da doença.
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Barreira geográfica: Historicamente, nunca houve registro de transmissão local ou nativa do vírus ebola nas Américas.
Mesmo com a probabilidade reduzida, o monitoramento nas fronteiras e portões de entrada foi intensificado. Profissionais de hospitais, prontos-socorros e redes de atenção básica foram orientados a manter atenção total a pacientes que apresentem febre alta e que tenham histórico de viagem para os países em surto nos últimos 21 dias.
Protocolo de emergência em solo paulista
Caso um paciente atenda aos critérios de caso suspeito, a notificação deve ser feita imediatamente à Vigilância Epidemiológica municipal e ao Centro de Vigilância Epidemiológica do estado.
O protocolo estadual determina que qualquer remoção ou transporte desses pacientes seja executado exclusivamente pelo Grupo de Resgate e Atendimento às Urgências e Emergências (GRAU), serviço especializado capaz de garantir o isolamento total durante o trajeto até o Instituto Emílio Ribas.
São Paulo mantém sua rede preparada para uma resposta rápida e segura”, destacou Regiane de Paula, coordenadora de Saúde da Coordenadoria de Controle de Doenças do estado. O objetivo central do plano de contingência é cortar a linha de transmissão nas primeiras horas de suspeita.
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O perigo da variante Bundibugyo
O cenário internacional exige atenção porque as análises laboratoriais confirmaram que as infecções atuais na África são provocadas pela cepa Bundibugyo. Ao contrário de crises sanitárias passadas, nas quais as vacinas licenciadas (como a Ervebo) ajudaram a conter as mortes, os imunizantes e terapias monoclonais disponíveis no mercado foram desenhados especificamente para a cepa Zaire e não possuem eficácia comprovada contra a variante Bundibugyo.
A doença manifesta-se de forma súbita. O período de incubação — intervalo entre o contato e o surgimento dos primeiros sinais — dura de 2 a 21 dias. Os sintomas evoluem rapidamente de febre, dor de cabeça e fadiga para quadros graves de vômito, diarreia, dores abdominais intensas, manifestações hemorrágicas e falência múltipla de órgãos.
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Com informações da Agência Brasil.




