RJ já tem 20 vezes mais casos de dengue que o esperado

Estado do Rio soma 49.405 casos prováveis de dengue, 96% do total registrado em 2023. 25 mil novos casos do Carnaval ainda serão computados

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Em quase dois meses deste ano, o Estado do Rio de Janeiro soma 49.405 casos prováveis de dengue, número 20 vezes acima do esperado para o período, segundo informações da Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ) divulgadas nesta segunda-feira (19/2). Os números de 2024 já representam 96% de todos os casos registrados em 2023, quando houve 51.526 casos prováveis e 32 óbitos confirmados por dengue. Até quinta (15/2), houve quatro óbitos confirmados: dois no município do Rio de Janeiro, um em Mangaratiba e um em Itatiaia. 

Já na última sexta-feira (16), a SES informou que o último boletim semanal Panorama da Dengue revelava que o número de casos prováveis da doença até 15 de fevereiro (41.252) em todo o estado, era seis vezes acima do limite máximo esperado para esta época do ano, de acordo com a série histórica dos últimos 10 anos.

A Secretaria estimava que mais de 25 mil novos casos devem ser registrados para o período. Ou seja, cerca de 19 mil registros ainda devem entrar no sistema. A diferença ocorre porque o Centro de Inteligência em Saúde (CIS) usa um modelo de cálculo epidemiológico conhecido como nowcasting, que leva em conta o atraso de inserção de dados no sistema de vigilância.

Maior excesso de casos na capital, Baixada e Região Serrana

O Panorama da Dengue apresenta também o indicador Excesso de Casos (EC), que mostra quantas vezes o número de casos registrados excede o limite máximo considerado dentro do esperado para o momento atual.

Por essa métrica, as Regiões Metropolitana I – que inclui a capital e Baixada Fluminense –  e Serrana são as que apresentam o maior excesso de casos (20 vezes e 5,6 vezes, respectivamente). Em seguida vêm as regiões Centro-Sul (EC = 4,7 vezes) e Baía de Ilha Grande (EC aproximado de 3 vezes), onde estão Angra, Paraty e Mangaratiba.

A análise mostrou ainda que a tendência de aumento na transmissão de casos se mantém pela nona semana consecutiva. O período analisado pelo boletim corresponde à Semana Epidemiológica 6, que vai de 4 a 10 de fevereiro, incluindo o período de Carnaval. Foram registrados neste período 6.593 casos.

Os dados referentes à dengue no Estado do Rio de Janeiro se encontram disponíveis no Painel Monitora da SES-RJ, neste link.

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Centro de Operações de Emergências em Saúde

Diante deste cenário, a SES-RJ realizou nesta segunda a primeira reunião do comitê que compõe o Centro de Operações de Emergências em Saúde (COEs). O objetivo geral é estabelecer estratégias para a redução de óbitos e de casos graves por dengue no estado. O encontro contou com a presença de representantes da Fundação Saúde e de todas as subsecretarias da SES-RJ.

“Ativamos o Centro de Operações de Emergências em Saúde especificamente para dengue para estarmos mais preparados e capacitados para agir em qualquer cenário. O COEs tem um propósito especifico por um tempo determinado durante uma situação de emergência. Nossos especialistas passam a atuar juntos num plano de trabalho revendo fluxos, aprimorando a assistência e melhorando nosso plano de contingência já existente para arboviroses”, explica a secretária de Estado de Saúde, Claudia Mello.

Ela destacou como principais ações a melhoria da assistência (treinamento da equipe de médicos e enfermeiros das UPAs), o investimento em kits de hidratação para as unidades estaduais e para os municípios e o aprimoramento da divulgação do cenário epidemiológico e das estratégias de comunicação para a população.

Também são objetivos do COEs monitorar e disponibilizar resultados de diagnósticos laboratoriais específicos para investigação da vigilância genômica das arboviroses; alertar, orientar e fortalecer o apoio técnico, operacional e logístico às secretarias municipais de saúde para o desenvolvimento de ações de enfrentamento dos casos graves de dengue e de óbitos.

“Quanto mais organizada a equipe estiver, melhor será o enfrentamento das próximas fases da dengue. Estamos preparados para melhorar nossa assistência tanto na questão da hidratação tanto na conversão de leitos. E estamos divulgando sempre informações fidedignas e acessíveis para as equipes e para a população”, explica a secretária.

Segundo ela, a Secretaria vem monitorando o crescimento da transmissão em todo o estado e oferecendo apoio aos 92 municípios do estado, com treinamento de profissionais de saúde com os protocolos de diagnóstico e tratamento dos pacientes e envio de insumos, equipamentos e medicamentos para montagem de salas de hidratação nos municípios, entre outras ações.

“Mas é importante também que a população esteja junto conosco neste momento, com uma série de medidas para controlar e eliminar focos de dengue dentro de casa, onde ficam 80% dos criadouros do Aedes aegypti”, afirma Claudia Mello.

Rio já vistoriou quase 1 milhão de residência em busca de focos do Aedes aegypti

No Rio de Janeiro, a Secretaria Municipal de Saúde do Rio (SMS) fará ações de prevenção às arboviroses (dengue, zika e chikungunya) e de controle vetorial nos dias 20, 21, 22 e 23 de fevereiro. Nas atividades, que acontecerão de terça a sexta-feira, serão contemplados 17 bairros das zonas Norte, Sul, Oeste e central da cidade, com ações conduzidas por agentes de vigilância ambiental em saúde.

Nos dias 20 e 21, as atividades serão realizadas no Complexo da Maré, Penha, Bancários, Cidade Nova, Santa Teresa, Ilha do Governador, Jacarézinho e Jardim Botânico, respectivamente. Já nos dias 22 e 23, acontecem nos seguintes bairros: Anchieta, Penha, Cosmos, Santa Cruz, Penha Circular, Tijuca, Sepetiba, Padre Miguel, Gardênia Azul e Abolição. As ações de prevenção e controle vetorial são estratégicas e desenvolvidas ao longo do ano, com intensificação no verão, quando as condições climáticas favorecem a proliferação do Aedes aegypti.

Este ano, até o dia 10 de fevereiro, foram visitados 915.126 imóveis para prevenção e controle do Aedes aegypti e 157.437 recipientes que poderiam servir de criadouros de mosquitos foram tratados ou eliminados. Em 2023, foram realizadas 11,2 milhões de vistorias em imóveis para controle e prevenção de possíveis focos do mosquito, com eliminação ou tratamento de mais de 2,1 milhões de recipientes.

A SMS também realiza ações educativas e de mobilização social para orientar a população sobre as medidas para a prevenção de arboviroses urbanas, visando despertar a responsabilidade sanitária individual e coletiva. Quando necessário, a população pode fazer pedidos de vistoria ou denunciar possíveis focos do mosquito pela Central de Atendimento da Prefeitura, no telefone 1746.

Fonte: SES-RJ e SMS-Rio 

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