Ex-Ken humano, mais de 90 plásticas: há limites na transição de gênero?

‘Sempre quis ser Barbie’, revela Jéssica Alves, que diz sofrer de disforia de gênero. Para cirurgião plástico, o que ela tem é dismorfia corporal

Ex-Ken humano: Jéssica Alves já fez mais de 90 procedimentos cirúrgicos para ficar parecida com a Barbie (Fotos: Reprodução de internet)
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O mês dedicado ao orgulho LGBTIA+, cujo dia é celebrado em 28 de junho, traz uma importante reflexão: até que ponto vale tudo para transformar o próprio corpo em nome de uma nova identidade de gênero? Um exemplo é Jessica Alves, ex-Ken Humano, uma modelo brasileira de 39 anos que afirma já ter feito mais de 90 cirurgias plásticas para se tornar uma Barbie, depois de fazer tudo para ser parecida com o namorado dela.

Em 2020, o então modelo Rodrigo Alves revelou que era uma mulher trans e passou três meses desaparecida da mídia para se recuperar das novas operações, inclusive de redesignação sexual. “Pelos últimos oito anos da minha vida, eu tenho sido conhecida como o boneco Ken da vida real, mas na verdade eu queria ser a Barbie”, afirmou ela, na ocasião.

No ano seguinte, Jessica disse estar feliz por ser a mulher que sempre foi. “Nunca é tarde para encontrar conforto e felicidade dentro de nós mesmos. Não existe uma idade certa para fazer a transição”, escreveu em seu Instagram @jessicaalvesuk.

A modelo, que tem mais de 7 milhões de seguidores, revelou que já gastou mais de R$ 6 milhões em plásticas após sua transição de gênero. Ao todo, já foram quase uma centena de procedimentos cirúrgicos.

“Acredito que foram mais de 90 cirurgias. Eu nunca contei, sempre que perguntam eu tenho que olhar no túnel do tempo, mas foram mais de 90”., declarou Jéssica, em entrevista ao SuperPop, apresentado por Luciana Gimenez na RedeTV!.

Ex-Ken humano, Jéssica Alves tenta se parecer cada vez mais com a Barbie (Reprodução de internet)

Ex-Ken humano nega vício em plásticas e revela sofrer de disforia de gênero

Apesar do grande número de procedimentos, ela nega qualquer aspecto patológico nessa sua perseguição por um padrão de beleza ideal.

“Muitas pessoas me enxergam como uma viciada em cirurgias plásticas. Mas a verdade é que sou biologicamente um homem, que agora é uma mulher, então cirurgias foram necessárias para eu ser a pessoa que sou hoje”, comentou.

Em 2021, a modelo fez desabafo em seu Instagram de que sofre de um grave transtorno: a disforia de gênero.

“Disforia de gênero se manifesta como angústia, depressão, ansiedade, inquietação. Pode parecer raiva, tristeza ou até sentimento negativo em relação ao seu corpo. É como se estivessem faltando partes de você”, declarou. “Eu sofro muito [disso] e faço as pessoas que amo sofrerem também”, lamentou.

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Para cirurgião plástico, ex-Ken humano sofre de dismorfobia corporal

Para o cirurgião plástico Alan Landecker, o que Jéssica aparenta ter é um transtorno dismórfico corporal, também conhecido como dismorfia corporal, uma doença psiquiátrica que precisa de atenção, uma vez que é capaz de colocar a vida do paciente em risco. 

Ele ainda cita como exemplos a também brasileira Liziane Guitierrez, que participou do reality show ‘A Fazenda’, da TV Record, em 2021, e o cantor Michael Jackson, que morreu há 14 anos, exatamente em 25 de junho de 2009. 

 

Ex-Ken humano, Rodrigo Alves, agora Jéssica Alves (Reprodução de internet)

Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), Alan Landecker diz que esses pacientes apresentam uma preocupação desmedida com a aparência e acabam realizando um número exagerado de cirurgias plásticas. Com isso, acabam desenvolvendo complicações devido à realização excessiva de intervenções no mesmo local.

“O paciente que sofre de dismorfobia corporal se sente angustiado com a aparência e, por mais que tentamos alertar e impor limites, ele irá buscar um profissional que possa mudar o que ele acha que está errado para ter a tão sonhada proporção perfeita e simétrica no rosto e no corpo. Mas, se a pessoa deseja melhorar alguma coisa e o resultado for natural e o satisfaz, isso não é um vício”, adverte o médico.

Até quando vale a pena realizar tantos procedimentos em busca da perfeição estética?

O cirurgião plástico explica que o estilo de vida da sociedade atual, pautada pelo consumo e pela imagem perfeita, estimula as pessoas a cada dia tornarem-se mais insatisfeitas com o próprio corpo e tomarem medidas extremas para mudar suas imperfeições.

Há diversos casos que repercutem na mídia, principalmente de celebridades que exageraram e adquiriram a Síndrome Dismórfica“, comenta Dr Alan.

Segundo ele, ainda que pareçam inofensivos, tais procedimentos podem causar intenso sofrimento às pessoas, já que o objetivo principal da cirurgia plástica é fazer um procedimento que fique o mais natural e harmônico possível. Quando bem indicada e realizada, a cirurgia plástica eleva a autoestima e traz resultados extremamente positivos, restabelecendo não só a dignidade física, como também a emocional.

Passando dos limites o resultado fica artificial. Ele também diz que é muito importante saber escolher o local onde será realizado o procedimento e que tipo de intervenção seja indicada pelo médico.

“Além disso, é preciso debater mais sobre o assunto para ajudar a livrar essas pessoas desse sofrimento. As pessoas precisam entender que atrizes, modelos e digitais influencers possuem imperfeições como todos. Cada corpo tem sua beleza e característica”, pondera Landecker.

Ex-Ken humano sofre muitas críticas nas redes sociais

Ex-Ken humano, Jéssica Alves desperta críticas nas redes por sua aparência atual (Reprodução de internet)

Famosa internacionalmente, a ex-Ken humano Jéssica Alves sempre aparece em programas de TV. Recentemente, a influenciadora postou fotos exibindo o corpo após as plásticas e atraiu comentários negativos. 

“Ficou bem natural, graças a Deus”, ironizou um. “Nem parece humano, e sim inflável. A boneca do sex shop”, afirmou uma terceira. “Tem que passar longe de prego e alfinete”, disse um. “Ficou uma boneca, mas a de vodu”, detonou outro. “Agora é a Barbie possuída”, alfinetou mais um.

Uma internauta parece ter tocado num ponto sensível para Jessica: “Tem que parar as cirurgias e procurar um psiquiatra”. “Juro que sinto pena”, completou outra..

Brasil é recordista em plásticas no Brasil

Boa parte dos procedimentos aos quais Jessica se submeteu foi realizada no Brasil, que é considerado um dos campeões em cirurgias plásticas e vem atraindo turistas do mundo todo em busca de transformações estéticas.

Em 2021, o país liderava o ranking mundial em número de cirurgias plásticas.  Com aproximadamente 1.5 milhão de cirurgias ao ano, o país ultrapassa os Estados Unidos e o México, em segunda e terceira posição, respectivamente, segundo dados dSociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS) e Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).

Nos últimos dez anos houve um aumento de mais de 140% no número de cirurgias realizadas por jovens entre 13 e 18 anos. A rinoplastia é cirurgia mais procurada pelos jovens, porém, o implante de silicone e a lipoaspiração também são bastante demandados. O motivo deste aumento segundo especialistas, se deve principalmente pelas redes sociais e o aumento com a insatisfação com a própria imagem.

Ex-Ken humano anunciou transplante de útero no Brasil

Em 2021, Jessica Alves voltou a causar rebuliço nas redes sociais ao revelar que viria para o Brasil para mais uma cirurgia, desta vez, bem mais inusitada: um transplante de útero. Com isso, se tornaria a primeira mulher trans no mundo a realizar a cirurgia.

“Eu fiz muitos exames na Turquia para ver se era possível fazer a cirurgia, mas mudei de ideia e vou ao Brasil onde minha família está”, revelou a ex-Ken humano, na ocasião. O transplante custaria 30 mil libras esterlinas, cerca de R$ 221 mil na cotação da época.

O objetivo com o procedimento era realizar o sonho de ser mãe de um filho biológico. Ao site internacional Daily Mail, a influencer afirmou na época que esperava ficar grávida de maneira natural, com sexo, o que não seria possível já que o útero transplantado não estaria conectado às trompas de falópio

Com Agências

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