O Brasil está vivendo um aumento significativo de casos de dengue no início do ano. O Ministério da Saúde já registrou mais de 345 mil casos prováveis de dengue, ultrapassando a pior semana da doença em 2023, com 111 mil casos. O número de casos de dengue no Brasil pode chegar a 5 milhões, em 2024, segundo estimativa da pasta.

Também estão aumentando os casos de outras arboviroses transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, como chikungunya e zika – não apenas no Brasil, mas em toda a região das Américas. Os sintomas dessas enfermidades são muito parecidos e podem se confundir e dificultar o diagnóstico.

“Na dengue, a febre alta é predominante, enquanto na zika pode ocorrer coceira pelo corpo. Já na chikungunya as dores nas articulações são o principal sinal. É importante ficar atento pois os sintomas podem ser parecidos e no caso da dengue, pode evoluir para casos graves, então é importante buscar avaliação médica”, explica Raíssa de Moraes, médica infectologista da Afya.

Segundo ela, o tratamento, tanto para a dengue, como para zika e chikungunya é sintomático, ou seja, utilizam medicamentos que aliviam os sintomas e alguns remédios precisam ser evitados caso exista a suspeita das doenças, sendo eles ácido acetilsalicílico (AAS), anti-inflamatórios e corticoides.

Preste atenção aos sintomas predominantes

Em todas as três doenças, o diagnóstico depende de uma avaliação clínica cuidadosa e do resultado de alguns exames laboratoriais. Por isso, é importante buscar avaliação médica. Segundo a médica, a melhor forma de diferenciar as três doenças é prestar atenção em sintomas predominantes. Entenda:

Dengue –  A dengue é caracterizada pela febre alta e persistente acima de 38ºC, náuseas, vômitos, cefaleia, dor atrás dos olhos e manchas vermelhas no corpo. Contudo, existem quadros leves da doença que não apresentam todos os sintomas.

Zika – Já a infecção pelo vírus da Zika se manifesta pela dor de cabeça, febre baixa, dores leves nas articulações, manchas vermelhas na pele, coceira e vermelhidão nos olhos. Geralmente, a doença não evolui para casos graves, diferentemente da dengue, que pode chegar a casos como a dengue hemorrágica.

“O risco pela zika se dá especificamente para mulheres gestantes, que podem desenvolver a Síndrome Congênita associada à infecção pelo vírus, que causam um conjunto de anomalias congênitas em embriões ou fetos expostos à enfermidade durante a gestação”, esclarece.

Chikungunya – Dores intensas nas articulações, como dedos, tornozelos e pulsos são os principais sintomas da infecção por chikungunya. A doença apresenta, ainda, dor de cabeça, dor nas costas, coceira na pele e febre leve, e pode evoluir para a forma crônica, quando os sintomas persistem por mais de 90 dias após o início dos sintomas. Em mais de 50% dos casos, a dor nas articulações torna-se crônica, podendo persistir por anos.

Qual é o melhor teste para identificar essas arboviroses?

Testes que detectam antígenos e anticorpos trazem diagnóstico rápido e preciso desde os primeiros dias de infecção

Sintomaticamente, as infecções agudas por zikadengue e chikungunya são muito semelhantes e não é confiável o diagnóstico destas doenças apenas pelo quadro clínico. Por isso, é necessário fazer exames etiológicos, em particular, a RT-PCR na fase aguda da doença ou através da detecção do antígeno viral, no caso da dengue, como explica a Sociedade Brasileira de Patologia Clínica / Medicina Laboratorial (SBPC/ML).

Normalmente, os testes existentes detectavam a presença do vírus no organismo a partir do quarto dia de sintoma, quando apareciam os anticorpos, substâncias produzidas pelo próprio organismo para combater a infecção. Mas os testes de antígenos disponíveis hoje conseguem o diagnóstico muitas vezes a partir do primeiro dia da infecção, por conta de glicoproteínas que estão sendo utilizadas para a replicação dos vírus e já podem ser encontradas com antecedência no sangue.

Já os testes moleculares do tipo RT PCR são os mais precisos, mas por serem mais caros, nem sempre são a primeira opção. Segundo João Renato Rebello Pinho, coordenador médico do Laboratório Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein e membro destes testes são mais diretos e evitam o “falso-positivo” dos testes rápidos (Imunocromotografia), além de não sofrerem reações cruzadas com outros vírus da mesma família.

“Existem exames de RT-PCR que fazem a detecção destes três agentes de uma só vez que podem ser uma boa opção para casos em que não haja nenhuma suspeita epidemiológica, ou seja, não há muitos casos de um mesmo tipo de infecção na região e não fica uma “dica” da possível infecção”, finaliza.

A evolução dos testes laboratoriais

De acordo com o médico Celso Granato, infectologista pela Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) e especialista e membro da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica / Medicina Laboratorial (SBPC/ML), lembra que o Brasil tem sido alvo de uma série adicional de infecções causadas por vírus que são transmitidos pela picada de mosquitos. E faz um alerta:

“É importante que a população afetada saiba que os laboratórios de Patologia Clínica e a indústria do setor possuem hoje uma série de testes capazes de identificar qual vírus está infectando a pessoa e de forma mais rápida. Assim, auxiliam no tratamento dos pacientes, com a escolha certa do tratamento e contribuem para o registro de casos, ampliando -se o conhecimento da epidemiologia das doenças e consequentemente, a melhor forma de prevenção”, pontua.

Em menor ou maior escala estão disponíveis à disposição dos clínicos e da população, os seguintes testes:

– Febre amarela – sorologia (IgG e IgM) e teste molecular (PCR) – está disponível na maior parte das regiões em laboratórios públicos de referência, mas em alguns estados em laboratórios privados;

– Dengue – Teste para antígeno viral NS1 (antes do quinto dia) e sorologia IgG / IgM (após o sexto dia de sintomas). O teste molecular – RT PCR detecta o RNA viral e caracteriza a presença dos quatro tipos do vírus (1, 2, 3 e 4) no período sintomático da infecção até o quinto dia. A detecção do RNA viral geralmente precede à produção de anticorpos específicos, e mesmo à detecção do antígeno NS1.

É o único exame que identifica o vírus e que não sofre alteração caso o paciente tenha tido alguma infecção anterior por outro sorotipo. É importante fazer uma leitura precisa do resultado, já que o RNA viral pode se tornar negativo após alguns dias de sintoma. Portanto, o RT PCR não é em geral o exame de primeira escolha para casos com mais de uma semana de sintomas;

– Chikungunya – O teste molecular RT PCR pode ser realizado a partir do primeiro dia da doença e permanece positivo nos primeiros oito dias da doença. A sorologia IgG/IgM deve ser realizada a partir do quarto dia do início dos sintomas;

– Zika -Teste molecular – em amostras de sangue (primeiro e quinto dia) e urina (primeiro e oitavo dia) do início dos sintomas, após este período por sorologia IgM e IgG.

Com Assessorias 

 

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