Vacina da dengue é segura e causa leves efeitos colaterais

Especialistas esclarecem como o imunizante que começa a ser aplicado pelo SUS age no organismo e quais são os sintomas e efeitos colaterais

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Muitas ainda são as dúvidas em relação à vacina contra a dengue, que começou a chegar à rede pública na última sexta-feira (9), inicialmente apenas para crianças de 10 e 11 anos, estendendo-se posteriormente para o público até 14 anos, que são o público com maior risco de internação e agravamento. Especialistas garantem que o imunizante desenvolvido pelo laboratório japonês Takeda Pharma, se mostrou eficaz e seguro para os quatro sorotipos da doença e pode ser aplicada em pessoas entre 4 e 60 anos.

Segundo o professor Raphael Rangel, pesquisador do núcleo de pesquisa em doenças infecciosas da Unigranrio, a vacina  aprovada pela Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária e incorporada ao PNI (Plano Nacional de Imunização), é segura e tem uma obrigatoriedade para ser cumprida.

“É importante ressaltar que as crianças devem tomar essa vacina. É uma vacina segura. Ela também foi avaliada pela agência de Vigilância Sanitária Europeia. Já foi analisada pela Anvisa, ou seja, ela seguiu todos os critérios de testes e é segura para aplicação”, explica.

Apesar de segura, a vacina tem possíveis efeitos colaterais como inchaço no local de aplicação, vermelhidão ou febre, reações comuns em aplicações de vacinas. “A população não deve ficar com medo de se imunizar. Mas os efeitos colaterais passam de forma bem rápida e são brandos, então não há nenhuma preocupação com relação a isso”, comenta.

vacina contém vírus vivos atenuados da dengue. Por isso, ela induz respostas imunológicas e pode ser utilizada por quem já se infectou pela doença anteriormente de forma segura. Contudo, não podem ser imunizados quem possui alergia a algum dos componentes, quem tenha o sistema imunológico comprometido ou alguma condição imunossupressora, gestantes e lactantes.

“A vacina é feita com vírus atenuado, ou seja, um vírus que teve o potencial de causar a doença adormecido, que está inativado. Ele consegue estimular uma resposta imune sem ser o causador da doença”, esclarece Raphael.

Ainda segundo ele, o sistema farmacêutico brasileiro ainda não pode produzir a vacina no país, uma vez que existe uma detenção de propriedade intelectual, da composição da vacina a IFA (insumo farmacêutico ativo), que pertence a Takeda.

“Caso a farmacêutica faça algum tipo de convênio, como por exemplo a Fiocruz, para que passe para ela a tecnologia dessa vacina, aí sim, nós poderíamos produzir aqui sem nenhum tipo de problema”, explica Raphael.

A Qdenga chegou no Brasil em meados de 2023, primeiramente na rede particular, e muitas pessoas já receberam as duas doses. Agora, a vacina chega ao SUS depois de uma avaliação da Conitec, onde viu que era possível disponibilizar para toda a população brasileira de forma gratuita, através do sistema único de saúde.

Principais dúvidas sobre a nova vacina contra a dengue

A médica Heloisa Ihle Garcia Giamberardino, do Hospital Pequeno Príncipe, maior hospital exclusivamente pediátrico do país, e coordenadora do Centro de Vacinas Pequeno Príncipe, reforça a importância da vacinação contra a dengue para o público e responde as principais dúvidas sobre o imunizante.

– Como é a vacina QDenga?

É uma vacina tetravalente, com o vírus atenuado, ou seja, o vírus é enfraquecido a níveis considerados seguros para aplicação do imunizante. A médica destaca que essa nova vacina tem algumas novidades. “Esse imunizante atual pode ser aplicado tanto em pessoas soropositivas como soronegativas. Ou seja, quem nunca foi acometido pela dengue também poderá ser vacinado”, explica.

– Qual público pode receber a vacina?

Pessoas de 4 a 60 anos de idade, exceto gestantes, puérperas, imunossuprimidas ou que tenham alergia grave a algum dos componentes da vacina.

– Como é o esquema vacinal dessa nova vacina?

Duas doses, por via subcutânea, com o intervalo de três meses entre elas, independentemente de histórico prévio de dengue.

– É necessária alguma dose de reforço?

Até a data da publicação, não existem estudos que recomendem doses de reforço.

– Qual é o nível de proteção?

Após 30 dias da primeira dose, a vacina oferece um nível de proteção de mais de 80%. Porém, para alcançar a proteção de médio a longo prazo, é necessária a aplicação das duas doses.

– Essa vacina protege contra chikungunya, zika e febre amarela?

Não. O imunizante é exclusivo para proteção contra a dengue.

– Quem já recebeu as três doses do imunizante anterior (Denguevaxia) deve vacinar-se novamente?

Até o momento não há indicação para uma nova imunização.

– Por que o público escolhido para a campanha na rede pública foi dos 10 aos 14 anos?

Devido à maior incidência dos casos graves, complicações e até mesmo óbitos, e seguindo a recomendação da OMS.

– Qual é a importância da vacinação, especialmente neste período?

Os meses de janeiro, fevereiro e março são os de maior circulação do vírus da dengue e do mosquito transmissor. Por isso, a vacinação é ainda mais essencial nesse período crítico.

Sobre a dengue

A crise climática é apontada como uma das causas do aumento da dengue no Brasil. Isso porque o mosquito transmissor (Aedes aegypti) se reproduz em regiões quentes e com água parada. Por isso, a especialista reforça que o principal cuidado é com a higienização dos ambientes, sem o acúmulo de lixo e água parada.

Após a picada, pode levar até 15 dias para a pessoa começar a desenvolver os sintomas. Entre os sinais de alerta da dengue, destaque para a febre alta que dura de três a sete dias, associada a dor de cabeça, dor nos olhos, fraqueza muscular e dor nas articulações. O sangramento (na gengiva, na pele, na evacuação ou no vômito) indica a dengue hemorrágica, que exige um atendimento emergencial.

O diagnóstico médico é feito por meio de análise clínica, epidemiológica e exames laboratoriais. Já o tratamento é fundamental para evitar manifestações mais graves. Nos casos mais leves, é recomendado repouso, hidratação e controle dos sinais clínicos. Já em situações mais graves, pode ser necessário o internamento para hidratação intravenosa e até mesmo suporte intensivo.

Com Assessorias

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