Uma série de atividades em diferentes cidades brasileiras marcou uma mobilização nacional voltada para conscientizar a população sobre a fibromialgia e cobrar ações efetivas do Estado. O principal objetivo do movimento é garantir o cumprimento de direitos e o acesso ao tratamento adequado por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente em um cenário onde a falta de dados oficiais e o excesso de burocracia ainda limitam o amparo aos pacientes.

Em Brasília, as ações ocorreram no Parque da Cidade, oferecendo sessões de acupuntura, liberação miofascial, orientações de fisioterapia, suporte psicológico e rodas de conversa. A servidora pública Ana Dantas (foto abaixo), de 45 anos, que descobriu a síndrome há pouco mais de um ano, foi uma das organizadoras e destacou a principal barreira enfrentada por quem convive com a condição:

É uma doença que não é visível, ela existe no nosso corpo, mas ninguém vê. A nossa mobilização é no intuito de buscar políticas públicas, adequar a demanda da comunidade fibromiálgica no SUS.”

O desafio do diagnóstico e os direitos por lei

A fibromialgia é uma síndrome crônica caracterizada por dores musculares e articulares difusas em várias partes do corpo. Embora não provoque inflamações visíveis ou deformações físicas, ela compromete severamente a rotina e o desenvolvimento profissional.

No Brasil, a legislação avançou com uma lei federal sancionada em 2023, que estabelece diretrizes para o atendimento multidisciplinar no SUS, além de incentivar a capacitação de profissionais e a divulgação de informações. Juridicamente, o enquadramento garante acesso aos mesmos direitos de uma Pessoa com Deficiência (PcD), permitindo pleitear:

  • Auxílio por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença);

  • Aposentadoria por invalidez;

  • Benefício de Prestação Continuada (BPC).

Contudo, para obter esses direitos, o paciente precisa passar por uma rigorosa avaliação biopsicossocial. Na prática, a aplicação da lei enfrenta gargalos. “Apesar da lei, o acesso a benefícios e direitos ainda é muito burocrático. E muitos profissionais ainda não sabem inclusive dessa lei e como abordar o problema. A lei precisa pegar de verdade”, alerta a enfermeira Flávia Lacerda (foto abaixo), que atua no suporte a pacientes.

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Sintomas, causas e o impacto na saúde mental

A síndrome afeta majoritariamente mulheres entre 30 e 60 anos, embora possa surgir em qualquer idade e gênero. Cientificamente, a fibromialgia está associada a alterações no funcionamento do sistema nervoso central, que amplifica a percepção da dor. O surgimento pode ser desencadeado por fatores como estresse prolongado, traumas físicos ou emocionais, ansiedade, depressão e predisposição genética.

Principais sintomas:

  • Dores persistentes por mais de três meses e sensibilidade ao toque;

  • Fadiga crônica e sono não reparador;

  • Rigidez muscular;

  • “Névoa mental” (dificuldades de memória, atenção e esquecimentos frequentes);

  • Sintomas secundários, como dores de cabeça e síndrome do intestino irritável.

O diagnóstico é estritamente clínico, feito por exclusão de outras patologias, já que não existem exames laboratoriais ou de imagem que comprovem a síndrome.

Por conta das limitações físicas e cognitivas, o impacto psicológico costuma ser profundo. “Nesse processo de abordagem da doença, a gente desenvolve a consciência, é o que a gente chama de psicoeducação, sobre tudo o que envolve essa condição, as limitações. Porque afeta a autoestima de muitas mulheres, justamente porque elas ficam muito limitadas, então é muito importante saber como lidar e receber acolhimento”, explica a psicóloga Mariana Avelar.

Como funciona o tratamento?

Embora a fibromialgia não tenha uma cura definitiva, o controle eficaz dos sintomas é possível, devolvendo a qualidade de vida ao paciente. O tratamento ideal é multidisciplinar e combina diferentes frentes:

Frente de Tratamento Principais Intervenções
Medicamentosa Controle da dor, melhora do padrão do sono e tratamento de quadros associados de ansiedade e depressão.
Física (Fundamental) Prática regular de exercícios aeróbicos e de baixo impacto, como caminhadas, hidroginástica e alongamentos.
Terapêutica Acompanhamento psicológico (psicoeducação), fisioterapia e técnicas de relaxamento para manejo do estresse.

Com informações da Agência Brasil

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