Febre maculosa: Estado do Rio já registra 8 casos, sendo 2 mortes

Vítimas fatais são de Itaperuna, Noroeste Fluminense. Ano passado houve 12 mortes no estado pela doença. SP tem 19 casos e 9 óbitos este ano

Ao picar seres humanos, carrapato-estrela transmite bactéria que causa a febre maculosa (Foto: Reprodução de internet)
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Duas pessoas morreram este ano em Itaperuna, Noroeste Fluminense, em decorrência da Febre Maculosa brasileira (FMB), uma doença infecciosa causada pelo carrapato-estrela que tem alto índice de letalidade – cerca de 40% das vítimas contaminadas evoluem para óbito. As duas mortes – ocorridas nos meses de março e maio – são as primeiras registradas pela doença este ano no Estado do Rio de Janeiro.

De  janeiro a 14 de junho deste ano foram registrados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) 40 casos suspeitos de febre maculosa. Desses, oito foram confirmados e dois acabaram morrendo. Os dados foram informados nesta sexta-feira (19) pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ), que não detalhou os casos. Nomes e idades das vítimas não foram divulgados, bem como o histórico de contaminação pela doença.

Nesta segunda (19), a SES-RJ informou, por meio da Subsecretaria de Vigilância e Atenção Primária à Saúde (SVAPS), que dos oito casos confirmados este ano, três ocorreram no município de Itaperuna, incluindo os dois óbitos.

Os outros cinco casos aconteceram em Nova Iguaçu (2); na Baixada Fluminense; Angra dos Reis (1), na Costa Verde; Itaocara (1) e Natividade (1), ambas no Noroeste. Segundo a pasta, apenas as secretarias municipais de Saúde de cada cidade podem prestar outras informações sobre os pacientes.

Casos são de notificação obrigatória desde 2020

Desde 2020, todo caso de febre maculosa é de notificação obrigatória às autoridades locais de saúde. Deve-se iniciar a investigação epidemiológica em até 48 horas após a notificação, avaliando a necessidade de adoção de medidas de controle pertinentes.

Em 2022 foram confirmados 33 casos de febre maculosa no Estado do Rio de Janeiro, 12 deles resultaram em mortes. Em 2021, foram 21 casos e nove mortes; e no anterior (2021), foram 11 casos e duas mortes.

Predominantemente rural, a região Noroeste do estado é uma área endêmica para a febre maculosa. Em setembro de 2022, a SES-RJ sinalizava a ocorrência de cinco casos: três em Itaperuna e os outros dois nas cidades vizinhas de Porciúncula e Natividade. Este último caso evoluiu para óbito. A doença. no entanto, pode ocorrer em todo o Estado do Rio de Janeiro.

“É importante que as pessoas tomem alguns cuidados caso residam ou visitem áreas endêmicas, como as regiões Serrana, Noroeste e parte do Norte no estado do Rio de Janeiro. Para quem está nessas localidades, recomendamos que  evitem caminhar em áreas conhecidamente infestadas por carrapatos, orienta Mario Sérgio Ribeiro, superintendente de Vigilância Epidemiológica da SES-RJ.

Segundo ele, pessoas que circulam nessas áreas devem optar por roupas claras. “A tonalidade da roupa facilita a identificação da presença do carrapato para que possa ser retirado”, ressalta (veja mais recomendações abaixo).

SP tem 19 casos e nove mortes este ano

A Febre Maculosa brasileira (FMB) vem assustando o país após um surto identificado em São Paulo. O Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo confirmou nesta sexta-feira (16) dois novos casos de febre maculosa. Com isso, o estado registra 19 casos da doença em 2023, com nove óbitos.

Um dos novos diagnósticos se refere a uma mulher de 38 anos que esteve recentemente na Fazenda Santa Margarida, região rural de Campinas (SP), onde foi detectado um surto de febre maculosa que já levou à morte quatro pessoas que estiveram no local. Essa paciente, segundo a Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, está internada na cidade de Campinas.

Outro caso se refere a uma moradora da cidade de Americana, de 58 anos, que faleceu no dia 8 de junho e que não tinha relação com o surto que foi identificado na Fazenda Santa Margarida. A Secretaria informou que está investigando o provável local dessa infecção.

Além da fazenda, as regiões com maior frequência de casos são as de Campinas, Piracicaba, Assis e Sorocaba. Em 2022, foram registrados 63 casos, com 44 óbitos confirmados. Já em 2021, foram 87 casos e 48 óbitos.

Segundo a pasta, a temporada de maior atenção vai até novembro, período em que a infestação ambiental por ninfas de carrapato-estrela é alta – o ciclo de vida do carrapato inclui as seguintes fases: ovo – larva – ninfa e adulto.

“Ao se aventurar em regiões de mata e cachoeira, é importante estar ciente que estamos no período de reprodução do carrapato estrela, ocorrendo o risco de transmissão da Febre Maculosa através de sua picada. Caso em até 15 dias após este deslocamento, você apresente sintomas deve procurar atendimento médico o mais rápido possível”, afirma Tatiana Lang, Diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo.

Fazenda em SP apresenta plano para reduzir riscos de transmissão

A pasta alerta para que as pessoas que estiveram na Fazenda Santa Margarida, no período de 27 de maio a 11 de junho, e apresentarem febre e dor pelo corpo, dor cabeça ou manchas avermelhadas pelo corpo, procurem atendimento médico imediatamente e informe ao médico que esteve na região. “É importante que todos que frequentaram a Fazenda fiquem atentos aos sintomas e comuniquem ao serviço médico. Essas informações são fundamentais para fazer um tratamento precoce e evitar o agravamento da doença”, alertou a pasta.

Por nota à imprensa, a Fazenda Santa Margarida disse lamentar profundamente os casos de febre maculosa que foram transmitidos em sua sede e que se solidariza com a dor e o sentimento dos familiares e amigos de vítimas dessa doença. A fazenda afirma que realiza eventos há mais de 20 anos no mesmo lugar e nunca houve qualquer relato de casos ou de suspeita de febre maculosa entre visitantes, colaboradores e terceirizados. O empreendimento informou ter elaborado um plano para evitar a transmissão da doença.

“Hoje (16/6), a Fazenda Santa Margarida protocolou na Prefeitura Municipal de Campinas o Plano de Ação de Contingenciamento Ambiental e de Comunicação para Mitigação de Riscos de Parasitismo e Transmissão de FMB [febre maculosa brasileira]. Tão logo a prefeitura aprove as ações, a Fazenda Santa Margarida fará a divulgação dos principais pontos do documento. Este plano foi elaborado com o objetivo de atender às exigências do parecer técnico bem como de estabelecer diretrizes e medidas preventivas eficazes para garantir a segurança dos participantes, equipe e visitantes em eventos realizados na Fazenda Santa Margarida”, diz a nota.

Alerta para período de maior risco de transmissão

No Rio de Janeiro, a Secretaria de Estado de Saúde alertou que, durante os meses de maior risco de transmissão da febre maculosa, entre junho e setembro, a Subsecretaria de Vigilância e Atenção Primária à Saúde (SVAPS) tem reforçado as orientações aos 92 municípios sobre os riscos da doença.

Equipes da SES-RJ têm solicitado a identificação dos locais prováveis de infecção e a realização de buscas no ambiente pelos vetores da doença. Foram realizadas reuniões com as secretarias municipais de Saúde para orientar os técnicos das vigilâncias epidemiológica e ambiental, atenção primária à saúde, médicos e enfermeiros da assistência, sobre notificação, investigação de casos e de ambientes, diagnóstico e tratamento da febre maculosa.

As recomendações não se limitam às secretarias municipais de saúde e se estendem à população em geral. Para evitar um surto, a SES-RJ emite alertas às pessoas em trânsito (viagem), notadamente os adeptos de ecoturismo e do turismo rural.

Com informações da SES-RJ, Governo de SP e Agência Brasil

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