Neste domingo, 26 de abril, celebra-se o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial. Caracterizada por níveis elevados de pressão sanguínea nas artérias, a hipertensão é uma doença crônica que sobrecarrega o coração, exigindo um esforço maior para distribuir o sangue pelo corpo.
A data serve como um alerta crucial para para uma das doenças crônicas mais comuns e silenciosas entre os brasileiros. Conhecida por evoluir sem sintomas aparentes, a hipertensão é uma condição que, se não tratada, pode causar danos irreversíveis e letais. A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta como crescente não apenas em idosos, mas também em adolescentes e crianças.
No Brasil, o cenário é alarmante: 388 pessoas morrem por dia devido à hipertensão. Dados do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) mostram que 25,8% dos beneficiários de planos de saúde no país convivem com a patologia — cerca de 3,9 milhões de pessoas.
De acordo com dados do Ministério da Saúde, a hipertensão é um dos principais fatores de risco para complicações graves, como acidente vascular cerebral (AVC), infarto, aneurismas e insuficiência renal. Embora 90% dos casos sejam herdados geneticamente, o estilo de vida desempenha um papel determinante no agravamento da condição.
Novos parâmetros: o que é considerado pressão normal?
A detecção precoce é a única forma de evitar o impacto cumulativo da pressão alta. Desde o final do ano passado, as diretrizes brasileiras de manejo da pressão arterial, estabelecidas pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), tornaram-se mais rigorosas. A tradicional aferição de 12 por 8 não é mais classificada como “normal”, mas sim como um indicador de pré-hipertensão.
Para ser considerada normal, a pressão deve ser inferior a 12 por 8. Valores iguais ou superiores a 14 por 9 confirmam o quadro de hipertensão em seus diferentes estágios. Essa mudança visa permitir intervenções proativas — muitas vezes sem uso de medicamentos inicialmente — para evitar que o paciente progrida para quadros mais severos.
Sintomas e fatores de risco
A hipertensão é frequentemente chamada de “assassina silenciosa” porque os sintomas costumam aparecer apenas quando os níveis estão perigosamente altos. Nestes casos, o paciente pode apresentar:
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Dores no peito e de cabeça;
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Tonturas e fraqueza;
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Zumbido no ouvido e visão embaçada;
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Sangramento nasal.
Os principais fatores que influenciam a pressão arterial incluem o tabagismo, o consumo excessivo de álcool, a obesidade, o estresse, o sedentarismo e o alto consumo de sal e gorduras.
Diagnóstico, tratamento e o papel do SUS
O diagnóstico só é possível por meio da medição regular. O Ministério da Saúde recomenda que adultos acima de 20 anos meçam a pressão ao menos uma vez ao ano — ou duas vezes, caso haja histórico familiar.
Para um diagnóstico preciso, especialmente após os 40 anos ou para quem tem histórico familiar, são recomendados:
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Monitoramento: Aferição regular e o exame MAPA (monitoramento 24h).
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Laboratoriais: Glicemia de jejum, hemograma, colesterol, triglicerídeos, creatinina, ureia, sódio e potássio.
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Cardiológicos: Eletrocardiograma (ECG), ecocardiograma e teste ergométrico.
Tratamento gratuito pelo SUS
Embora não tenha cura, a hipertensão tem controle. O tratamento pode ser medicamentoso, sob prescrição adequada, ou não medicamentoso, focado no estilo de vida.
O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento gratuito por meio das Unidades Básicas de Saúde (UBS) e do programa Farmácia Popular. Para retirar a medicação, o cidadão deve apresentar documento com foto, CPF e receita médica válida (seja da rede pública ou privada).
O combate à hipertensão passa obrigatoriamente pela adoção de um estilo de vida saudável. Manter o peso adequado, reduzir o uso de sal, praticar atividades físicas regularmente e abandonar o tabagismo são passos essenciais. Além disso, o controle de outras doenças crônicas, como o diabetes, é fundamental para reduzir a carga sobre o sistema circulatório.
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Redução de Sal: Limite de 5g por dia (evite ultraprocessados e embutidos).
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Movimento: Prática regular de exercícios (30 min/dia, 5x por semana).
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Peso e estresse: Manutenção do peso saudável e manejo do estresse psicoemocional.
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Cessação de vícios: Abandono do fumo e moderação no álcool.
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O desafio da adesão: por que é difícil tratar o que não dói?
Um dos maiores desafios da prática clínica é a adesão ao tratamento. Por ser majoritariamente assintomática, muitos pacientes não percebem o risco real, o que leva à interrupção da medicação ou ao abandono das mudanças de hábito. Entre os principais obstáculos para o controle da doença, destacam-se:
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Efeitos colaterais: Alguns medicamentos podem causar tontura ou fraqueza inicial, levando o paciente a parar o uso sem consultar o médico.
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Condições socioeconômicas: A dificuldade de acesso a consultas e a exames impacta diretamente as populações de menor renda.
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Adaptação alimentar: A transição para uma dieta hipossódica (baixo sódio) é desafiadora, especialmente quando os familiares não acompanham a nova rotina.
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Desinformação: A falta de compreensão sobre o caráter crônico da doença faz com que muitos acreditem que o tratamento pode ser interrompido após a pressão “normalizar”.
O tripé do controle: Medicamentos, hábitos e Saúde Única
É importante ressaltar que a saúde humana está intrinsecamente ligada ao ambiente e ao bem-estar animal. O monitoramento de zoonoses e o impacto das crises climáticas no acesso a alimentos frescos e ambientes propícios para atividades físicas reforçam a necessidade de um olhar atento à saúde global para a prevenção de doenças crônicas.
Dentro do conceito de Saúde Única (One Health), adotado pelo portal Vida e Ação, a prevenção da hipertensão também reflete a relação entre o indivíduo e seu meio. O acesso a ambientes seguros para exercícios e a segurança alimentar são pilares fundamentais. Prevenir a hipertensão não é apenas controlar um número no aparelho de pressão, mas preservar a saúde humana, animal e ambiental de forma integrada
Fonte: Agência Brasil




