Adeus, canetas emagrecedoras! Uma nova era no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2 acaba de ganhar um capítulo decisivo.O Food and Drug Administration (FDA), agência regulatória dos Estados Unidos, aprovou o uso da orforgliprona (nome comercial Foundayo). A nova versão em comprimido surge como alternativa para quem não se adapta às injeções.
Trata-se do primeiro comprimido oral de dose única diária com esta finalidade que não exige jejum ou restrições de horário para sua administração. Diferentemente da semaglutida oral já existente no mercado (Rybelsus, produzido pela Novo Nordisk), que exige um rigoroso protocolo de jejum antes e depois da ingestão, a orforgliprona não tem essa exigência.
Desenvolvido pela Eli Lilly, a mesma farmacêutica responsável pelo Mounjaro (tirzepatida), o medicamento pertence à classe dos agonistas do receptor de GLP-1 – ,sigla em inglês para glucagon-like peptide-1, hormônio que regula a glicose e o apetite e que já está presente em medicamentos como Ozempic e Mounjaro.
O fármaco é feito com orforgliprona, princípio ativo que atua no organismo imitando hormônios naturais do intestino ligados ao controle da fome, saciedade e peso, auxiliando na perda de até 15% do peso corporal em 72 semanas.
Embora já comercializado nos EUA, com custo mensal inicial inferior a outros agonistas injetáveis (cerca de US$ 149/mês), a orforgliprona ainda não tem previsão de lançamento no Brasil, que aguarda a submissão e análise da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para comercialização. A expectativa é que o processo regulatório avance ao longo de 2026.
Após a consolidação das chamadas “canetas emagrecedoras”, a estreia do novo medicamento oral nos Estados Unidos amplia as alternativas disponíveis e pode favorecer a adesão dos pacientes às terapias. Indicada para uso combinado com uma dieta de baixa caloria e aumento da atividade física, a medicação promete estimular a queima de gordura e tratar a obesidade. A farmacêutica projeta uma expansão global a partir de 2027.
Eficácia superior em comprimido
Os resultados dos estudos clínicos de fase 3 impressionam a comunidade médica. Em pacientes com sobrepeso e obesidade, o fármaco demonstrou uma redução de 12% a 15% do peso corporal em 72 semanas.
Para a endocrinologista Maria Edna de Melo, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo (SBEM–SP), , o novo medicamento pode representar uma mudança importante no acesso ao tratamento antiobesidade.
Ela explica que a orforgliprona é um agonista do GLP-1, mas com uma diferença importante: trata-se de um agonista não peptídico, o que evita a degradação pelo ácido gástrico e permite uma absorção mais simples e eficiente.
Isso faz com que a medicação possa ser tomada por via oral sem a necessidade de jejum, ao contrário da semaglutida oral, que exige restrições para garantir sua absorção”, explica.
Para a endocrinologista Lorena Lima Amato, a praticidade é um dos maiores diferenciais:
Uma das principais vantagens é a flexibilidade: ele pode ser tomado a qualquer hora do dia, sem necessidade de jejum. Além disso, apresentou maior potência na perda de peso, ampliando as possibilidades para quem precisa controlar a obesidade ou o diabetes tipo 2.“
As vantagens da nova medicação
Diferente de outros GLP-1 orais (como Rybelsus), não requer restrição de água ou jejum no momento da ingestão. Outra vantagem é que o comprimido de uso diário facilita a adesão em comparação com injeções (Mounjaro/Zepbound).
Manutenção do peso e transição de tratamentos
Um dos maiores desafios de quem trata a obesidade — considerada uma doença crônica e recidivante — é manter os resultados. O estudo ATTAIN-MAINTAIN revelou que a orforgliprona é eficaz para pacientes que desejam migrar das terapias injetáveis (como Ozempic ou Mounjaro) para o comprimido, mantendo a perda de peso já conquistada.
No caso do diabetes tipo 2, o estudo ACHIEVE-3 mostrou que a orforgliprona superou a semaglutida oral em doses comparativas, ajudando quase três vezes mais pacientes a atingirem níveis de açúcar no sangue próximos à normalidade.
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Estudo mostra que orforgliprona é mais eficaz que semaglutida oral
Um ensaio clínico de Fase 3, realizado ao longo de 52 semanas, avaliou a eficácia e a segurança da orforgliprona em comparação com a semaglutida oral no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade.
O estudo comparou diferentes doses dos medicamentos (12 mg e 36 mg de orforgliprona; 7 mg e 14 mg de semaglutida oral) e demonstrou que a orforgliprona proporcionou resultados superiores tanto no controle glicêmico quanto na redução do peso corporal.
Os resultados mostraram que pacientes tratados com orforgliprona perderam, em média, 6,7% do peso corporal na dose de 12 mg e 9,2% na dose de 36 mg, contra 3,7% e 5,3% entre aqueles que receberam semaglutida oral. Isso representa uma perda de peso relativa até 73,6% maior.
Além disso, a orforgliprona apresentou benefícios adicionais em fatores de risco cardiovascular, como redução do colesterol não-HDL, da pressão arterial sistólica e dos triglicerídeos, além de uma queda significativa da hemoglobina glicada, próxima a dois pontos percentuais.
Foundayo ou Rybelsus, qual é melhor?
No especial PESO SAUDÁVEL, comparamos as duas principais opções de medicamentos orais da classe dos agonistas de GLP-1: o recém-aprovado Foundayo (orforgliprona) e o já conhecido Rybelsus (semaglutida).
Embora ambos atuem no controle do apetite e da glicose, as diferenças entre as moléculas da Eli Lilly e da Novo Nordisk são significativas para o cotidiano do paciente. Confira os principais pontos:
O que muda na prática?
| Característica | Foundayo (Orforgliprona) | Rybelsus (Semaglutida) |
| Fabricante | Eli Lilly | Novo Nordisk |
| Exigência de Jejum | Nenhuma. Pode ser tomado a qualquer hora, com ou sem comida. | Rigorosa. Deve ser tomado em jejum, pelo menos 30 min antes da primeira refeição ou de outros remédios. |
| Ingestão de Água | Sem restrições. | Máximo de 120ml de água no momento da toma. |
| Potência de Peso | Estudos mostram perda de até 15% do peso corporal. | Perda de peso mais moderada na versão oral (em torno de 5% a 10%). |
| Indicação Principal | Obesidade e Diabetes Tipo 2. | Diabetes tipo 2 (uso para obesidade é off-label no Brasil). |
| Status no Brasil | Aguarda submissão/aprovação da Anvisa. | Disponível nas farmácias brasileiras. |
Flexibilidade e conveniência
A principal vantagem apontada por especialistas para o Foundayo é a libertação das regras de ingestão. Enquanto o Rybelsus exige que o paciente espere meia hora para tomar café da manhã ou qualquer outro medicamento — sob risco de o comprimido não ser absorvido —, o novo fármaco da Lilly oferece uma “flexibilidade de uso” inédita, como explica a Dra. Lorena Lima Amato.
Eficácia nos resultados
Nos estudos clínicos head-to-head (confronto direto), a orforgliprona demonstrou superioridade. Na dose mais alta, o Foundayo ajudou quase três vezes mais participantes a atingirem níveis normais de açúcar no sangue e promoveu uma perda de peso relativa 73% maior do que a dose máxima da semaglutida oral.
Efeitos colaterais
Ambos apresentam perfis de segurança semelhantes. Os efeitos adversos mais comuns observados no estudo foram semelhantes aos de outros análogos de GLP-1, como náuseas e alterações gastrointestinais, que costumam ser leves a moderados e diminuem com o tempo de tratamento
Pílula marca nova fase no tratamento, mas exige cautela, alerta especialista
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Para o médico clínico geral Marcelo Bechara, especialista em Hormonologia com foco em obesidade e Longevidade, a chegada da pílula deve ser recebida com atenção pelo público.
O que muda com esta novidade é que ele pode ser ingerido com ou sem alimentos, a qualquer hora do dia e diariamente. No entanto, o que as pessoas não podem esquecer é de fazer o acompanhamento médico, independentemente do método de emagrecimento”, afirma.
De acordo com Bechara, o tratamento com medicamentos orais tende a ter melhor adesão, já que, no geral, os pacientes têm mais facilidade em tomar comprimidos no dia a dia. Ainda assim, os possíveis efeitos colaterais continuam pesando na hora da escolha.
Entre os efeitos colaterais do remédio estão náuseas, constipação, vômitos, dor de cabeça e queda de cabelo. A bula também contém advertências e precauções para inflamação do pâncreas (pancreatite), reações gastrointestinais graves, hipoglicemia e um alerta em destaque para tumores de células C da tireoide.
Os injetáveis ainda apresentam resultados mais expressivos na perda de peso, mas a tendência é que as versões orais ganhem espaço nos próximos anos por serem mais práticas. Não é exatamente uma substituição, e sim uma mudança na forma de tratar a obesidade, tornando o cuidado mais acessível e mais compatível com a rotina dos pacientes”, finaliza o médico.
Medicamento não é ‘solução mágica’
Apesar do entusiasmo, especialistas reforçam que o medicamento não é uma “solução mágica”. Conforme as recomendações dos especialistas, o acompanhamento médico é indispensável.
O formato oral traz conveniência e amplia o acesso, mas não é uma solução simples ou universal. Exige critério e acompanhamento médico para preservar a saúde metabólica”, afirma a endocrinologista Alessandra Rascovski.
A especialista reforça que, independentemente da escolha entre o comprimido A ou B, o foco não deve ser apenas o número na balança. O tratamento da obesidade deve ser visto como uma estratégia de longo prazo. “Não se trata apenas de perder peso, mas de preservar a saúde metabólica. Essas medicações não substituem ajuste nutricional e atividade física.”
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Com Assessorias






