A malária continua sendo um dos principais desafios de saúde pública em países tropicais como o Brasil. Transmitida pela picada da fêmea do mosquito Anopheles, conhecido popularmente como mosquito-prego, a doença ainda apresenta alta incidência na região amazônica. Embora os registros oficiais indiquem uma redução gradual no número de casos clínicos, um novo cenário tem dificultado os esforços de erradicação: as infecções assintomáticas.

Pesquisas realizadas na Amazônia Ocidental mostram que, em áreas de menor transmissão, a maioria das pessoas infectadas não apresenta sintomas típicos, como febre e calafrios. Em Mâncio Lima, no Acre, um estudo da Universidade de São Paulo (USP) que acompanhou 2.700 moradores revelou que mais de 90% das infecções ocorreram de forma silenciosa, passando despercebidas pelos métodos convencionais.

Segundo Adriana Vega, gerente Life Sciences da QIAGEN na América Latina, esse fenômeno é um obstáculo direto para a erradicação. “Quando a infecção não dá sinais, o portador continua servindo de fonte para novos mosquitos, que por sua vez mantêm a circulação do parasita na comunidade”, afirma.

Queda de 80% nos óbitos na Terra Yanomami

O Dia Mundial de Luta contra a Malária (25 de abril) reforça a importância da conscientização sobre a doença, que segue negligenciada. No Brasil, a meta nacional é erradicar a doença até 2035.

O Ministério da Saúde registrou avanços significativos na Terra Indígena Yanomami. Em 2025, houve uma redução de 80,8% nos óbitos por malária em comparação a 2023. O fortalecimento da atenção à saúde incluiu a ampliação da testagem, que saltou de 144 mil para mais de 2,5 milhões de exames no período.

Além da malária, o informe do Centro de Operações de Emergências (COE) Yanomami aponta melhora nos índices de nutrição infantil. A letalidade por infecções respiratórias agudas também caiu 76%, refletindo o aumento no atendimento e na presença de profissionais de saúde no território.

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Orientações para viajantes e prevenção

A malária também exige atenção de quem viaja para regiões endêmicas, como o continente africano ou áreas específicas da Amazônia. O infectologista Evaldo Stanislau, professor na Universidade São Judas / Inspirali, alerta que o tipo falciparum preocupa pelo risco de formas graves e letais.

Para quem pretende viajar, as recomendações incluem:

  • Consulta médica prévia: Informar-se sobre o tipo de malária no destino.

  • Barreiras físicas: Uso de roupas adequadas, telas protetoras e repelentes.

  • Quimioprofilaxia: Uso de medicamentos preventivos antes, durante e após a viagem, conforme orientação médica.

É imprescindível procurar uma unidade de saúde assim que surgirem os primeiros sintomas”, reforça Evaldo Stanislau. O tratamento precoce é decisivo para a recuperação plena do paciente.

Tecnologia a favor da erradicação

A análise microscópica, padrão no Brasil, tem limitações para identificar baixas cargas parasitárias. Nesse contexto, técnicas moleculares como a PCR (Reação em Cadeia da Polimerase) tornam-se fundamentais, pois detectam até dez vezes mais infecções que a microscopia tradicional.

Novas tecnologias simplificam esse processo em estudos epidemiológicos, permitindo o uso de amostras de sangue seco e reduzindo custos. “O diagnóstico precoce e o uso de dados moleculares para ações de bloqueio em áreas de risco são as chaves para evitar surtos e a reintrodução do parasita em locais controlados”, diz Adriana.

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Com informações de Assessorias

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