Em questão de poucos minutos, Fabiano Viana, de 31 anos, descartou a presença de fibrose, após descobrir que tinha gordura no fígado em exames de rotina. Ele foi uma das 183 pessoas beneficiadas por um mutirão realizado neste sábado(25), no Rio de Janeiro, para acelerar a fila de espera por um exame moderno e mais eficaz, a elastografia hepática. “O resultado saiu em minutos”, relatou o morador de São Francisco do Itabapoana, no litoral Norte Fluminense.

A agilidade do diagnóstico trouxe alívio para pacientes como Edna Conceição de Souza, de 68 anos, que convive com as sequelas de uma hepatite B, que resultou no início de uma cirrose hepática. Moradora de Saquarema, ela precisava fazer o exame para aferir a rigidez do órgão.

Já na próxima quarta-feira tenho consulta marcada com a minha médica e vou levar o laudo. Pode ser que agora tenha que mudar alguns hábitos, melhorar a dieta, caminhar, dar atenção a tudo isso”, contou Edna, destacando a importância da mudança de estilo de vida no tratamento das patologias do fígado.

A mobilização focada na saúde do fígado foi realizada no Rio Imagem Centro pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ), em parceria com o Grupo de Fígado RJ. A ação faz parte das atividades em alusão ao Dia Mundial do Fígado (19 de abril) e teve como público-alvo pacientes pré-agendados pelo Complexo Estadual de Regulação (CER).

De acordo com a SES-RJ, o procedimento é fundamental para identificar precocemente o comprometimento do órgão e reduzir as filas de espera no estado. Além dos exames, os pacientes receberam orientações médicas sobre a importância de hábitos saudáveis e o rastreio de patologias como as hepatites virais e a esteatose metabólica.

Como funciona a elastografia hepática?

Muitas vezes descrita como uma evolução do ultrassom, a elastografia hepática é um exame indolor, não invasivo e que não utiliza radiação. A técnica utiliza ondas sonoras para medir a “elasticidade” do tecido hepático.

  • O princípio da rigidez: Fígados saudáveis são flexíveis. Quando o órgão sofre agressões constantes — seja por vírus, álcool ou acúmulo de gordura —, ele desenvolve cicatrizes (fibrose). Quanto mais cicatrizes, mais rígido o fígado se torna.

  • A escala de fibrose: O exame classifica o comprometimento em estágios que vão de F0 (ausência de fibrose) a F4 (cirrose).

  • Vantagem clínica: Diferente da biópsia tradicional, a elastografia fornece o resultado em poucos minutos, permitindo que o médico ajuste o tratamento ou a dieta do paciente de forma imediata.

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Contexto das doenças hepáticas

O cuidado com o fígado está intrinsecamente ligado ao conceito de Saúde Única (One Health). Este princípio reconhece que a saúde humana é indissociável da saúde animal e ambiental. No caso das doenças hepáticas, essa integração é evidente:

  1. Zoonoses e Hepatites: Algumas formas de hepatites virais e infecções parasitárias que afetam o fígado têm ciclos que envolvem animais e o saneamento ambiental.

  2. Crise vlimática e alimentação: O aumento de alimentos ultraprocessados e mudanças nos ecossistemas influenciam diretamente a prevalência da doença hepática metabólica (gordura no fígado), hoje uma das principais causas de transplantes no mundo.

  3. Ambiente urbano: O acesso a espaços para atividades físicas e a regulação de poluentes ambientais são determinantes para evitar doenças crônicas que sobrecarregam o metabolismo hepático.

Para mais informações sobre campanhas de saúde e alertas epidemiológicos, a população deve acompanhar os canais oficiais da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) e as atualizações da Anvisa.

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