Caracterizado pelo acúmulo desproporcional de gordura — sobretudo nas pernas, quadris e, em alguns casos, braços —, o lipedema costuma ser confundido com obesidade, retenção de líquido ou até mesmo falta de disciplina com a alimentação e atividade física. Essa doença crônica e progressiva que afeta principalmente mulheres – estima-se que 20 milhões de brasileiras sofram com isso – ainda é amplamente subdiagnosticada em todo o mundo.

Por isso, nos últimos anos, vem ganhando cada vez mais destaque e visibilidade e ganhou até mesmo uma data no calendário de saúde. O dia 11 de junho marca o Dia Mundial de Combate ao Lipedema, ponto alto no brasil da campanha Junho Roxo, que marca o mês de conscientização sobre essa condição.

De acordo com o cirurgião vascular Mauro Figueiredo Carvalho de Andrade, integrante da Comissão de Doenças Linfáticas da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular – Regional São Paulo (SBACV-SP), o desconhecimento faz com que muitas mulheres convivam por anos com sintomas sem o tratamento adequado.

Em geral, são vários anos de avaliações médicas sem um diagnóstico correto. Não é infrequente as pacientes relatarem mais de dez anos de consultas”, afirma o médico.

Muito além da estética: dor e impacto funcional

Embora o aspecto físico seja o sinal mais perceptível, o distúrbio vai muito além da aparência. O lipedema provoca dor ao toque (decorrente de um processo inflamatório nos tecidos), sensação constante de peso nas pernas e hematomas recorrentes após mínimos traumas.

Com o avanço do quadro, a mobilidade e a capacidade funcional ficam gravemente comprometidas. Mesmo pacientes com Índice de Massa Corporal (IMC) semelhante ao de mulheres obesas apresentam maior dificuldade para caminhar e realizar tarefas cotidianas. Em estágios avançados, a limitação física favorece a perda muscular, dores articulares e desgaste precoce dos joelhos.

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Hormônios e genética

A condição tem forte influência hormonal e genética. Os sintomas costumam surgir ou piorar durante fases de grandes transições hormonais, como a puberdade, gravidez e menopausa. Cerca de dois terços das pacientes relatam histórico familiar da doença.

Diferente da obesidade tradicional, onde a gordura tende a se concentrar na região abdominal, no lipedema o acúmulo ocorre predominantemente nos membros inferiores e quadris. Apesar disso, o excesso de peso agrava o quadro, e a perda de peso ajuda a reduzir o processo inflamatório.

O tratamento do lipedema exige um olhar integral. Práticas de exercícios de baixo impacto (como caminhada, fortalecimento muscular e atividades na água) associadas a estratégias alimentares anti-inflamatórias são fundamentais. A cirurgia plástica surge como uma opção integrativa, mas nunca isolada.

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Agenda Positiva – Junho Roxo

Para dar visibilidade à causa e oferecer acolhimento, o mês de junho conta com uma intensa agenda de eventos focados na saúde da mulher.

BAPS Lipedema Day: ações em 19 cidades

No dia 13 de junho (sábado), a Associação Brasileira de Cirurgia Plástica Estética (BAPS) realiza a terceira edição do BAPS Lipedema Day. O evento nacional promoverá ações simultâneas e gratuitas em 19 cidades brasileiras, unindo atividade física orientada, rodas de conversa com especialistas e apoio emocional.

  • Sintomas em pauta: O foco é orientar sobre os sinais clássicos (gordura firme e dolorosa, inchaço que piora ao longo do dia e resistência a dietas rigorosas).

  • Onde acontece: Aracaju (SE), Araras (SP), Belém (PA), Brasília (DF), Campo Grande (MS), Cuiabá (MT), Dourados (MS), Goiânia (GO), João Pessoa (PB), Juazeiro (CE), Natal (RN), Palmas (TO), Porto Velho (RO), Recife (PE), Salvador (BA), Sorocaba (SP), Uberlândia (MG), Umuarama (PR) e Vitória (ES).

  • Como participar: Informações e canais oficiais podem ser acessados no Instagram da BAPS.

Presença brasileira em congresso internacional

A relevância do Brasil no estudo da doença também ganha destaque no exterior. Uma das referências brasileiras no tema, o cirurgião plástico Fábio Kamamoto, diretor do Instituto Lipedema Brasil, integra a programação científica do Lipedema Summit, nos Estados Unidos.

O especialista ministra aulas sobre planejamento cirúrgico e tomada de decisão terapêutica, levando a experiência brasileira para o debate global. “Quanto mais conhecimento compartilhamos, mais avançamos na identificação precoce da doença”, pontua Kamamoto.

Com Assessorias

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Com Assessorias

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