Por que as mulheres sofrem mais de amor que os homens

Doutora em Psicologia Valeska Zanello aborda saúde mental e gênero. Já psicólogo italiano Walter Riso mostra como lidar com o vício afetivo

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O relacionamento abusivo é realidade para três em cada cinco mulheres. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), nos últimos dois anos, mais de 243 milhões de mulheres sofreram algum tipo de violência dentro da relação. A maioria delas, por amor aos seus maridos, companheiros, amantes.

Mas por que mulheres têm tantas queixas na esfera do amor? De se sentirem não amadas, de não receberem tanto afeto quanto gostariam ou simplesmente por estarem sozinhas? Por que mulheres que são mães carregam tanta culpa? E as que não são, por que se sentem na obrigação de estarem disponíveis a cuidar dos demais?

Neste Mês Internacional das Mulheres, Ler Faz Bem destaca duas importantes obras que abordam o amor feminino, que algumas vezes pode ser tóxico e elas nem percebem e como lidar com essas emoções.

O psicólogo italiano Walter Riso trata do vício afetivo, uma doença que pode ser curada e, o mais importante, pode ser prevenida. Em Amar ou depender?, ele dialoga com pessoas que são ou foram vítimas de um amor doentio e orienta casais a trabalharem hábitos saudáveis para manter uma relação intensa e sem apegos. A obra ganha uma nova edição brasileira pelo selo Academia, da Editora Planeta.

Já a professora doutora Valeska Zanello, em seu livro “Saúde Mental, Gênero e Dispositivos: Cultura e Processos de Subjetivação (Editora Aprris), diz que o dispositivo amoroso configura uma certa forma de amar que vulnerabiliza as mulheres. O trabalho é resultado de 13 anos de pesquisas na área de saúde mental, sob a perspectiva de gênero, e de 20 anos de experiência como psicoterapeuta clínica.

Mulheres na prateleira do amor

Professora adjunta do Departamento de Psicologia Clínica da Universidade de Brasília, Valeska tem se dedicado a estudar e compreender os processos de subjetivação que se configuraram historicamente em nossa cultura, no Brasil, e como mulheres e homens se subjetivam, sofrem e se expressam de formas diferentes. 

“Na nossa cultura, os homens aprendem a amar muitas coisas e as mulheres aprendem a amar os homens. Difícil, dessa forma, que as mulheres não sofram muito nas relações amorosas. Elas se subjetivam na “prateleira” do amor, na qual “ser escolhida” e validada por um homem torna-se uma legitimação fundamental”, explica a doutora em Psicologia.

 “Saúde Mental, Gênero e Dispositivos: Cultura e Processos de Subjetivação (Editora Aprris) também aborda as questões interseccionalidades. “Em uma cultura sexista e racista como a brasileira, tornar-se pessoa é tornar-se homem branco, homem negro, mulher branca e mulher negra. No livro, aponto essas especificidades, únicas, que trazem sofrimentos e cujas configurações precisamos reconhecer e acolher”, completa.

‘Amar ou depender?’ mostra como tratar o vício afetivo

Segundo o autor, dar-se afetivamente não significa desaparecer no outro, mas integrar-se de forma respeitosa. O amor saudável, assim, é uma soma de dois, em que ninguém perde. Por isso, já na primeira parte do livro, Riso trata de esclarecer que desejo não é apego, assim como o desapego não é indiferença. E aponta um culpado no esquema central de todo apego: a imaturidade emocional.

Ela se manifesta de três formas, explica o psicólogo: baixos limiares para o sofrimento, baixa tolerância à frustração e a ilusão de permanência. Na segunda parte da obra, o autor mostra ferramentas para promover a independência afetiva e continuar amando.

 “O amor é uma experiência perigosa e atraente, por vezes dolorosa e sensorialmente encantadora. Esse agridoce implícito em todo exercício amoroso pode ser especialmente fascinante para os atrevidos e terrivelmente ameaçador para os inseguros”, diz.

A partir do princípio da exploração, sugere dicas práticas como brincadeiras espontâneas, incursão na arte, viagens e geografia, ler, conhecer gente. Já a terceira parte ensina o que fazer para se desligar de amores doentios por meio de princípios como realismo afetivo, o autorrespeito e o autocontrole.

Com tradução de Sandra Martha Dolinsky, Amar ou depender? reforça a importância de aprender a renunciar e jogar a certeza no lixo. Lições como estas  fizeram de Walter Riso uma referência para lidar com o sofrimento humano. Nascido na Itália, em 1951, morou na Argentina e Colômbia, onde se especializou em terapia cognitiva e mestre em bioética. Atualmente,  o psicólogo mora em Barcelona.

Ficha técnica

Livro:  Saúde Mental, Gênero e Dispositivos: Cultura e Processos de Subjetivação’

Autora: Valeska Zanello

Editora: Aprris

Onde encontrar: link para compra aqui.

SOBRE A AUTORA

A professora doutora Valeska Zanello é graduada em Filosofia e em Psicologia pela Universidade de Brasília (UnB), onde também concluiu o doutorado em Psicologia, com período de pesquisas na Université Catholique de Louvain (Bélgica). É professora do departamento de Psicologia Clínica da UnB, onde também orienta o mestrado e o doutorado no Programa de Pós-Graduação em Psicologia Clínica e Cultura. Tem experiência na área de Psicologia, com ênfase em saúde mental, gênero, psicanálise e filosofia da linguagem. Coordena o grupo de pesquisa “Saúde Mental e Gênero”, com foco em mulheres e interseccionalidade com raça e etnia.

Ficha técnica

Livro: Amar ou depender?
Autor: Walter Riso
Editora: Planeta
Preço: R$ 44,90
Páginas: 192
Onde encontrar: Amazon 

Sobre o autor

Walter Riso é médico em Psicologia, especialista em Terapia Cognitiva e mestre em Bioética. Há 30 anos atua como psicólogo clínico e na formação de terapeutas, além de participar de cátedras universitárias na América Latina e na Espanha, publicar artigos científicos e escrever para diversos meios de comunicação. Seus livros foram traduzidos para 13 idiomas e ensinam a criar estilos de vida saudáveis em vários ambientes.

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