Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 30 milhões de animais viviam abandonados nas ruas brasileiras em 2022, sendo 10 milhões de gatos e 20 milhões de cães. Muitas vezes, a crueldade contra os pets não deixa marcas na pele, mas altera permanentemente a “personalidade” do animal.

Neste Abril Laranja, o alerta é para as cicatrizes invisíveis: o trauma emocional? Como saber se aquele companheiro agressivo ou extremamente apático está, na verdade, vivendo sob uma “memória do medo”? O trauma psicológico gera um estado de hipervigilância que impede o filho de quatro patas de relaxar, impactando sua saúde e sua relação com o mundo.

Mais do que combater a violência física óbvia, a campanha Abril Laranja joga luz sobre um pilar fundamental da Medicina Veterinária moderna: a capacidade dos animais de sentirem dor, medo e angústia de forma consciente.

Veterinários alertam que o equilíbrio emocional é o primeiro passo para o sucesso de qualquer tratamento clínico.  Assim, o papel do médico-veterinário no Abril Laranja vai além do tratamento de feridas. Ele funciona como um perito técnico capaz de interpretar o que o pet não consegue relatar por meio de palavras.

O veterinário é a voz do pet que sofreu algum tipo de abuso ou negligência. Nossa missão é garantir uma documentação minuciosa e laudos que comprovem tecnicamente qualquer situação de crueldade. Seja um caso de agressão direta ou de abandono silencioso, o acolhimento técnico é o que garante a proteção jurídica e a vida do paciente”, afirma Carollina Marques, médica-veterinária e supervisora na WeVets.

Sinais de sofrimento emocional e físico ( que observar):

Na rotina de hospitais de alta complexidade, o médico-veterinário atua como um observador atento de sinais que muitas vezes são invisíveis para quem não detém o olhar técnico. O “congelamento” comportamental, o medo excessivo ao toque ou a apatia profunda são cicatrizes psicológicas que podem ser tão graves quanto as marcas físicas.

  • Comportamento: Medo paralisante ao toque, agressividade por autodefesa ou falta de reação a estímulos que deveriam gerar alegria.
  • Marcas clínicas: Desnutrição severa, feridas não tratadas, infestação massiva de parasitas e fraturas em diferentes estágios de cicatrização.

A ciência veterinária comprova que a violência e o estresse crônico geram sequelas orgânicas. Um pet traumatizado apresenta níveis elevados de hormônios do estresse, o que compromete o sistema imunológico e retarda diretamente a cicatrização de cirurgias ou o combate a infecções graves. O tratamento de casos complexos prioriza o manejo livre de medo.

Um pet psicologicamente estável e sem dor se recupera muito mais rápido. A educação do tutor sobre a guarda responsável, que inclui check-ups, nutrição correta e um ambiente seguro, é a maior ferramenta para que a crueldade perca espaço”, completa Carollina.

Diante de qualquer suspeita fundamentada de maus tratos, a rede segue rigorosamente os protocolos éticos e legais do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV). A notificação aos órgãos competentes e delegacias especializadas é um dever do profissional, garantindo que o ciclo de violência seja interrompido e que o pet receba o suporte vital e a dignidade necessários para sua plena reabilitação.

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Campanha Abril Laranja conscientiza sobre maus tratos

Abril Laranja é um movimento internacional de luta contra os maus-tratos aos animais. Nascida em 2006 nos Estados Unidos, a campanha busca despertar empatia e compaixão pelos bichos, alertando sobre o respeito a necessidades básicas, como alimentação adequada, abrigo, cuidados veterinários e exercício físico.

A Sociedade Americana para a Prevenção da Crueldade contra Animais (ASPCA, em inglês) deu início à campanha como forma de conscientizar e prevenir maus-tratos aos animais. Na mesma linha, o Estado do Rio conta com a lei 20.898/2020 que institui o mês de abril como o mês de combate a crueldade contra os animais.

 

 

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