O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de 80 anos, passou por uma nova mini-cirurgia na cabeça, desta vez, para retirar uma lesão decorrente de um câncer de pele. O procedimento minimamente invasivo foi realizado nesta sexta-feira (24) no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo (SP). .O diagnóstico foi de carcinoma basocelular, o tipo mais comum e menos agressivo de câncer de pele.
A mini-cirurgia de Lula já estava programada e não foi emergencial. Inicialmente, o Governo informou que o procedimento seria para “retirada de acúmulo de pele (queratose) no couro cabeludo”, mas os médicos esclareceram melhor sobre a intervenção após o procedimento.
Foi uma lesão de pele. É muito comum, é a mais comum que tem no mundo”, minimizou o médico Ricardo Kalil, que acompanha Lula. Segundo Kalil, o procedimento correu bem, sem nenhuma intercorrência.
Geralmente causado pelo excesso de sol, o carcinoma basocelular é uma lesão localizada, sem risco de metástase (espalhamento para outros órgãos). No entanto, quando ela aumenta de tamanho, é recomendado a retirada.
É uma lesão de pele que vem da exposição solar. É muito comum e quando ela cresce, a gente tem que tirar”, explicou a médica Cristina Abdala, que realizou o procedimento.
Tratamento da tendinite:
Ainda no Hospital Sírio-Libanês, o presidente também recebeu uma infiltração no punho para tratamento de tendinite no dedão do polegar da mão direita. Segundo a Secretaria de Comunicação do governo, os dois procedimentos são considerados simples. Por isso, não seria necessário ficar internado, nem foi preciso preparação prévia ou repouso.
Lula viajou na noite desta quinta-feira (23) para a capital paulista e chegou ao hospital por volta das 7h, acompanhado da primeira-dama Janja da Silva. Após permanecer mais algumas horas no hospital, foi liberado para voltar para casa ainda pela manhã e deve ficar em repouso nos próximos dias, mas isso não afetará a agenda de Lula.
Vamos evitar grandes eventos nos próximos dias. Lula não vai tomar medicamento. Ficou uma ferida cirúrgica e é esperar cicatrizar, o que deve demorar um mês. O cuidado agora é curativo, usar chapéu e tocar a vida normal dele”, afirmou o médico.
O médico disse também que o tratamento não vai interferir na campanha presidencial. “Vai atrapalhar a campanha? A resposta é não. O máximo que vai acontecer é ele aparecer de chapéu, como aconteceu outras vezes”.
Em abril de 2025, Lula passou por um pequeno procedimento dermatológico para retirada de um nevo melanocítico, nome técnico para o que é popularmente conhecido como pinta ou sinal. Geralmente de origem benigna, o nevo melanocítico pode ser um indício de câncer de pele – por isso, a recomendação para sua retirada.
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Você sabe o que é carcinoma basocelular?
Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de pele representa cerca de 30% de todos os tumores malignos diagnosticados no país, sendo o mais frequente na população brasileira.
O carcinoma basocelular é o tipo mais frequente e menos agressivo de câncer de pele. Ele costuma surgir como uma lesão pequena, geralmente de coloração rósea ou com brilho perolado, podendo apresentar vasinhos dilatados em sua superfície.
Segundo a médica Lorena Mesquita, professora da pós-graduação em Dermatologia, essa forma de câncer de pele pode se manifestar também como uma ferida que não cicatriza, sangra com facilidade ou se assemelha a uma cicatriz de bordas irregulares.
A médica acrescenta ainda que, em alguns casos, a lesão pode aparecer como uma pápula de tom acastanhado, caracterizando o chamado carcinoma basocelular pigmentado. Apesar de seu crescimento lento e baixa probabilidade de metástase, ele exige atenção por sua capacidade de invadir tecidos adjacentes e causar deformidades quando não tratado adequadamente.
Diagnóstico e tratamento do carcinoma basocelular
Como a maioria das neoplasias, o câncer de pele costuma ser silencioso. Entretanto, alterações visíveis na pele, como sinais ou manchas que mudam de cor, formato ou tamanho, ou feridas persistentes, podem ser indícios importantes. É recomendado o autoexame da pele regularmente, observando todo o corpo em frente ao espelho e prestando atenção especial a áreas frequentemente expostas ao sol.
Se diagnosticado precocemente, o carcinoma basocelular tem excelente prognóstico. Por isso, quanto mais cedo o carcinoma basocelular é identificado, maiores são as chances de cura.
O tratamento para o carcinoma basocelular pode incluir cirurgia para remoção da lesão, crioterapia (congelamento da área afetada), eletrocauterização, ou ainda terapias tópicas específicas. Em alguns casos, a radioterapia pode ser indicada, especialmente quando as lesões são recorrentes ou de difícil acesso. A escolha do tratamento depende do tamanho, localização e estágio da lesão.
O tratamento geralmente é feito com a remoção completa da lesão, incluindo uma pequena margem de segurança de pele saudável ao redor. Por isso, quando o tumor ainda é pequeno, a cirurgia é menos invasiva e o resultado estético costuma ser bem melhor, com cicatrizes mais discretas e recuperação mais rápida.” afirma a médica.
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Exposição solar é a principal causa
A principal causa do carcinoma basocelular é a exposição solar excessiva e desprotegida, especialmente ao longo dos anos. “A maioria dos casos surge em regiões do corpo expostas ao sol com frequência, como o rosto, orelhas, pescoço e braços”, destaca a especialista.
A exposição solar intensa e acumulada ao longo da vida, especialmente em pessoas que trabalham ou passam muito tempo ao ar livre, é uma das principais causas do problema. “Ele vem muito do ‘sol da vida toda’”, observa a dermatologista, reforçando que, por isso, é mais comum em idosos.
Por isso, a prevenção está diretamente ligada aos hábitos de fotoproteção. Algumas dicas fundamentais são:
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Uso diário do protetor solar com FPS 50 ou superior, aplicando a quantidade correta, o equivalente a uma colher de chá cheia para o rosto e pescoço, e reaplicação do produto a cada 2 horas em ambientes abertos e a cada 4 horas em ambientes fechados;
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Evitar exposição direta ao sol entre 10h e 16h, período em que a radiação ultravioleta é mais intensa;
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Uso de roupas com proteção UV, chapéus de aba larga, óculos de sol e roupas que cubram a pele, especialmente para pessoas que trabalham ao ar livre.
Outros fatores de risco para o câncer de pele
A médica também destaca que, além da exposição solar crônica, diversos fatores podem aumentar o risco de desenvolvimento do carcinoma basocelular, como pele clara e sensível, olhos claros, histórico de queimaduras solares na infância, idade avançada, uso de câmaras de bronzeamento artificial e histórico familiar de câncer de pele.
Embora o carcinoma basocelular possa parecer inofensivo em seus estágios iniciais, seu potencial de causar danos locais severos exige atenção. A conscientização, aliada à prevenção e ao diagnóstico precoce, é fundamental para garantir um tratamento eficaz e evitar complicações.
Cuidar da pele é cuidar da saúde como um todo. Não devemos ignorar sinais persistentes. A atenção ao corpo pode salvar vidas”, finaliza Lorena.




