Neste dia 24 de abril, a sociedade se volta para lembrar o Dia Mundial de Combate à Meningite, uma data crucial para conscientizar a população sobre uma das doenças infecciosas mais temidas e de progressão mais rápida no mundo. A data reforça o alerta para uma doença que ainda representa um importante desafio de saúde pública no Brasil.

Dados brasileiros reforçam esse alerta: entre 2007 e 2013, segundo dados do Ministério da Saúde, a doença apresentou uma taxa de letalidade média entre 20% e 30%, sendo mais elevada em crianças menores de cinco anos e idosos. A incidência média varia entre 2 e 4 casos por 100 mil habitantes, com maior impacto na população infantil.

A meningite afeta as membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal e sua gravidade reside na velocidade da progressão e na alta letalidade. Sintomas iniciais leves podem mascarar uma enfermidade grave que se instala em um curtíssimo intervalo de tempo.

A meningite pode ter diferentes causas. Vírus, bactérias, fungos e até a tuberculose podem desencadear a doença.  As meningites infecciosas são as mais frequentes, mas as meningites bacterianas seguem como as mais graves, com taxa de letalidade que pode chegar a 30% e alto risco de sequelas permanentes, como perda auditiva ou danos cerebrais.

Com o objetivo de reduzir a mortalidade e as sequelas graves, especialistas reforçam um apelo urgente: a atualização da caderneta de vacinação como medida central de segurança sanitária. A vacinação segue como a principal estratégia de prevenção.

Imunizantes contra meningococo, pneumococo e Haemophilus influenzae tipo b protegem contra as formas bacterianas mais graves. Outras vacinas, como tríplice viral, varicela, influenza e BCG também contribuem para reduzir o risco de meningites associadas a diferentes agentes.

A vacina é a ferramenta mais eficaz para evitar casos graves e mortes. Manter o calendário vacinal atualizado é essencial, sobretudo para crianças, idosos e pessoas com imunidade comprometida”, reforça o médico infectologista do Vera Cruz Hospital, em Campinas (SP), Leonardo Ruffing.

Para o médico infectologista Arnaldo Tanaka,  do Hospital Nipo-Brasileiro (HNIPO), em São Paulo, o Dia Mundial de Combate à Meningite é um convite é para que as famílias não esperem o risco de bater à porta.

A prevenção e o acompanhamento médico são as melhores ferramentas para garantir o controle da doença e reduzir o risco de sequelas. O conhecimento e a vacinação são as únicas formas de transformar o medo em cuidado consciente”, pontua.

Número de casos aumenta com outono e inverno

Com a chegada do outono e do inverno, período marcado pelo aumento da circulação de vírus e bactérias e pela maior permanência em ambientes fechados, o risco de transmissão cresce, especialmente entre crianças pequenas, grupo mais vulnerável às formas graves da infecção.

A meningite é considerada endêmica, porque esses microrganismos fazem parte do nosso ambiente e até do próprio organismo. Em situações como baixa imunidade ou cobertura vacinal inadequada, o risco aumenta”, explica o Dr Ruffing.

Diante da sazonalidade da doença, a recomendação é redobrar os cuidados neste período do ano. Além da vacinação, é importante reconhecer sinais suspeitos, evitar contato próximo com pessoas doentes e reforçar hábitos de higiene. “Em situações específicas, podem ser adotadas medidas como bloqueio vacinal e uso preventivo de antibióticos”, afirma o especialista.

Medidas simples, como higienização das mãos, limpeza de ambientes e adoção da etiqueta respiratória, ajudam a conter o avanço da doença, transmitida, principalmente, por via respiratória, por meio de gotículas liberadas ao falar, tossir ou espirrar, além do contato próximo com pessoas infectadas. Essas partículas também podem permanecer em superfícies e objetos, facilitando a disseminação.

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Sintomas iniciais podem se confundir com gripe comum

Os sintomas iniciais da meningite podem se confundir com os de uma gripe comum, como febre alta, dor de cabeça, coriza e mal-estar. O sinal de alerta, no entanto, está na evolução do quadro. Dor de cabeça intensa, rigidez na nuca, vômitos e alterações visuais são indicativos de gravidade.

Os sinais clássicos são frequentemente acompanhados, em casos graves, por manchas arroxeadas na pele, indicando que a infecção atingiu a corrente sanguínea (septicemia). “Quando há piora ou persistência dos sintomas, é fundamental buscar avaliação médica.  A meningite pode evoluir rapidamente, e o diagnóstico precoce é decisivo”, destaca o especialista.

Atenção aos bebês

Em bebês, o cuidado deve ser redobrado, pois os sintomas podem ser mais sutis. Pais e responsáveis devem observar atentamente sinais como:

  • Irritabilidade extrema;
  • Recusa de alimentos;
  • Moleira estufada.

O tratamento varia conforme a causa da infecção e pode incluir antibióticos, antivirais ou antifúngicos, além de medidas de suporte, como hidratação e controle de sintomas. Em quadros mais graves, pode ser necessário atendimento intensivo.

Sem diagnóstico e tratamento rápidos, a meningite pode deixar sequelas neurológicas, auditivas e cognitivas, além de representar risco de morte”, alerta.

O papel estratégico da vacinação e da rede privada

Atualmente, o Brasil possui um dos calendários vacinais mais robustos do mundo, mas a proteção completa exige atenção aos detalhes das doses. Na rede pública, o esquema para a vacina meningocócica C consiste em duas doses, aplicadas aos três e cinco meses, seguidas de um reforço aos 12 meses.

Uma atualização importante no sistema público é que este reforço agora passa a ser feito com a vacina ACWY, que expande a proteção para quatro sorogrupos da doença (A, C, W e Y).  A rede privada desempenha um papel crucial ao oferecer imunizantes como as vacinas contra os sorogrupos ACWY e B — este último responsável por surtos recentes em locais como o Reino Unido.

Essas opções oferecem reforços e coberturas que podem não estar disponíveis no calendário de rotina para todas as faixas etárias, sendo fundamentais para o controle epidemiológico da comunidade”, destaca Arnaldo Tanaka.

Com Assessorias

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