No dia 17 de janeiro de 2021, a imagem da enfermeira Mônica Calazans recebendo a primeira dose da Coronavac no Hospital das Clínicas, em São Paulo, tornou-se o símbolo de uma virada histórica na luta contra a Covid-19.
Hoje, exatos cinco anos após aquele gesto de punho cerrado, o Brasil olha para trás com o aprendizado de uma tragédia que vitimou mais de 700 mil pessoas, mas também com a certeza de que a ciência foi o divisor de águas entre o colapso e a retomada da normalidade.
De 2021 para 2026, o cenário da pandemia no Brasil passou por transformações profundas, migrando de uma crise sanitária aguda para um modelo de controle epidemiológico contínuo.
O papel da informação na linha de frente

O Portal Vida e Ação tem acompanhado toda essa evolução, começando com a decisão de abrir a seção “Alerta Corona”, posteriormente rebatizada de “Covid-SRAG”, diante do aumento de casos da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) causados por outros tipos de vírus respiratórios.
Ainda durante o período do confinamento, lançamos uma série especial de lives, o #PapodePandemia, com participação de importantes autoridades no Brasil: foram quase 50 encontros, sempre ajudando a desmistificar a doença e seus impactos, à luz da ciência.
O tema tem destaque permanente em nossas páginas, como um serviço de utilidade pública. Para engrossar a campanha contra o negacionismo, também lançamos a seção Vacinas Salvam’, destacando a importância dos imunizantes para o combate a doenças imunopreveníveis, muito além da Covid-19.
O que mudou: do colapso à vigilância

O impacto imediato da vacinação foi mensurável logo nos primeiros meses. Conforme os dados do Observatório Covid-19 mencionados na época, a imunização de idosos evitou, apenas no primeiro semestre de campanha, cerca de 58 mil óbitos.
Ao longo desses cinco anos, o Brasil consolidou a incorporação tecnológica. Se no início dependíamos exclusivamente de insumos importados (IFA), hoje a Fiocruz e o Instituto Butantan possuem autonomia para a produção de vacinas nacionais, garantindo soberania em caso de novas variantes ou futuras pandemias. Além disso, o tratamento clínico evoluiu: o uso de antivirais específicos para casos graves e o conhecimento sobre a “covid longa” mudaram a forma como o sistema de saúde lida com a doença.
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Cobertura vacinal e o desafio da desinformação

Atualmente, o esquema vacinal contra a covid-19 faz parte do Calendário Nacional de Vacinação para grupos prioritários e crianças. No entanto, o ritmo que outrora colocou o Brasil no topo do ranking mundial de vacinação enfrenta obstáculos.
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Público geral: A cobertura com o esquema primário (duas doses) estabilizou-se acima de 85% da população total.
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Reforços: O grande desafio de 2026 é a adesão às doses de reforço e às vacinas bivalentes (atualizadas para as variantes mais recentes). A fadiga vacinal e a persistência de notícias falsas fizeram com que a cobertura das doses de reforço flutue em torno de 50% em algumas regiões, abaixo do ideal para manter a imunidade coletiva.
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Vacinação infantil: É o setor que mais exige atenção. O Brasil ainda luta para atingir metas superiores a 90% no público de seis meses a cinco anos, faixa etária que foi incluída tardiamente e ainda sofre com o receio de pais influenciados por desinformação.
O peso do atraso: a justiça e a história

A celebração dos cinco anos também é acompanhada de reflexão sobre o custo da demora inicial. Estudos da UFMG e o relatório final da CPI da Covid-19 reiteram que o início antecipado da campanha — se o governo tivesse aceitado as ofertas de farmacêuticas ainda em 2020 — poderia ter poupado até 400 mil vidas.
O inquérito da Polícia Federal, aberto em 2024 por determinação do STF para apurar as omissões apontadas pela CPI, continua sendo um marco na busca por responsabilização política e administrativa sobre a gestão da crise.
Panorama atual da doença
Em 2026, a covid-19 é classificada como uma doença endêmica. Embora não cause mais os confinamentos de 2020, o vírus continua circulando e sofrendo mutações.
| Indicador | Situação em 2021 (Pico) | Situação em 2026 (Atual) |
| Mortalidade | Alta (especialmente idosos) | Baixa (concentrada em não vacinados) |
| Internações | Colapso de UTIs | Casos esporádicos e controlados |
| Variantes | Gama / Delta | Linhagens derivadas da Ômicron |
| Vacina | Emergencial / Lotes limitados | Rotina / Produção nacional |
A principal lição deste quinquênio é que a vacina não apenas salvou o sistema de saúde, mas devolveu aos brasileiros a convivência social. O desafio agora, segundo especialistas, é não deixar que o sucesso da imunização gere uma falsa sensação de segurança que leve ao abandono das doses de reforço anuais.





