Pela primeira vez em 2026, o Brasil registra uma mudança de cenário no enfrentamento dos vírus respiratórios. Após aproximadamente cinco meses consecutivos de alta sustentada, o número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) começou a apresentar sinais de queda no país. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (9/7) pelo novo Boletim InfoGripe da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Apesar do recuo nacional, a vigilância em saúde alerta que a circulação viral e as ocorrências hospitalares ainda permanecem em níveis elevados em boa parte do território nacional. Se no início de junho todas as unidades da Federação estavam em nível de alerta ou risco e 18 estados enfrentavam crescimento de longo prazo, o panorama atual mostra desaceleração em várias regiões, embora o perigo persista localmente.

Capitais em atenção e o avanço da Influenza B

O balanço atualizado até a Semana Epidemiológica 26 mostra que o cenário de queda não é uniforme. Nove das 27 capitais brasileiras ainda apresentam sinal de crescimento na tendência de longo prazo e mantêm níveis de atividade de SRAG classificados como alerta, risco ou alto risco nas últimas duas semanas:

  • Belo Horizonte (MG)

  • Boa Vista (RR)

  • Curitiba (PR)

  • Florianópolis (SC)

  • Goiânia (GO)

  • Manaus (AM)

  • Palmas (TO)

  • Porto Alegre (RS)

  • Rio Branco (AC)

O monitoramento da Fiocruz destaca que o aumento de internações em Belo Horizonte, Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre se concentra principalmente em crianças menores de 2 ou 4 anos. Já em Rio Branco, o avanço atinge a faixa de 2 a 14 anos.

Outro ponto de atenção do novo boletim é o crescimento dos casos graves provocados pela Influenza B em estados da Região Centro-Sul, afetando diretamente o Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina. Por outro lado, estados populosos como São Paulo, Paraná, Ceará, Maranhão e Mato Grosso do Sul já dão indícios de interrupção desse avanço ou início de queda.

Perfil dos vírus: VSR lidera internações e Influenza A responde pela maior parte dos óbitos

O comportamento dos vírus respiratórios mantém o padrão de atingir os extremos das faixas etárias de forma diferenciada. A incidência semanal da síndrome continua mais alta entre crianças pequenas, puxada majoritariamente pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR). Já a mortalidade continua concentrada na população idosa, tendo a Influenza A como o principal fator letal.

Nas últimas quatro semanas epidemiológicas, a distribuição percentual dos vírus entre os casos confirmados em laboratório e os óbitos desenhou o seguinte panorama:

  • Vírus Sincicial Respiratório (VSR): responde por 55,9% dos casos positivos e 21,7% dos óbitos. No início de junho, o vírus representava 48,5% dos casos, mostrando que sua circulação continuou intensa no inverno.

  • Rinovírus: representa 23,3% dos casos e 26,3% das mortes.

  • Influenza A: soma 12,7% dos casos, mas lidera isolada o índice de letalidade, sendo responsável por 33,1% dos óbitos.

  • Influenza B: representa 8,4% dos casos e 15,4% das mortes.

  • Sars-CoV-2 (Covid-19): segue em níveis baixos em todas as idades, equivalendo a 2,2% dos casos e 6,9% dos óbitos.

Desde o início de 2026, o Brasil já acumulou 109.347 notificações de SRAG — um salto expressivo em relação aos 77.153 registrados até o fechamento de maio. Do total de notificações deste ano, 51,7% (56.530 casos) tiveram resultado laboratorial positivo para algum vírus, 34,5% foram negativos e 7,5% aguardam confirmação.

Cuidados devem ser mantidos

Mesmo com a tendência geral de desaceleração nacional (com queda visível entre a população de 2 a 49 anos e idosos acima de 65 anos), as autoridades reforçam que o momento não é de relaxar as medidas de proteção.

A pesquisadora Tatiana Portella, do InfoGripe, reforça as orientações essenciais para este período:

A população dos grupos prioritários deve manter a vacinação contra a influenza em dia, pois ela reduz o risco de hospitalizações e mortes. Também é importante que pessoas com sintomas respiratórios evitem contato com indivíduos mais vulneráveis, como idosos, crianças pequenas e pessoas imunocomprometidas, além de utilizar máscara ao apresentar sintomas”.

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