O CEP (código de endereçamento postal), infelizmente, ainda é um fator determinante para a saúde de milhões de brasileiros. Neste 26 de junho, Dia Nacional do Diabetes, o Brasil encara um dado que vai além dos números de glicemia: o risco de complicações graves – como amputações, cegueira irreversível e doenças cardiovasculares. depende, em grande parte, de onde a pessoa vive.
Enquanto o Nordeste registra números alarmantes de mortalidade prematura por diabetes, as amputações crescem de forma acelerada em estados como Alagoas e Roraima, evidenciando um abismo entre o que a ciência recomenda e o que a realidade assistencial permite.
Segundo Bianca Pititto, coordenadora do Departamento de Saúde Pública da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), o Brasil enfrenta uma fragmentação perigosa. “As amputações evidenciam iniquidades no acesso oportuno ao diagnóstico e seguimento do tratamento, especialmente em regiões com vazios assistenciais”, explica.
Enquanto o Sudeste concentra 42% das amputações do país — um reflexo da alta demanda em centros de referência —, as populações fora das metrópoles enfrentam barreiras físicas e geográficas que levam ao diagnóstico tardio e à descontinuidade do tratamento. O resultado é um ciclo onde a falta de coordenação entre os pontos de cuidado impede que a prevenção chegue antes da crise.
O mapa da desigualdade: acesso e adesão a medicamentos no diabetes
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Fonte: (PNAUM – Pesquisa Nacional sobre Acesso, Utilização e Promoção do Uso Racional de Medicamentos 2016)
Ações de enfrentamento da SBD
Não basta haver tecnologia e fármacos disponíveis se a infraestrutura de saúde não consegue levar esses recursos à população fora dos grandes centros. Por isso, a SBD está empenhada em reduzir essas disparidades e reforça que o combate ao diabetes exige políticas públicas que garantam um padrão de cuidado unificado em todo o território nacional.
Queremos que todos tenham acesso tanto para o diagnóstico quanto para o tratamento. Por isso, estamos empenhados em levar conhecimento aos profissionais da atenção primária à saúde em conjunto com o Ministério da Saúde”, afirma João Salles, presidente da SBD.
O diagnóstico da SBD é claro: a escassez de serviços especializados em regiões mais remotas leva ao atraso no diagnóstico e à fragmentação do cuidado, resultando na menor continuidade e adesão ao tratamento, o que gera o aumento das complicações graves.
Como podemos mudar esse cenário?
O Brasil tem um sistema universal, mas o desafio para a próxima década é garantir que ele seja equânime. O controle do diabetes exige uma postura ativa, mas essa “luta” não deve ser solitária. A desigualdade enfrentada no Brasil não se resolve apenas com medicamentos, mas com mudanças estruturais na jornada do paciente:
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Valorização da atenção primária: É preciso que o cuidado crônico comece na ponta, com médicos que conheçam o histórico do paciente.
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Educação em saúde: Como aponta a SBD, levar o conhecimento aos profissionais da ponta é tão vital quanto garantir o acesso aos fármacos.
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Vigilância familiar: O cuidado começa em casa. Apoiar o familiar na mudança de hábitos e no autoexame diário, especialmente em regiões com menos acesso a especialistas, salva vidas.
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Fonte: Obesidade e consumo de FVL (frutas, verduras e legumes) – Vigitel 2023
Especial Diabetes no Vida e Ação
A luta contra o diabetes no Brasil precisa ser equânime.Enquanto a ciência avança com novas terapias, o nosso maior compromisso com o leitor do VIDA E AÇÃO é cobrar e divulgar caminhos que tragam o cuidado para perto de quem mais precisa.
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Com informações da SBD




