O CEP (código de endereçamento postal), infelizmente, ainda é um fator determinante para a saúde de milhões de brasileiros. Neste 26 de junho, Dia Nacional do Diabetes, o Brasil encara um dado que vai além dos números de glicemia: o risco de complicações graves – como amputações, cegueira irreversível e doenças cardiovasculares. depende, em grande parte, de onde a pessoa vive.

Enquanto o Nordeste registra números alarmantes de mortalidade prematura por diabetes, as amputações crescem de forma acelerada em estados como Alagoas e Roraima, evidenciando um abismo entre o que a ciência recomenda e o que a realidade assistencial permite.

Segundo Bianca Pititto, coordenadora do Departamento de Saúde Pública da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), o Brasil enfrenta uma fragmentação perigosa. “As amputações evidenciam iniquidades no acesso oportuno ao diagnóstico e seguimento do tratamento, especialmente em regiões com vazios assistenciais”, explica.

Enquanto o Sudeste concentra 42% das amputações do país — um reflexo da alta demanda em centros de referência —, as populações fora das metrópoles enfrentam barreiras físicas e geográficas que levam ao diagnóstico tardio e à descontinuidade do tratamento. O resultado é um ciclo onde a falta de coordenação entre os pontos de cuidado impede que a prevenção chegue antes da crise.

O mapa da desigualdade: acesso e adesão a medicamentos no diabetes

ACESSO TOTAL POR REGIÃO
Região Acesso (%) IC 95%
Norte 97,3 94,7 – 98,6
Nordeste 97,9 95,7-99,0
Sudeste 97,9 95,3-99,1
Sul 97,7 94,5-99,0
Centro-Oeste 97,3 94,9-98,5

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ADESÃO POR REGIÃO
Região Provável Adesão Baixa Adesão
Norte 73,7 12,2
Nordeste 68,2 16,2
Sudeste 73,4 17,1
Sul 67,4 23
Centro-Oeste 65,8 11,1

Fonte:  (PNAUM – Pesquisa Nacional sobre Acesso, Utilização e Promoção do Uso Racional de Medicamentos 2016)

Ações de enfrentamento da SBD

Não basta haver tecnologia e fármacos disponíveis se a infraestrutura de saúde não consegue levar esses recursos à população fora dos grandes centros. Por isso, a SBD está empenhada em reduzir essas disparidades e reforça que o combate ao diabetes exige políticas públicas que garantam um padrão de cuidado unificado em todo o território nacional.

Queremos que todos tenham acesso tanto para o diagnóstico quanto para o tratamento. Por isso, estamos empenhados em levar conhecimento aos profissionais da atenção primária à saúde em conjunto com o Ministério da Saúde”, afirma João Salles, presidente da SBD.

O diagnóstico da SBD é claro: a escassez de serviços especializados em regiões mais remotas leva ao atraso no diagnóstico e à fragmentação do cuidado, resultando na menor continuidade e adesão ao tratamento, o que gera o aumento das complicações graves.

Como podemos mudar esse cenário?

O Brasil tem um sistema universal, mas o desafio para a próxima década é garantir que ele seja equânime. O controle do diabetes exige uma postura ativa, mas essa “luta” não deve ser solitária. A desigualdade enfrentada no Brasil não se resolve apenas com medicamentos, mas com mudanças estruturais na jornada do paciente:

  1. Valorização da atenção primária: É preciso que o cuidado crônico comece na ponta, com médicos que conheçam o histórico do paciente.

  2. Educação em saúde: Como aponta a SBD, levar o conhecimento aos profissionais da ponta é tão vital quanto garantir o acesso aos fármacos.

  3. Vigilância familiar: O cuidado começa em casa. Apoiar o familiar na mudança de hábitos e no autoexame diário, especialmente em regiões com menos acesso a especialistas, salva vidas.

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Fatores de risco e proteção

As 5 cidades com maior e menor percentual de diabetes

Maiores % % Menores %
Macapá 30,4 Goiânia 17,7
Porto Alegre 28,3 São Luís 18,5
Fortaleza 27,7 Vitória 19
Cuiabá 27,2 Palmas 19
Campo Grande 27 Belo Horizonte 20,7

 

Consumo Recomendado (≥5 porções, 5 dias da semana)
Maiores % Menores %
Florianópolis 27,5 Rio Branco 10,9
Belo Horizonte 26,8 Belém 12,6
Vitória 26,4 Salvador 13,3
São Paulo 25,7 Porto Velho 13,9
Curitiba 25,3 Fortaleza 15,1

 

Prevalência de diabetes nas capitais – Vigitel 2023

Maiores prevalências Menores prevalências
Capital/DF % Capitais/DF %
São Paulo 12,1 Rio Branco 5,6
Distrito Federal 12,1 São Luís 6
Porto Alegre 12 Porto Velho 6,6
Natal 11,8 Belém 6,9
Fortaleza 11,6 Boa Vista 6,9

Fonte: Obesidade e consumo de FVL (frutas, verduras e legumes) – Vigitel 2023

Especial Diabetes no Vida e Ação

A luta contra o diabetes no Brasil precisa ser equânime.Enquanto a ciência avança com novas terapias, o nosso maior compromisso com o leitor do VIDA E AÇÃO é cobrar e divulgar caminhos que tragam o cuidado para perto de quem mais precisa.

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Com informações da SBD

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