O surgimento de novos casos de sarampo no estado de São Paulo mudou o perfil do alerta sanitário no país. Nesta sexta-feira (26/6), o Ministério da Saúde e a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) confirmaram três novos diagnósticos da doença em bebês com idades entre 6 meses e 1 ano.
Ao contrário dos dois primeiros registros do ano (em março e abril), que foram importados de outros países, os novos infectados não possuem histórico de viagens recentes. Duas das crianças frequentavam a mesma creche na zona norte da capital paulista e a terceira reside na mesma região. Todas evoluíram para a cura.
Com essas confirmações, o estado de São Paulo soma cinco casos de sarampo em 2026. O cenário ativou medidas imediatas de contenção por parte do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE-SP), como a realização de vacinação de bloqueio em pessoas que tiveram contato com os pacientes e a intensificação das ações em locais de grande movimentação física, incluindo aeroportos, rodoviárias, estações de trem e metrô.
Apesar das notificações, o Ministério da Saúde esclarece que os novos casos possivelmente guardam relação indireta com a importação do vírus e, por isso, não afetam o status do Brasil como país livre do sarampo, título reconquistado em 2024.
O avanço do sarampo na Copa do Mundo 2026 e o risco global
O fluxo intenso de viagens internacionais devido à Copa do Mundo de 2026, iniciada em 11 de junho, eleva significativamente a probabilidade de reintrodução contínua do vírus no território nacional. Os três países que sediam o Mundial enfrentam surtos expressivos e alta circulação endêmica da enfermidade.
O Ministério da Saúde emitiu dados oficiais atualizados até 20 de junho de 2026 que revelam o tamanho do desafio sanitário na América do Norte:
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México: Saltou de apenas 7 casos em 2024 para 6.586 em 2025 e já atinge a marca alarmante de 11.771 casos em 2026.
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Estados Unidos: Registraram 2.288 casos em 2025 e já contabilizam 2.104 casos em 2026.
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Canadá: Computou 5.075 ocorrências no ano passado e soma 1.073 casos em 2026.
A diretora do CVE-SP, Tatiana Lang, alertou para a necessidade de prevenção ativa:
O risco de reintrodução do sarampo no Brasil, associado à ocorrência de casos nas Américas e ao fluxo internacional de viajantes, reforça a necessidade de manter a vacinação em dia. São Paulo atua de forma preventiva, com intensificação da vigilância e ampliação das ações de vacinação para proteger a população.”
Estratégia de urgência: a convocação da “dose zero”
Como resposta direta aos casos identificados na Grande São Paulo, o governo federal enviou cerca de 100 mil doses extras da vacina tríplice viral para os municípios de São Paulo e Guarulhos — este último incluído de forma estratégica por abrigar o Aeroporto Internacional, principal porta de entrada de passageiros vindos do exterior.
A orientação explícita é a aplicação imediata da dose zero em todas as crianças de 6 meses a 11 meses e 29 dias que residam ou circulem nessas duas cidades, assim como para os bebês dessa faixa etária que pretendem viajar para regiões de risco ou para os países da Copa.
Nota técnica importante: A dose zero funciona como uma barreira imunológica adicional e emergencial devido à vulnerabilidade dos bebês. Ela não substitui o Calendário Nacional de Vacinação. O esquema regular de rotina deve ser mantido obrigatoriamente mais tarde, com a primeira dose aplicada aos 12 meses (tríplice viral) e a segunda dose aos 15 meses (preferencialmente com a vacina tetraviral).
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Transmissão, sintomas e a urgência da cobertura vacinal
O sarampo destaca-se como um dos agentes virais mais contagiosos que existem. Sua dispersão ocorre por via aérea através de gotículas expelidas ao falar, tossir, respirar ou espirrar. O patógeno consegue infectar até 90% das pessoas sem imunidade que compartilhem o mesmo ambiente.
Os sintomas clínicos clássicos envolvem febre, tosse insistente, coriza, perda de apetite, dor de garganta e conjuntivite (olhos vermelhos, lacrimejantes e com sensibilidade à luz). Em seguida, manifestam-se as manchas vermelhas na pele (exantema), que surgem inicialmente no rosto e atrás das orelhas antes de tomarem o restante do corpo, podendo causar descamação semelhante a queimaduras.
Quando não prevenido, o sarampo pode evoluir para quadros de extrema gravidade, como cegueira, pneumonia, encefalite (inflamação aguda do cérebro) e óbito.
Atualmente, os índices de cobertura vacinal no estado de São Paulo encontram-se abaixo da meta ideal recomendada pelos órgãos de saúde para garantir a imunidade coletiva:
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Primeira dose: 85,32% de cobertura.
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Segunda dose: 72,06% de cobertura.
A vacinação gratuita permanece disponível em todas as unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) para a população de até 59 anos que não possua o comprovante vacinal ou esteja com o esquema incompleto. Pessoas de 1 a 29 anos necessitam de duas doses; adultos de 30 a 59 anos necessitam de ao menos uma dose registrada.
Com informações da Agência Brasil
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