O diagnóstico de câncer colorretal – popularmente conhecido como câncer de intestino – recebido em 2022, ainda durante a pandemia de Covid, e revelado só agora pelo ator Lúcio Mauro Filho aos 52 anos, chama atenção para uma doença que está entre os tipos mais comuns de câncer no Brasil e que tem preocupado especialistas pelo aumento de casos entre adultos mais jovens.

Durante participação no programa Alt Tabet, do Canal UOL, o ator contou que concluiu os tratamentos e que, até então, nunca havia falado publicamente sobre o diagnóstico. A descoberta da doença que levou à morte aos 50 anos a cantora Preta Gil e também os ex-jogadores Roberto Dinamite e Pelé e muitas outros famosos aconteceu durante um check-up realizado após uma Covid-19 mais intensa.

Eu tive uma Covid que foi meio pesadinha e, por causa dela, eu tive um pânico. Quando terminou esse tratamento pós-Covid, tinha que fazer um check-up pra ver se tudo melhorou”, relatou.

câncer colorretal (CCR) é um tumor maligno que se desenvolve no intestino grosso (cólon) ou no reto, geralmente a partir de pólipos adenomatosos. Pólipos são pequenas lesões que se formam na parede interna do intestino. A maioria é benigna, mas alguns tipos podem evoluir para câncer ao longo do tempo.

Tudo resolvido graças a um exame! Prevenção é tudo! Viva a vida!”, contou ele ao Portal VIDA E AÇÃO pelo instagram, destacando a importância da colonoscopia, exame que detecta o câncer de intestino e permite o seu tratamento antes que ele se desenvolva.

Diante da enorme repercussão do caso nas redes sociais, Lucio Mauro Filho gravou um vídeo e publicou em seu perfil pessoal para tranquilizar amigos, fãs e admiradores de seu trabalho, destacando o papel fundamental do diagnóstico precoce para o sucesso no tratamento. Veja aqui.

O segundo tipo de câncer mais comum entre homens e mulheres

O câncer colorretal pode evoluir durante anos antes de apresentar sinais mais evidentes. Apesar das altas chances de cura quando detectado precocemente, esse tipo de tumor muitas vezes é descoberto apenas em estágios mais avançados. Nas últimas décadas, sua incidência aumentou de forma expressiva, com o número de casos mais que duplicando entre 1990 e 2019.

Para Lucas Nacif, cirurgião do aparelho digestivo e membro titular do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva (CBCD). casos como o de Lúcio Mauro Filho também reforçam a importância da investigação médica e do acompanhamento adequado, já que a doença pode permanecer silenciosa por bastante tempo ou apresentar sintomas que acabam sendo atribuídos a problemas mais comuns.

Cada vez recebo mais pacientes jovens com diagnóstico de câncer no intestino no consultório, é preocupante”, destaca o médico.

Câncer colorretal: sinais silenciosos são o grande desafio

Segundo Dr Nacif, esse tipo de câncer geralmente se origina a partir de crescimentos anormais de células, evoluindo com pequenas lesões chamadas pólipos adenomatosos que podem se tornar cancerígenas ao longo do tempo.

O câncer colorretal pode se desenvolver por muitos anos sem causar sintomas visíveis. No entanto, à medida que o câncer cresce, podem ocorrer sinais e sintomas como mudanças nos hábitos intestinais, sangramento retal, dor abdominal, fraqueza e perda de peso inexplicada”, resume o cirurgião gastrointestinal.

O médico ainda esclarece que os estágios do câncer de intestino variam do estágio I, quando o câncer invadiu a parede do intestino, mas não através dela, até o estágio IV, quando o câncer se espalhou para órgãos distantes, como o fígado ou os pulmões.

Os principais sinais do câncer de intestino

câncer colorretal geralmente não causa sintomas nas fases iniciais ou pode provocar manifestações discretas, o que reforça a importância do diagnóstico precoce e do rastreamento. Quando presentes, os principais sinais e sintomas incluem:

  • Alteração persistente do hábito intestinal, como diarreia, prisão de ventre ou alternância entre ambos.
  • Fezes mais finas ou estreitas que o habitual.
  • Presença de sangue nas fezes, vermelho vivo ou escuro.
  • Dor, cólicas ou inchaço abdominal persistentes.
  • Sensação de evacuação incompleta.
  • Perda de peso sem causa aparente.
  • Fadiga persistente.
  • Anemia por deficiência de ferro, geralmente decorrente de sangramento intestinal crônico.

6 entre 10 casos estão ligados ao estilo de vida

Embora diversos fatores possam aumentar a probabilidade de desenvolver a doença, ainda não se conhece completamente suas causas específicas. Ele ressalta que os tumores na região geralmente se desenvolvem a partir de mutações genéticas que ocorrem em pólipos, lesões benignas do intestino.

Apesar de fatores genéticos desempenharem um papel importante, estima-se que 60 a 65% dos casos estejam relacionados a fatores ambientais e ao estilo de vida. Hábitos como o consumo excessivo de álcool, tabagismo, sedentarismo e excesso de peso também estão associados a um maior risco da doença.

De acordo com o cirurgião gastrointestinal, uma dieta pobre em frutas, vegetais e carnes magras, combinada com o consumo excessivo de carnes vermelhas e/ou processadas, pode aumentar o risco de desenvolvimento do câncer colorretal.

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Como é feito o diagnóstico

Segundo Dr, Nacif, a identificação precoce do tumor é fundamental, pois aumenta consideravelmente a eficácia do tratamento, alcançando taxas de cura acima de 90%. “Portanto, não se deve nunca negligenciar sinais suspeitos, mas sim buscar avaliação médica especializada”, resume.

O diagnóstico precoce da doença ocorre a partir de uma investigação minuciosa, utilizando exames clínicos, laboratoriais, endoscópicos ou radiológicos. No caso específico do câncer colorretal, o rastreamento pode ser conduzido através de dois principais exames: pesquisa de sangue oculto nas fezes e endoscopias, como colonoscopia ou retossigmoidoscopia.

O diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de cura do câncer colorretal. Além disso, em pessoas sem sintomas, o rastreamento permite identificar e remover lesões pré-cancerosas, reduzindo tanto a incidência quanto a mortalidade pela doença”, destaca o especialista.

A pesquisa de sangue oculto nas fezes, incluindo o teste imunológico fecal (FIT), pode ser utilizada como exame inicial de rastreamento. Quando o resultado apresenta alteração, é necessária investigação complementar, geralmente por colonoscopia.

Quem deve fazer a colonoscopia?

A colonoscopia é considerada o exame de referência para o diagnóstico e a prevenção do câncer colorretal, pois permite visualizar todo o intestino grosso, realizar biópsias e remover pólipos durante o próprio procedimento, interrompendo sua possível progressão para câncer.

Pessoas com histórico familiar de câncer colorretal ou síndromes hereditárias, como a síndrome de Lynch e a polipose adenomatosa familiar (PAF), podem necessitar de rastreamento mais precoce e acompanhamento individualizado.

No Brasil, o Inca recomenda que o rastreamento seja realizado em pessoas de risco habitual entre 50 e 75 anos, mesmo na ausência de sintomas. Algumas diretrizes internacionais recomendam o início aos 45 anos. A decisão deve considerar a orientação médica, os fatores de risco individuais e o acesso aos exames.

Pessoas com histórico familiar de câncer colorretal, doenças inflamatórias intestinais ou síndromes hereditárias podem precisar iniciar o rastreamento mais cedo e seguir um protocolo individualizado.

Câncer de intestino tem cura? Qual é o tratamento?

Quanto ao tratamento, o médico explica que varia de acordo com o estágio do tumor. Geralmente, a cirurgia é realizada para remover as partes do intestino afetadas pelo câncer. Em estágios mais avançados, a quimioterapia e a radioterapia podem ser necessárias. Em situações em que o câncer está avançando e crescendo rapidamente, tanto a radioterapia quanto a quimioterapia podem ser utilizadas para controlar o crescimento tumoral.

Lucas Nacif ressalta a importância de exames periódicos, principalmente em pessoas que já tiveram casos da doença na família, devido à possibilidade de predisposição hereditária, e de acompanhamento médico individualizado para definir o momento adequado do rastreamento. “A prevenção sempre será o melhor remédio, somado a uma alimentação equilibrada e vida saudável com atividade física”, finaliza o especialista.

O tratamento depende de diversos fatores, como o estágio da doença, a localização e as características do tumor, a presença de metástases, além do estado geral de saúde do paciente. As principais opções terapêuticas incluem:

  • Cirurgia, principal tratamento para a maioria dos tumores localizados.
  • Quimioterapia, utilizada antes ou após a cirurgia e nos casos de doença avançada.
  • Radioterapia, indicada principalmente para alguns casos de câncer de reto.
  • Terapias-alvo (terapias direcionadas), que atuam sobre alterações específicas das células tumorais.
  • Imunoterapia, indicada para um grupo selecionado de pacientes com determinadas características moleculares do tumor.
  • Uma equipe multidisciplinar, composta por médicos, enfermeiros, nutricionistas, psicólogos e outros profissionais de saúde, deve acompanhar o paciente durante todo o tratamento.

Câncer colorretal em números

Em 2020, o câncer colorretal foi responsável por mais de 1,9 milhão de novos casos e aproximadamente 935.000 mortes em todo o mundo, classificando-se como o terceiro câncer mais comum e a segunda principal causa de mortalidade relacionada ao câncer. Representa quase um décimo de todos os casos e mortes por câncer no mundo

No Brasil, segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca), são esperados cerca de 53.810 novos casos por ano no país durante o triênio vigente, sendo o segundo tipo de câncer mais incidente entre homens e mulheres quando excluídos os casos de câncer de pele não melanoma.

Com Assessorias – atualizado em 16/08/26

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