Por Adriana Stravo*
A taxa global de novos casos de câncer está aumentando devido ao envelhecimento da população mundial: 1 em cada 5 homens e 1 em cada 6 mulheres desenvolvem algum tipo de câncer ao longo da vida, resultando em 1 morte em cada 8 homens e 1 morte em cada 11 mulheres.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que de 30 a 40% dos casos de câncer podem ser atribuídos a fatores de risco relacionados ao estilo de vida, como tabagismo, consumo excessivo de álcool, dieta pobre em frutas e vegetais, inatividade física, sobrepeso e obesidade.
A OMS também destaca que o consumo excessivo de carne vermelha e processada está associado a cânceres como colorretal, pâncreas, próstata e estômago. A carne vermelha engloba opções como bovina, vitela, suína, cordeiro, carneiro e cabra, enquanto a carne processada passa por processos como salga, cura, fermentação, defumação, incluindo itens como presunto, salame, bacon e salsicha.
Os benefícios da dieta mediterrânea

Por outro lado, a atividade física regular e uma dieta estilo mediterrânea estão associadas a um risco reduzido de diversos tipos de câncer. A dieta mediterrânea caracteriza-se pela alta ingestão de alimentos de origem vegetal, como frutas, vegetais, cereais integrais, leguminosas (feijão, grão de bico, lentilha, ervilha), oleaginosas (nozes, castanhas, amêndoas) e sementes.
O azeite é a principal fonte de gorduras, enquanto produtos lácteos magros, peixes e aves são consumidos moderadamente, limitando-se o consumo de ovos a um máximo de quatro por semana. A carne vermelha é reservada para ocasiões especiais e consumida em pequenas quantidades.
Alimentos com efeitos antiinflamatórios

No estudo de 2014 sobre a ‘Dieta Mediterrânea Espanhola e o Risco de Câncer de Mama’, os autores destacaram o papel protetor do padrão alimentar mediterrâneo em relação ao risco de mortalidade pela doença. A ligação entre a ingestão alimentar e o câncer pode ser atribuída aos efeitos anti-inflamatório, antioxidante e de reparo do DNA atribuídos a alguns nutrientes. Estes incluem:
- Ácidos graxos ômega-3: Os ácidos graxos ômega-3, presentes em salmão, sardinha e cavala, oferecem benefícios à saúde, incluindo um efeito protetor contra o câncer. Os ácidos graxos eicosapentaenoico (EPA) e docosaexaenoico (DHA) são mediadores lipídicos importantes, associados à redução da inflamação e prevenção de doenças.
- Quercetina: É um pigmento flavonoide presente em várias frutas, vegetais e folhas como brócolis, cebola, maçã, pimentão, alcaparra, limão, uva e trigo sarraceno, possui propriedades antioxidantes e antitumorais. Estudos indicam que a quercetina pode proteger contra o câncer, agindo na morte de células cancerígenas, restauração de genes supressores de tumor e reversão de alterações epigenéticas associadas à ativação de oncogenes
- Epigalocatequina-3-Galato (EGCG): Encontrada no chá verde, tem sido extensamente estudada por seu potencial efeito protetor contra vários tipos de câncer em humanos. Comparado a outros chás, o chá verde contém a maior quantidade de compostos bioativos, pertencentes ao grupo dos polifenóis. A maioria dos dados experimentais indicou que os polifenóis têm a capacidade de modular diversas vias de sinalização, regulando o crescimento, a sobrevivência e a metástase de células cancerígenas em diversos níveis.
- Curcumina: A curcumina, usada como agente terapêutico e preventivo no câncer de mama, conta com amplo respaldo de evidências provenientes de estudos laboratoriais e com animais, destacando sua diversificada atividade biológica contra células tumorais. A administração simultânea de piperina pode aumentar significativamente a absorção, concentração sérica e biodisponibilidade da curcumina em humanos, podendo chegar a até 20 vezes
- Folato (vitamina B9): Alimentos como feijões, lentilhas, ervilhas, grão-de-bico, ovos e carne são ricos em folato (vitamina B9). Uma análise com 23 estudos prospectivos, envolvendo 41.516 casos de câncer de mama, indicou uma redução de 18% no risco de câncer de mama associada à ingestão de folato. Além disso, uma alta ingestão de folato mostrou uma associação inversa com o risco de câncer no útero, ovários e endometrial
- Vitamina B6: A vitamina B6, encontrada em alimentos como carnes, leite, ovos, aveia, banana, gérmen de trigo, abacate, levedo de cerveja, cereais, sementes e nozes, desempenha um papel crucial em diversas reações bioquímicas. Além disso, pode ter um papel importante na proteção contra a carcinogênese
- Licopeno: Diversos estudos em humanos têm observado uma associação entre a ingestão de licopeno, presente no tomate, e a redução do risco de câncer de próstata. Vale destacar que cozinhar ou assar os tomates pode aumentar a biodisponibilidade de licopeno.
*Adriana Stavro é nutricionista e atua como especialista em Doenças Crônicas não Transmissíveis (DCNT) pelo Hospital Israelita Albert Einstein. Mestre pelo Centro Universitário São Camilo, pós-graduada em Nutrição Clínica Funcional pelo Instituto Valéria Pascoal (VP) e EM Fitoterapia pela Courses4U. possui formação em Medicina do Estilo de Vida pela Universidade de Harvard Medical School. Instagram – @adrianastavronutri – Mais informações https://lattes.cnpq.br/




