‘Sigo vivendo’, diz corredora com câncer de mama metastático

Gaúcha corre há 5 anos contra a doença. ‘Vou tratar pra sempre, essa é minha realidade. Um dia de cada vez, planejando e sonhando a curto prazo’

Em 2019, Claudia Lague, que já era apaixonada por corrida de rua, iniciava sua corrida contra o câncer de mama (Fotos: Acervo pessoal)
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Ela é sinônimo de coragem e inspiração para muitas pessoas que pensam que chegaram ao ‘fim da linha’, seja qual for o motivo, e desistem de lutar. Há quase cinco anos, a gaúcha Cláudia Lague, 39, corre, literalmente, contra o tempo e contra o câncer, com ajuda da corrida e da musculação.

Claudia Lague, na Meia Maratona de Porto Alegre, em junho de 2023 (Fotos: Acervo pessoal)
Meia Maratona Internacional de Porto Alegre, junho de 2019, pouco antes da confirmação do seu diagnóstico (Fotos: Acervo pessoal)

Diagnosticada em junho de 2019, aos 34 anos, com um tumor nas mamas, em estágio avançado, Cláudia descobriu posteriormente, uma metástase óssea. Passou por radioterapia e cirurgia e segue em tratamento, alcançando sucessivas vitórias e batendo suas próprias marcas de superação. A meta é uma só: viver!

Neste vídeo, gravado para a Fundação Tigerlly, nos Estados Unidos, Cláudia conta como descobriu o câncer de mama, desfaz mitos em torno da doença em pacientes mais jovens e como a atividade física tem ajudado em seu tratamento. “Hoje é tudo mais lento, mas mesmo assim, estou fazendo”, conta. “Provei pra mim mesma que eu era forte”.

Cláudia também participou da série ‘Vitórias’, uma reportagem especial do Globo Esporte sobre mulheres que enfrentam o câncer de mama com apoio de atividades esportivas. Assim como outras atletas, ela encontra na dedicação aos esportes uma maneira de se fortalecer para as batalhas diárias do tratamento.

No seu instagram, Cláudia também traz relatos de sua rotina. No último dia 15 de fevereiro, por exemplo, ela comemorava os seis primeiros meses da cirurgia de mama bilateral, durante procedimento ambulatorial para receber o ácido zoledrônico, medicação injetável que recebe a cada trimestre! E assim ela segue, um dia de cada vez, e sempre confiante.

“Busco me desafiar em provas de corrida de rua competindo comigo mesma”, diz Claudia, que se tornou voluntária do Instituto Oncoguia, apoiando outras pessoas que enfrentam o tratamento oncológico nas redes sociais.

Veja mais sobre a história incrível de superação, em depoimento exclusivo ao Portal ViDA & Ação.

SuperAção

‘Através do voluntariado, me sinto curada da alma’

Por Claudia Lague*

Até junho de 2019 tinha uma rotina normal de trabalho, casa, academia e treino de corrida. Estava treinando pra correr uma meia maratona aqui na minha cidade, Porto Alegre (RS). Há uns meses notava que minha mama esquerda estava com um formato diferente.

Fui num ginecologista que. ao examinar. não percebeu nada de diferente e eu confiei. Mas foi piorando e consegui encontrar minha antiga ginecologista que, com extrema urgência, me encaminhou para imagens e biópsia.

Chegou a data da maratona Internacional de Porto Alegre e resolvi correr, pois estava com todo ciclo de treinamento pronto e sabia que concluir a prova me deixaria forte pra encarar tudo o que estava por vir. E foi assim mesmo que aconteceu.

‘O médico entrou na minha vida dizendo que eu continuava sendo eu’

Recebi o diagnóstico de câncer de mama bilateral aos 34 anos. Com as biópsias em mãos, uma amiga levou para um oncologista de confiança dela analisar os laudos. O Dr. Lorandi entrou na minha vida me dizendo que eu continuava sendo eu, independentemente do câncer.

Depois de análises e reanálises e mais exames de imagens para estadiamento do câncer descobrimos que já tinha metástase óssea. Suspendemos a quimioterapia, vamos pra radioterapia e logo após iniciei o protocolo de bloqueio hormonal juntamente com inibidor de ciclina Ribociclibe. Após oito meses de tratamento, na segunda reavaliação de controle através do exame de pet CT, veio o melhor resultado possível: resposta completa nas lesões de metástase.

A partir do momento que me vi com tantas coisas boas acontecendo, apesar de todo o peso do tratamento, comecei a sentir a necessidade de compartilhar a minha jornada nas redes sociais. E com isso passei a conversar com pessoas do mundo inteiro, pacientes que me encontram pelas hashtags que uso em minhas postagens no Instagram.

Vou tratar pra sempre, essa é minha realidade hoje’

#Mamasjovensimportam: Claudia Lague na primeira campanha Outubro Rosa de que participou em 2020 (Foto: Acervo pessoal)

Em 2022 me desafiei a entrar pro time de voluntários do Instituto Oncoguia e essa experiência tem sido mágica, pois através do voluntariado me sinto curada da alma. Quatro anos após iniciar o tratamento, com o ótimo resultado do tratamento, avaliamos a possibilidade de realizações de cirurgia mamária e foi o que acorreu em agosto de 2023.

Estou curada? Não. Sigo em tratamento? Sim. Vou tratar pra sempre, essa é minha realidade hoje. E a vida enquanto isso tudo? Sigo vivendo! Um dia de cada vez, planejando e sonhando a curto prazo.

Continuo praticando atividade física regularmente focando na musculação e na corrida de rua. Hoje eu busco me desafiar em provas de corrida de rua competindo comigo mesma. Acredito que ao compartilhar minha jornada como paciente e esportista eu posso mostrar a outras pessoas que podemos alcançar nossos sonhos e seguir em frente, mesmo estando tratando uma doença grave.

Cláudia Lague, de 39 anos, é moradora de Porto Alegre, corredora e voluntária do Instituto Oncoguia. Siga no Instagram

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