A demência não faz parte do envelhecimento normal. Mas a maior parte dos casos ocorre após os 60 anos. A condição é mais presente no diagnóstico de Alzheimer. No Brasil, estima-se que 1,7 milhão de pessoas vivam com a doença, enquanto os casos globais ultrapassam 55 milhões. Uma estimativa que pode chegar a 139 milhões até 2050 devido ao envelhecimento populacional, segundo a Alzheimer’s Disease International.
Conhecido como Setembro Lilás, o Mês Mundial da Doença de Alzheimer traz à tona um alerta fundamental sobre uma das enfermidades neurodegenerativas mais prevalentes na população idosa. Celebrado em setembro, com foco no Dia Nacional e Mundial de Conscientização da Doença de Alzheimer (21 de setembro), o período reforça a importância de combater o preconceito, reconhecer os primeiros sinais e buscar um diagnóstico precoce.
O combate ao estigma e à exclusão social

De acordo com a Academia Brasileira de Neurologia (ABN), a falta de informação ainda é uma das principais barreiras no enfrentamento da doença. O preconceito associado às limitações cognitivas isola os pacientes e impede que suas famílias busquem ajuda em estágios iniciais, quando as intervenções são mais efetivas.
A neurologista Renata Faria Simm, da Imuno Brasil, destaca que a conscientização reduz barreiras e promove qualidade de vida por meio da rede de apoio:
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Incompreensão do sofrimento: O próprio paciente percebe o declínio inicial, o que traz angústia e muitas vezes adia a busca por diagnóstico.
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Impacto social: De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o estigma gera discriminação e vergonha, afastando o indivíduo de atividades sociais e terapias de controle.
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Prejuízo ao tratamento: A exclusão e o medo do julgamento dificultam a adesão a rotinas de cuidado e aceleram a perda da independência.
A coordenadora do Departamento Científico de Neurologia Cognitiva e do Envelhecimento da ABN, Elisa de Paula França Resende, reforça que a identificação oportuna transforma a rotina do paciente e de seus familiares:
O diagnóstico precoce é fundamental. Embora ainda não haja cura para o Alzheimer, o reconhecimento dos sinais de alerta permite o início de tratamentos que podem retardar a progressão dos sintomas, proporcionando mais qualidade de vida ao paciente e a sua família”, afirma a neurologista.
Dez sinais de alerta para a doença de Alzheimer

O Alzheimer representa de 50% a 80% dos casos de demência mundialmente. A progressão neurodegenerativa afeta a capacidade de realizar atividades simples do dia a dia. Identificar os sintomas iniciais é crucial para otimizar o manejo da doença.
A ABN elenca dez manifestações iniciais que exigem atenção dos familiares e cuidadores:
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Perda de memória recente e esquecimentos frequentes (como compromissos ou locais de objetos).
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Dificuldade no planejamento, resolução de problemas e cálculos simples ou na execução de tarefas habituais.
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Alterações na linguagem e na capacidade de comunicação (dificuldades para nomear objetos conhecidos).
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Desorientação no tempo e no espaço.
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Diminuição ou perda da capacidade de juízo e crítica.
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Dificuldades com o raciocínio e o pensamento abstrato.
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Guardar objetos fora dos locais habituais com frequência.
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Mudanças repentinas de humor, comportamento ou personalidade.
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Alterações marcantes na personalidade.
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Perda de iniciativa para o trabalho ou atividades sociais.
Opções terapêuticas e suporte no SUS
O Alzheimer é uma patologia neurodegenerativa e progressiva caracterizada pelo acúmulo de proteínas anormais no tecido cerebral. Embora ainda não existam tratamentos curativos, a intervenção precoce minimiza o impacto dos sintomas e ajuda a conter o ritmo de progressão.
O neurologista Tiago Sowmy, do Hospital Edmundo Vasconcelos, explica que identificar o quadro no início reduz a ansiedade familiar e permite organizar estratégias eficientes de cuidado. Ele ressalta ainda que o estresse crônico é um fator de risco para a demência, enquanto a prática regular de exercícios físicos, atividades sociais e uma boa higiene do sono atuam como fatores protetores da reserva cognitiva.
O neurologista Victor Calil, do Rio de Janeiro, ressalta que o avanço nos exames reforça a necessidade de reconhecer precocemente as falhas de memória fora do padrão:
Por isso é tão importante a gente dar a arma da informação para a população, para mostrar como reduzir ao máximo a chance de essa doença aparecer e para conscientizar a buscar auxílio médico assim que houver sinais de um esquecimento anormal – afinal, hoje um diagnóstico precoce pode, de fato, mudar a evolução do quadro”, orienta o médico.
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Tratamento gratuito pelo SUS
O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece gratuitamente medicamentos para o controle sintomático da enfermidade. A abordagem farmacológica deve ser integrada a terapias não farmacológicas essenciais para manter a funcionalidade do paciente:
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Estimulação cognitiva e social: Atividades que estimulam o cérebro e preservam a autonomia.
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Atividade física e fisioterapia: Práticas regulares para manter o equilíbrio, a coordenação motora e diminuir o estresse.
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Acompanhamento multiprofissional: Suporte contínuo para suporte em tarefas cotidianas e reabilitação da comunicação.
Avanços em exames e o panorama dos tratamentos
A medicina tem avançado em formas de identificar a doença de maneira menos invasiva. Além da tradicional avaliação clínica, a investigação do Alzheimer vem incorporando novas ferramentas tecnológicas para detectar alterações cerebrais de forma cada vez mais precoce.
Recursos como análise do líquido cefalorraquidiano (líquor) e tomografia por emissão de pósitrons (PET) passam a integrar a investigação em casos selecionados, sempre sob orientação médica e de acordo com as necessidades de cada paciente. Exames de sangue baseados em espectrometria de massas já conseguem avaliar os níveis das proteínas beta-amiloide 42 e 40, importantes biomarcadores da patologia.
O médico especialista em anatomia patológica e genética Cristovam Scapulatempo Neto, do Delboni Medicina Diagnóstica (Dasa), ressalta que o teste sanguíneo complementa — mas não substitui — a avaliação clínica completa, exames de imagem (como ressonância magnética) e a análise do líquido cefalorraquidiano via punção lombar.
Embora pesquisas busquem terapias para remover o acúmulo de proteína beta-amiloide no tecido cerebral, não há medicações definitivas com eficácia comprovada fora do ambiente de pesquisa clínica. Por isso, a orientação médica é evitar tratamentos alternativos sem respaldo científico e focar no acompanhamento multiprofissional para retardar o avanço dos sintomas e garantir dignidade ao paciente.
Setembro Lilás: Mobilização nacional marca o Dia Mundial do Alzheimer
Para sensibilizar a sociedade sobre essa realidade, o mês de setembro ganha a cor lilás em uma mobilização liderada pela Academia Brasileira de Neurologia (ABN), em parceria com a Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz) e a Federação Brasileira das Associações de Alzheimer (Febraz).
A campanha culmina no Dia Mundial e Nacional de Conscientização da Doença de Alzheimer (21 de setembro), promovendo caminhadas, atividades físicas e orientações educativas em diversas capitais do país para combater o estigma e alertar sobre o diagnóstico precoce.
Para aproximar a população de informações qualificadas sobre prevenção, diagnóstico e tratamento, a ABN realiza no dia 20 de setembro uma grande mobilização em sete capitais brasileiras:
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Rio de Janeiro: Aterro do Flamengo, das 8h às 12h.
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São Paulo: Avenida Paulista (em frente ao prédio da Fiesp), das 9h às 12h.
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Belo Horizonte: Parque Ecológico da Pampulha, das 8h às 12h.
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Porto Alegre: Parque Moinhos de Vento (Parcão), das 8h às 12h.
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João Pessoa: Orla, das 8h às 12h.
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Recife: Campus da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), das 7h às 11h.
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Fortaleza: Avenida Beira-Mar (Praia de Iracema), das 7h às 11h.
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