A segurança dos pacientes internados no Brasil ganha um reforço histórico e decisivo. Sancionada no início de julho pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, a Lei nº 15.448/2026 tornou obrigatória a implementação de protocolos permanentes de prevenção ao tromboembolismo venoso (TEV) em todos os hospitais públicos, privados e unidades de saúde com serviços de internação do país..
A legislação busca conter a principal causa de morte evitável em ambiente hospitalar, reforçando que o cuidado com a vascularização deve ser mantido tanto na rotina médica quanto nas escolhas do dia a dia. A medida foi amplamente celebrada por entidades como a Sociedade Brasileira de Trombose e Hemostasia (SBTH) e a Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV). E ganha ainda mais destaque durante a campanha Agosto Abril Vermelho, de conscientização sobre as doenças vasculares.
O tromboembolismo venoso abrange duas condições graves e interligadas: a trombose venosa profunda (TVP) — formação de coágulos de sangue em veias profundas, em especial nos membros inferiores — e a embolia pulmonar (EP), que ocorre quando esse coágulo se solta, ganha a corrente sanguínea e bloqueia os vasos dos pulmões.
A complicação figura hoje como a terceira principal causa de morte cardiovascular no mundo e a principal causa evitável de óbito dentro do ambiente hospitalar. Estima-se que cerca de 60% de todos os episódios de TEV registrados globalmente estejam diretamente associados ao período de internação.
De recomendação médica a um dever institucional
A nova legislação entra em vigor em 180 dias. A medida estabelece que as ações de profilaxia sejam incorporadas à rotina assistencial, podendo ser conduzidas e monitoradas pelos Núcleos de Segurança do Paciente já existentes.
Embora diretrizes clínicas nacionais e internacionais já orientassem o controle de riscos, a aplicação de medidas preventivas ainda ocorria de forma desigual pelos hospitais brasileiros. O repouso prolongado no leito, a redução do fluxo sanguíneo nas pernas, cirurgias de grande porte, quadros de infecção grave, idade avançada e episódios de trauma elevam significativamente o risco de formação de trombos.
Com a nova lei, todas as instituições hospitalares passam a ter o dever legal de realizar a estratificação de risco logo na admissão do paciente, implantar protocolos padronizados, treinar as equipes multidisciplinares e realizar auditorias periódicas dos resultados. Para que a nova lei cumpra plenamente sua função, a SBTH e a SBACV atuarão junto a gestores hospitalares e autoridades de saúde para apoiar a implementação dos protocolos e garantir treinamento contínuo das equipes médicas e de enfermagem em todo o país.
Professora titular da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, onde coordena o Centro de Doenças Tromboembólicas do Hemocentro, a hematologista Joyce M. Annichino, presidente da Sociedade Brasileira de Trombose e Hemostasia (SBTH), avalia a nova legislação.
Esta é uma conquista de grande relevância para a saúde pública brasileira. A prevenção do tromboembolismo venoso em pacientes internados precisa ser tratada como uma prática sistemática de segurança assistencial. Quando o risco é identificado corretamente e as medidas preventivas são adotadas de forma adequada, é possível evitar complicações graves, reduzir mortes e melhorar a qualidade do cuidado oferecido aos pacientes”, afirma
A avaliação de Edwaldo Joviliano, presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), reforça a relevância da obrigatoriedade:
A principal contribuição da nova lei é estabelecer que a prevenção da trombose faça parte da rotina dos hospitais. Não estamos falando de uma doença rara ou imprevisível. Na maioria das vezes, conseguimos identificar quem apresenta maior risco e adotar medidas capazes de evitar complicações potencialmente fatais. O desafio é fazer com que essa avaliação aconteça para todos os pacientes elegíveis.”
Medidas práticas e o risco após a alta hospitalar
A prevenção do TEV no ambiente hospitalar envolve estratégias simples, seguras e baseadas em evidências científicas:
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Mobilização precoce e fisioterapia: Estimular o paciente a se movimentar ou caminhar assim que houver indicação médica;
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Métodos mecânicos: Uso de meias de compressão elástica e dispositivos de compressão pneumática intermitente para reativar o fluxo venoso nas pernas;
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Métodos farmacológicos: Prescrição de medicamentos anticoagulantes profiláticos para pacientes classificados como de médio ou alto risco;
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Hidratação adequada: Manter o aporte hídrico adequado para evitar o espessamento do sangue.
Especialistas alertam, contudo, que o risco de trombose não desaparece no momento em que o paciente recebe alta. O cirurgião vascular Adilson Ferraz Paschoa, membro da Comissão de Tromboembolismo Venoso da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular Regional São Paulo (SBACV-SP), enfatiza a necessidade de atenção contínua nas semanas seguintes ao retorno para casa:
A chance de desenvolver tromboembolismo venoso permanece elevada por três meses ou até mais após uma internação, sendo ainda maior nas primeiras três semanas. Por isso, o paciente e seus familiares devem permanecer atentos aos sinais de alerta mesmo quando já estiverem em casa.”
Frio reduz circulação sanguínea e eleva risco de trombose
Baixas temperaturas provocam vasoconstrição e potencializam dores, inchaço e varizes
As temperaturas mais baixas nesta época do no exigem atenção redobrada com o sistema circulatório. No inverno, a combinação do frio com mudanças repentinas de comportamento — como a redução da atividade física e a menor ingestão de água — pode comprometer a circulação sanguínea, agravar sintomas em quem tem varizes e aumentar o risco de eventos graves, como a trombose venosa profunda (TVP).
O corpo humano adota um mecanismo natural de defesa durante o frio que afeta diretamente os vasos. As baixas temperaturas provocam vasoconstrição, que é o estreitamento dos vasos sanguíneos para preservar o calor corporal. Esse processo dificulta a circulação, especialmente nos membros inferiores, intensificando dores, sensação de peso, inchaço, cãibras e desconforto nas pernas”, explica o angiologista, cirurgião vascular e endovascular Joé Sestello.
5 orientações essenciais para proteger a saúde vascular nas baixas temperaturas
Para evitar o surgimento de complicações e conter o agravamento de doenças circulatórias crônicas, o Dr. Joé Sestello elenca cinco fatores decisivos de prevenção durante a temporada fria:
1. Entenda os impactos do frio nas pernas
Pessoas que possuem diagnóstico de varizes, insuficiência venosa crônica ou problemas arteriais sentem uma piora acentuada dos sintomas com a queda de temperatura. A vasoconstrição diminui o calibre dos vasos e sobrecarrega a circulação periférica.
2. Combata o sedentarismo de inverno
O hábito de passar mais tempo deitado ou sentado no frio prejudica o retorno venoso, que depende do estímulo dos músculos da panturrilha. A imobilidade favorece o represamento de sangue e a formação de coágulos nas veias profundas. Caminhadas curtas, alongamentos periódicos e pausas para se movimentar ao longo da jornada de trabalho são essenciais para manter o fluxo ativo.
3. Mantenha a hidratação mesmo sem sede
No inverno, o mecanismo da sede é menos acionado, levando as pessoas a beberem menos água. A baixa ingestão hídrica eleva a viscosidade do sangue, tornando-o mais espesso e lento, o que facilita o aparecimento de trombos. A hidratação contínua é indispensável em qualquer estação do ano.
4. Reconheça os sinais de alerta e emergência
Sintomas de surgimento repentino necessitam de assistência médica imediata. Inchaço acentuado em apenas uma das pernas, dor forte, vermelhidão ou sensação de calor no local são indícios característicos de trombose venosa profunda. Caso haja dor no peito, falta de ar súbita ou tosse involuntária, a suspeita é de embolia pulmonar — quadro de extrema gravidade que exige ida urgente ao pronto-socorro.
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Trombose Venosa Profunda (TVP): Dor súbita, inchaço persistente, rigidez ou sensação de queimação na perna ou na panturrilha, acompanhados ou não de vermelhidão e calor local.
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Embolia Pulmonar (EP): Falta de ar repentina, dor aguda no peito ao respirar fundo, aceleração dos batimentos cardíacos, tontura ou tosse com sangue. Diante destes sintomas, busque atendimento médico imediato em um pronto-socorro.
5. Grupos de risco devem redobrar o acompanhamento
Idosos, gestantes, pessoas com obesidade, fumantes, hipertensos, diabéticos ou indivíduos com colesterol elevado e histórico familiar de doenças vasculares precisam manter acompanhamento médico regular.
Profissionais que trabalham muitas horas sentados ou em pé na mesma posição também integram o grupo de vulnerabilidade e devem considerar o uso de meias de compressão mediante orientação do angiologista ou cirurgião vascular.
Com Assessorias





