Para evitar que as viagens de brasileiros para os jogos da Copa do Mundo se tornem uma brecha para a reintrodução do sarampo no Brasil, o Ministério da Saúde lançou nesta quarta-feira (29) a campanha Vacinar é muito Brasil. A ação convoca todos os viajantes a atualizarem suas cadernetas antes do embarque para os países que vão receber a competição, Estados Unidos, Canadá e México. Juntos, os três concentram 67% dos casos de sarampo registrados nas Américas nos últimos anos.
O lançamento da campanha ocorreu na sede do projeto social Gol de Letra, no Rio de Janeiro, com a participação do tetracampeão mundial Raí, de 60 anos, um dos fundadores da instituição, reconhecida nacionalmente por seu trabalho social e educacional, com atuação voltada a crianças e jovens. O Zé Gotinha também esteve presente – e, dessa vez, com a camisa da seleção canarinho. 

Durante o lançamento da campanha, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, esclareceu que o foco é nos viajantes internacionais neste momento, considerando o risco que os surtos em outros países representam.  “Primeiro esse público que está indo para Copa, porque são os três países que têm explosão de casos de sarampo no continente americano”, ressaltou.

Aqui no Brasil a gente está fazendo uma campanha muito intensa com todo mundo que tem contato com turistas, trabalhadores de hotéis e restaurantes, motoristas de aplicativo e de transporte coletivo para continuar com a nossa defesa firme”, completou.

Todas as pessoas de 1 a 59 anos devem ser vacinadas

Apesar da preocupação especial com os viajantes, o ministro da Saúde salientou que todas as pessoas de 1 a 59 anos que não tiverem comprovante de vacinação devem procurar uma unidade de saúde. “O sarampo é o vírus que mais transmite entre os seres humanos. A vacina é para todos os brasileiros“, ressaltou. Padilha também reforçou a segurança do imunizante produzido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Eu sou médico infectologista e sou pai de uma criança de 11 anos anos de idade. Eu não vacinaria minha filha se eu não tivesse confiança na qualidade, na segurança e na importância da vacina contra o sarampo e de todas as vacinas que estão no SUS. Nós estamos vencendo o jogo contra o negacionismo e derrotando a turma da antivacina”.

O ministro também lembrou que o Brasil já havia se tornado área livre da doença em 2016, mas perdeu o certificado de área livre em 2019, após novos surtos que começaram com casos importados. “Começou a ter campanha contra a vacina, teve corte nos investimentos na área da saúde, redução das coberturas vacinais, e só recuperamos em 2023”, alertou.

Estamos vencendo o jogo contra o negacionismo e derrotando a turma antivacina”, diz o ministro

Leia mais

Alerta para risco de aumento de casos de sarampo após a Copa
Sarampo: jovem de 22 anos sem vacina é primeira infectada no Rio
Sarampo: primeiro caso em SP acende alerta para reintrodução do vírus
Sarampo: alerta máximo após explosão de casos nas Américas

Brasil registrou três mortes por sarampo em 2026

Em 2026, até o dia 11 de abril. foram confirmadas cerca de 17 mil infecções nas Américas, sendo mais de 10 mil no México, 1.792 nos Estados Unidos e 907 no Canadá. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas),  14.767 registros de sarampo foram confirmados em 13 países das Américas.

Outro país em surto é a Guatemala. O caso de um guatemalense de 42 anos foi identificado no final de março, na cidade de São Paulo, e depois confirmado por exames laboratoriais e divulgado pela Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo na terça-feira (28/4).  O estado de saúde do paciente não foi informado.

Este é o segundo caso importado de sarampo, ou seja, sem transmissão local do vírus, identificado no estado de São Paulo em 2026. O primeiro caso do ano foi o de um bebê de seis meses que não foi vacinado e esteve na Bolívia em janeiro. Dessa vez, a vítima da Guatemala tinha histórico de vacinação.   Em todo o ano passado foram registrados dois casos importados da doença em São Paulo.

Outro caso de sarampo confirmado este ano no Brasil é o de uma jovem do Rio de Janeiro, que trabalha em um hotel com grande trânsito de turistas internacionais. Apesar dos três casos confirmados pelo Ministério da Saúde, o Brasil mantém o status de país livre da doença, reconquistado em 2024, apesar de casos esporádicos registrados.

Imunizante também protege contra caxumba e rubéola

O imunizante contra o sarampo é a vacina tríplice viral, que previne também a caxumba e a rubéola. No caso de quem vai viajar, o ideal é tomar a vacina pelo menos 15 dias antes do embarque, para garantir a chegada com o máximo de proteção.

Há duas semanas, o ministério instituiu outras adaptações para garantir a proteção desse público. Os bebês de 6 meses a 11 meses devem receber a chamada “dose zero“, uma vacina extra antes da idade normal de imunização. Já pessoas entre 12 meses e 29 anos devem receber duas doses, com intervalo de um mês entre elas.

Adultos de 30 a 59 anos só precisam de uma dose. Os idosos normalmente não recebem a vacina, porque provavelmente já tiveram contato com o vírus selvagem ao longo da vida e desenvolveram imunidade. Mas podem ter acesso se forem viajar para as áreas de risco e estejam bem de saúde.

Sarampo: entenda os sintomas

O sarampo é uma doença infecciosa altamente contagiosa e que já foi uma das principais causas de mortalidade infantil no mundo. A transmissão do vírus ocorre de pessoa a pessoa, por via aérea, seja ao tossir, espirrar, falar ou respirar. A doença é tão contagiosa que uma pessoa infectada pode transmitir o vírus para 90% das pessoas próximas e que não estejam imunes.

Os principais sintomas da doença são manchas vermelhas no corpo e febre alta, acima de 38,5ºC, acompanhada de tosse, conjuntivite, nariz escorrendo ou mal-estar intenso. Os casos podem evoluir para complicações graves podendo causar diarreia intensa, infecções de ouvido, cegueira, pneumonia e encefalite (inflamação do cérebro).

Algumas dessas complicações podem ser fatais. “O sarampo é uma doença que pode progredir como uma espécie de pneumonia e gerar internação e óbito, como nós tivemos quando voltou a ter surto no Brasil”, disse o ministro da Saúde.

Por isso, a vacinação contra o sarampo é extremamente importante. A vacinação é a principal forma de prevenção contra a doença. A vacinação contra o sarampo faz parte do Calendário Nacional de Vacinação. A primeira dose deve ser aplicada aos 12 meses de idade (tríplice viral – sarampo, caxumba e rubéola) e a segunda aos 15 meses (tetra viral – sarampo, caxumba, rubéola e varicela).

Fonte: Ministério da Saúde

 

Shares:

Posts Relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *