Agosto Dourado traz marcas importantes e um alerta contínuo para a saúde pública no estado do Rio de Janeiro. Sob o tema “Amamentação para um começo de vida sustentável: fortaleça o que funciona”, o aleitamento materno exclusivo até os seis meses — mantido com alimentação complementar até os dois anos ou mais, segundo recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde — é celebrado por seu papel fundamental no fortalecimento da imunidade e na proteção contra doenças respiratórias e diarreias.
Na capital e na Baixada Fluminense, iniciativas da Universidade Veiga de Almeida (UVA), da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) e da Maternidade Escola da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) unem dados inéditos, serviços práticos e atendimento especializado para apoiar gestantes e nutrizes.
Capital fluminense tem crescimento de 13,7% na coleta, mas número de doadoras cai
Um levantamento realizado pela Universidade Veiga de Almeida (UVA), a partir de dados da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (rBLH-BR/Fiocruz), revela que o município do Rio de Janeiro registrou uma alta de 13,7% na coleta e de 22,6% na distribuição de leite humano nos primeiros seis meses de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Ao todo, 18 unidades da capital integradas à rede coordenada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) participaram do balanço:
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Volume coletado: Subiu de 2.773,5 litros (1º semestre de 2025) para 3.153,6 litros no 1º semestre de 2026.
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Volume distribuído: Passou de 1.626,8 litros para 1.994,6 litros para recém-nascidos internados em UTIs neonatais.
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Bebês atendidos: Alcançou 1.968 recém-nascidos (alta de 3,3%).
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Total de doadoras: Apesar da alta no volume total, o número de mulheres doadoras cadastradas teve uma queda de 7,4% no município (passando de 3.915 para 3.624), reforçando a necessidade contínua de atração de novas voluntárias.
O aumento no volume coletado e distribuído mostra a importância da conscientização e o impacto direto dessa rede no cuidado neonatal. Apenas um litro de leite doado pode alimentar até dez recém-nascidos, dependendo da necessidade de cada bebê”, ressalta a enfermeira Abilene Gouvêa, professora de Enfermagem da UVA e coordenadora do Banco de Leite do Núcleo Perinatal do Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe-Uerj).
A capital conta com bancos e postos de coleta em bairros como Centro, Flamengo, Barra da Tijuca, Bangu, Campo Grande, Vila Isabel, Madureira, Lins de Vasconcelos, Bonsucesso, Triagem, Anil e São Cristóvão. A UVA mantém ainda uma Sala de Apoio à Amamentação no Campus Tijuca (Rua Ibituruna, 108, de segunda a sexta, das 8h às 20h), que apoia alunas, trabalhadoras e moradoras na retirada e doação direcionada ao Hupe-Uerj.
SES-RJ faz apelo para o Banco de Leite do HMulher e recolhe doações em casa
Enquanto a capital apresenta avanço nos volumes, a Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) alerta que os estoques do Banco de Leite Materno do Hospital Estadual da Mulher Heloneida Studart (HMulher), em São João de Meriti, estão abaixo do esperado e necessitam urgentemente de novas doadoras.
A unidade, que atende bebês prematuros e de baixo peso internados na Baixada Fluminense, realiza todo o processo de pasteurização do leite doado de acordo com as diretrizes do Ministério da Saúde. Para facilitar a adesão das mães, a SES-RJ oferece um serviço de coleta em domicílio que atende moradoras de toda a Baixada Fluminense e da Capital:
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Inscrição por WhatsApp: A puérpera saudável e com sobra de leite entra em contato pelo número (21) 96870-7064.
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Avaliação: A doadora envia os resultados dos exames pré-natais mais recentes para análise da equipe.
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Retirada no domicílio: Um veículo do Hospital da Mulher vai até a residência da mãe para entregar o kit de coleta esterilizado (com toucas, luvas, potes de vidro e etiquetas) e agendar o recolhimento do leite congelado.
A SES-RJ ressalta que a grande maioria das mulheres é capaz de amamentar, mas orienta que aquelas que encontrarem dificuldades com dor, pega incorreta ou fissuras procurem orientação técnica nos Bancos de Leite Humano para evitar o desmame precoce.
Maternidade Escola da UFRJ oferece oficinas e laserterapia gratuita na Zona Sul
Também integrando a programação do Agosto Dourado no estado, a Maternidade Escola do Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ME-CH-UFRJ), em Laranjeiras, realiza durante todo o mês diversas atividades gratuitas.
A unidade oferece oficinas de preparação para a amamentação voltadas a gestantes e familiares, rodas de conversa diárias, demonstrações de pega e posicionamento, além de acompanhamento especializado via telessaúde e consultas presenciais pós-alta na Sala de Amamentação.
A consulta é realizada caso a mãe ou bebê apresentem dificuldades no manejo clínico da amamentação ou alguma complicação mamária. Realizamos a avaliação física da mamada e das mamas e, quando necessário, utilizamos a laserterapia para acelerar o processo de cicatrização em fissuras mamárias”, detalha Sandra Valesca de Sousa, chefe da Unidade da Saúde da Criança e do Adolescente da ME-CH-UFRJ.
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Endereço: Rua das Laranjeiras, 180 – Laranjeiras, Rio de Janeiro – RJ.
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Atendimento: Gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS), via regulação municipal.
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