A Semana Mundial do Aleitamento Materno (SMAM) reforça anualmente a importância da amamentação para a saúde de mães e bebês. Recomendado de forma exclusiva pela Organização Mundial da Saúde (OMS) nos primeiros seis meses de vida, o leite humano é o alimento mais completo para o desenvolvimento infantil, dispensando a oferta de água ou qualquer outro complemento nesse período inicial.
Segundo a nutricionista Michelle Ferreira, do Instituto Nutrindo Ideais, especialista em saúde da mulher e fertilidade, o aleitamento materno exclusivo reduz em 13% a mortalidade de crianças de até cinco anos. A prática previne episódios de diarreia e infecções respiratórias, diminui o risco de alergias, diabetes, colesterol alto e hipertensão, além de reduzir as chances de obesidade no futuro.
Escudo imunológico e programação de hábitos
Além dos nutrientes essenciais, a amamentação transfere imunoglobulinas maternas, garantindo imunidade passiva ao bebê enquanto seu próprio sistema defensivo está amadurecendo. A exposição precoce aos antígenos do leite cria tolerância imunológica, atuando como um fator decisivo de proteção ou cura rápida para alergias e intolerâncias alimentares.
Outro benefício pouco difundido é o impacto do leite na introdução alimentar.
“Desde a amamentação, o bebê já pode sentir os sabores e aromas dos alimentos consumidos pela mãe por meio do leite. Isso o deixa mais disponível para aceitar os mesmos alimentos durante a introdução da alimentação complementar”, explica a nutricionista Michelle Ferreira.
Necessidades nutricionais da lactante
Para garantir a qualidade e o volume de leite — que varia entre 450 mL e 1.200 mL diários —, o corpo da mulher gasta energia extra. Mães que amamentam necessitam de um aporte adicional de cerca de 500 kcal por dia em relação a mulheres não gestantes.
A perda gradual de peso (entre 0,5 kg e 1,0 kg por mês após o primeiro mês pós-parto) é natural, já que o organismo utiliza as reservas de gordura acumuladas na gestação.
Recomendações nutricionais para o período de lactação:
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Proteínas: Adicionar 25 g por dia à dieta regular.
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Hidratação: Ingerir de 3,0 a 3,5 litros de água diariamente.
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Frutas e vegetais: Consumir ao menos 5 porções diárias de vegetais e frutas inteiras (preferencialmente com casca).
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Bebidas e temperos: Priorizar sucos naturais não adoçados e abusar de ervas e temperos naturais, evitando totalmente o consumo de bebidas alcoólicas.
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Suplementação: Manter o uso de vitaminas pré-natais sob orientação profissional, pois as exigências de micronutrientes aumentam nessa fase.
Alterações hormonais e cuidados ginecológicos
A lactação também provoca transformações no organismo feminino que exigem acompanhamento ginecológico. A médica Thaís Fonseca, ginecologista e obstetra do Instituto Nutrindo Ideais, alerta para mudanças comuns na menstruação, na libido e na saúde mamária.
A alta liberação do hormônio prolactina inibe temporariamente a ovulação, podendo causar o atraso ou a ausência da menstruação (amenorreia da lactação). No entanto, a médica alerta que essa ausência não é um método contraceptivo seguro, pois a ovulação pode ocorrer antes do primeiro sangramento pós-parto.
Por sua vez, a queda dos níveis de estrogênio pode provocar secura vaginal e redução temporária da libido, tornando o sexo desconfortável.
Orientações ginecológicas para o pós-parto:
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Saúde das mamas: Avaliar continuamente a pega correta do bebê para evitar fissuras nos mamilos, ingurgitamento e mastite. Em caso de dor, vermelhidão ou edema, um médico deve ser consultado.
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Contracepção segura: Métodos contraceptivos contendo estrogênio devem ser evitados. As opções indicadas são pílulas de progesterona e DIUs (de cobre ou hormonais).
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Higiene íntima: Lavar a região genital externa apenas com água morna e sabonete neutro ou específico, evitando duchas internas e produtos perfumados.
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Relações sexuais: Utilizar lubrificantes à base de água para amenizar a secura vaginal e retomar as atividades sexuais apenas após a liberação do obstetra.
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