A volta às aulas marca uma transição importante na rotina das famílias, mas para os adolescentes, o retorno traz desafios ainda mais específicos. Além da readequação de horários e compromissos, a etapa é acompanhada por pressões acadêmicas crescentes e pela complexidade das relações sociais típicas da idade.
Nesse cenário, o suporte emocional dentro de casa e o acolhimento na escola tornam-se peças-chave para reduzir a ansiedade e evitar que o período se transforme em um embate familiar. Em vez de focar apenas em cobranças por desempenho e notas, especialistas defendem que o pilar central para o sucesso na readaptação deve ser a inteligência emocional e a escuta ativa.
Escuta sem julgamento e validação de sentimentos
O relacionamento com os adolescentes exige uma mudança na forma como os pais abordam os momentos de ansiedade ou resistência dos filhos. Segundo Núria Santos, especialista em inteligência emocional, o comportamento arredio ou a irritação nesta fase muitas vezes mascaram uma dificuldade de expressão.
Na adolescência, a inteligência emocional é sobre criar pontes de diálogo onde antes havia barreiras. É entender que a resistência do jovem é, muitas vezes, uma forma de pedir socorro e buscar validação para as emoções intensas que eles ainda não sabem nomear ou processar sozinhos”, explica a especialista.
Para aliviar a tensão, Núria recomenda que os pais criem rituais que respeitem a autonomia dos jovens, focando no bem-estar e no diálogo aberto, em vez de focar estritamente no cumprimento de tarefas. A postura dos próprios adultos diante das pressões do dia a dia também serve de espelho para o gerenciamento das emoções dos adolescentes.
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A transição gradual dentro de casa
A preparação para o retorno às atividades escolares precisa começar antes do primeiro dia do período letivo. Retomar os horários progressivamente e promover conversas antecipadas sobre a escola ajuda a atenuar o impacto da mudança brusca.
De acordo com Christina Sabadell, especialista em gestão educacional do Grupo SEB — instituição responsável pela Escola Bilíngue Carolina Patrício, no Rio de Janeiro, além do Pueri Domus e da Sphere International School —, a família desempenha papel fundamental ao ressaltar os aspectos positivos do retorno.
O retorno às aulas representa uma mudança importante de ritmo para crianças e adolescentes. O ideal é que essa transição comece ainda em casa, com a retomada gradual da rotina e conversas sobre o retorno à escola. Mais do que reforçar a importância dos estudos, é fundamental valorizar também o reencontro com os colegas e professores e criar um ambiente de escuta”, orienta Christina.
O papel da escola no acolhimento
A readaptação não se encerra no ambiente doméstico. As instituições de ensino desempenham um papel decisivo ao estruturar os primeiros dias com foco na recepção e no bem-estar dos alunos, permitindo uma transição mais suave para a rotina pedagógica.
Momentos de integração, espaços para diálogos abertos e o acompanhamento atento às reações individuais de cada estudante são práticas essenciais para identificar possíveis sinais de insegurança ou ansiedade severa.
Cada estudante vivencia o retorno de uma maneira diferente. Alguns retomam a rotina rapidamente, enquanto outros precisam de mais tempo e acolhimento. Respeitar essa individualidade e manter uma relação de escuta contribui para uma adaptação mais tranquila e fortalece o vínculo entre o aluno, a família e a escola”, ressalta Christina Sabadell, destacando que o olhar cuidadoso sobre a saúde emocional deve ser contínuo ao longo do ano.
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