Um cão que vivia na Zona Oeste do Rio de Janeiro teve o diagnóstico de raiva confirmado em agosto e precisou ser sacrificado. O animal, que residia no bairro de Santa Cruz, tinha histórico de contato com morcegos. A informação foi divulgada pela Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) por meio de um alerta epidemiológico.

Após a confirmação do caso pela Secretaria Municipal de Proteção e Defesa dos Animais, a Secretaria Municipal de Saúde iniciou uma investigação epidemiológica na região. As pessoas que tiveram contato com o cão receberam profilaxia antirrábica preventiva e foram monitoradas pelas autoridades. Até o momento, nenhum caso de raiva humana foi registrado na capital.

Segundo dados da SES-RJ, os últimos registros de raiva humana no estado ocorreram em São José do Vale do Rio Preto, em 2006, e em Angra dos Reis, em 2020. Em ambos os episódios, a transmissão ocorreu por meio do contato com morcegos.

Recentemente, a Vigilância Epidemiológica confirmou que dois morcegos testaram positivo para o vírus da raiva na Ilha do Governador, Zona Norte do Rio de Janeiro. Os casos ocorreram especificamente nos bairros do Jardim Guanabara e no Tauá.  O médico pediatra Antonio Carlos Turner explica que este é um momento que requer atenção da população.

Embora não haja motivo para pânico generalizado, a situação exige de todos nós, moradores, tutores de pets e profissionais, atenção redobrada e responsabilidade. A raiva é uma doença viral gravíssima e com letalidade próxima a 100%, mas que pode ser totalmente prevenida se agirmos a tempo”, diz o coordenador técnico da rede de clínicas Total Kids.

Vacinação antirrábica e prevenção na rotina

A raiva é uma zoonose viral grave que afeta o sistema nervoso central, provocando inflamação progressiva no cérebro. A doença apresenta taxa de letalidade próxima de 100% após o aparecimento dos primeiros sintomas clínicos, o que torna as medidas de prevenção e o rápido atendimento médico essenciais.

Diante do cenário, o presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio de Janeiro (CRMV-RJ), Diogo Alves, reforçou a importância de tutores manterem a imunização dos seus animais em dia:

A confirmação desse caso mostra que a raiva continua sendo uma preocupação de saúde pública e que a prevenção precisa fazer parte da rotina. A vacinação dos animais e o cuidado diante do contato com morcegos são medidas que podem evitar situações de risco.”

A Campanha de Vacinação Antirrábica de 2026 no estado do Rio de Janeiro está agendada para o próximo sábado (26). A participação de tutores de cães e gatos é considerada fundamental para manter elevadas as coberturas vacinais e assegurar a proteção de toda a comunidade.

Além da imunização anual, os órgãos de saúde recomendam:

  • Passeios seguros: Manter cães com guia e coleira durante os passeios, evitando acesso livre às ruas.

  • Proteção domiciliar: Manter gatos em ambientes internos, preferencialmente equipados com telas de proteção em portas e janelas.

  • Segurança profissional: O uso obrigatório de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) por médicos-veterinários e manipuladores de animais.

  • Sinais de alerta: Comunicar à vigilância municipal em saúde qualquer cão ou gato com sintomas suspeitos, como salivação excessiva, paralisia, falta de coordenação motora ou mudanças repentinas de comportamento.

Cuidados com morcegos e preservação ambiental

O CRMV-RJ alerta que morcegos encontrados durante o dia, caídos no chão, pendurados em locais expostos (como cortinas e paredes) ou demonstrando comportamento atípico podem estar infectados pelo vírus da raiva.

A orientação expressa das autoridades é nunca tocar nem tentar capturar, remover ou matar o animal (vivo ou morto). Em tais situações, o serviço municipal de controle de zoonoses deve ser acionado imediatamente para a coleta adequada.

A SES-RJ ressalta, ainda, que os morcegos pertencem à fauna silvestre brasileira, são protegidos por legislação ambiental e cumprem papéis ecossistêmicos vitais:

  • Polinização e dispersão de sementes: Auxiliam na regeneração natural de florestas e áreas degradadas.

  • Controle de pragas: Atuam no controle biológico de insetos noturnos em áreas rurais e urbanas.

O que fazer em caso de mordidas, arranhões ou contato

Em situações de mordedura, arranhadura, lambedura de mucosas ou pele lesionada provocada por qualquer mamífero doméstico ou silvestre, a orientação é:

  1. Lavar imediatamente: O local atingido deve ser lavado com água corrente e sabão em abundância.

  2. Atendimento médico urgente: Procurar a unidade de saúde mais próxima o quanto antes, independentemente da gravidade aparente do ferimento. A equipe avaliará a necessidade de aplicação da vacina antirrábica, soro ou imunoglobulina.

  3. Agressões por morcegos: São consideradas situações de alto risco epidemiológico e exigem atendimento médico imediato.

  4. Observação do animal: Cães ou gatos domiciliados envolvidos em incidentes devem permanecer em observação isolada por 10 dias. Caso o animal adoeça, desapareça, morra ou mude de comportamento, a vigilância em saúde deve ser informada prontamente.

 

O que fazer em caso de acidentes com animais?

Qualquer contato direto com morcegos, mordeduras ou arranhões provocados por mamíferos silvestres (como micos) ou animais que desapareceram ou não podem ser observados deve ser considerado um caso grave, independentemente da extensão do ferimento.

Se você ou alguém próximo passar por uma situação dessas, siga rigidamente estes passos:

  • Lave imediatamente o ferimento: use água corrente e sabão em abundância. Esse primeiro cuidado ajuda a reduzir drasticamente a carga viral no local.
  • Procure atendimento médico sem demora: Vá à unidade de saúde mais próxima para avaliação de um profissional. O profissional de saúde vai avaliar o caso e indicar se há necessidade de tomar a vacina antirrábica e/ou o soro .
  • Não interrompa o tratamento: Se o médico prescrever a vacina (geralmente aplicada em 4 doses nos dias 0, 3, 7 e 14 , o é vital tomar todas as doses nas datas certas. Caso atrase alguma, não reinicie o esquema por conta própria; procure a unidade de saúde para receber as doses pendentes.

Cuidados com cães e gatos

  • Se o seu cão ou gato se envolveu em uma briga com um animal suspeito ou silvestre, ele deve ficar sob observação por 10 dias.
  • Se o pet continuar saudável e sem alterações de comportamento após esse período, o caso é encerrado.
  • Se ele adoecer, sumir ou morrer nesse intervalo, quem teve contato com ele precisa iniciar a vacinação humana imediatamente.

Importância do conceito de Uma Saúde (One Health)

A ocorrência de um caso de raiva urbana associado a um vetor silvestre na maior metrópole do estado evidencia a profunda conexão entre a saúde humana, a saúde animal e a preservação ambiental — ecossistema central do conceito de Uma Saúde (One Health).

A ocupação e a expansão urbana sobre áreas naturais aproximam animais domésticos e seres humanos da fauna silvestre, criando novos cenários de risco para o surgimento e a reemergência de zoonoses. A abordagem integrada entre medicina veterinária, saúde pública e conservação ambiental é a única estratégia capaz de monitorar, prevenir e conter surtos de doenças altamente letais como a raiva.

Com informações da Agência Brasil e Total Kids

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