Doação de órgãos: recusa familiar chegou a 47% em 2022

Decisão cabe apenas à família após morte cerebral. Médico explica como é feita a doação. Imigrantes agora têm direito a transplante no Brasil

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O caso do apresentador Fausto Silva, o Faustão, de 73 anos, que passou por um transplante renal na última segunda-feira (26/2), seis meses após receber um coração transplantado, voltou a levantar a importante questão da doação de órgãos. No Brasil, mais de 60 mil pessoas aguardam por um gesto de solidariedade que pode salvar vidas: o transplante de órgãos ou tecidos.

Os números do Ministério da Saúde sobre a fila de espera destacam a urgência de pacientes com condições graves, como insuficiência hepática, renal ou cardíaca e que correm risco de vida. O Brasil é o segundo maior transplantador de órgãos do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, e possui o maior sistema público de transplantes do mundo.

Em 2020, por exemplo, mesmo com a pandemia de Covid-19, foram realizados mais de 15 mil transplantes no país, sendo 6.447 de órgãos sólidos (rim, fígado, coração, pulmão, pâncreas e intestino) e 8.690 de tecidos (córnea, pele, osso, tendão, válvula cardíaca e medula óssea). Esses números só foram possíveis graças à doação de 3.760 pessoas, sendo 2.700 falecidas e 1.060 vivas

Segundo o médico intensivista Luiz Felipe de Ávila Daher, coordenador da UTI do Hospital Unimed Araxá e conselheiro administrativo da Unimed Araxá, a doação de órgãos é fundamental para oferecer uma segunda chance de vida a muitos pacientes.

Decisão cabe exclusivamente à família após morte cerebral

Órgãos e tecidos podem ser captados de pessoas vivas, como rins, fragmentos do fígado ou pulmão, e, mais comumente, de pessoas que tiveram morte cerebral. A legislação brasileira estabelece critérios específicos para a doação. Apesar dos avanços, a recusa familiar é um grande desafio. Em 2022, a taxa atingiu 47%, a maior em uma década.

“A decisão cabe exclusivamente à família, destacando a importância de diálogos antecipados sobre a vontade de ser doador. As principais razões para a recusa são a falta de informação, desconhecimento da vontade do falecido, desconfiança no sistema de saúde e questões religiosas”, comenta Dr. Luiz Felipe.

Desmistificar alguns conceitos pode ser crucial para incentivar a doação de órgãos. “A doação é voluntária, gratuita e não traz benefício financeiro para o doador ou sua família. Além disso, a retirada dos órgãos é feita com cuidado, respeitando a aparência do corpo do doador, e a distribuição é justa e transparente, seguindo critérios técnicos e éticos”, explica.

A doação de órgãos é um procedimento seguro e regulamentado, seguindo normas e protocolos do Sistema Nacional de Transplantes. “É essencial falar sobre o assunto e, cada vez mais, informar a população sobre a importância desse gesto que salva vidas”, finaliza.

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Com Assessorias

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