Família de Faustão explica prioridade em fila de transplante

Internautas não se convencem com explicações de especialista sobre segundo transplante em 6 meses, compartilhadas pela família

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Depois do Hospital Israelita Albert Einstein, foi a vez de a família de Fausto Silva, o Faustão, de 73 anos, rebater as críticas de que o apresentador teria ‘furado a fila de transplantes’ para receber um novo rim. Em comunicado no perfil “Faustão do Meu Coração”, no Instagram, os familiares explicam como funciona a fila de transplante e porque o comunicador tinha prioridade.

O perfil, na verdade, compartilha um post escrito por Leon Alvim, médico especialista em nefrologia, sobre critérios estabelecidos para a priorização de pacientes que aguardam um novo órgão na fila do Sistema Único de Saúde (SUS).

De forma didática, o médico cita uma resolução de 2019 do Governo de São Paulo, estabelecendo que pacientes previamente receptores de transplante de um órgão sólido [o caso do apresentador], caso desenvolvam falência de outro órgão, terão prioridade na lista de transplante.

“No estado de São Paulo, a resolução SS6, de 8 de fevereiro de 2019, estabelece em seu item 5.2, que pacientes previamente receptores de transplante de um órgão sólido, caso desenvolvam falência de outro órgão, terão prioridade na lista de transplante desse último”, esclareceu o médico.

Segundo o post, essa prioridade não é uma novidade e tem sido aplicada consistentemente, como evidenciado pelos dados de 2023, em que 34 transplantes renais foram realizados em pacientes que desenvolveram insuficiência renal após transplantes de outros órgãos.

“Qualquer paciente que esteja na condição citada anteriormente terá prioridade na fila de transplante. Por exemplo, em 2023, de 1933 transplantes renais realizados em São Paulo, 34 foram transplantados em pacientes que desenvolveram insuficiência renal após um transplante de coração, fígado ou pâncreas”, escreveu o especialista.

Em outro post d vídeo, o médico também explica por que o apresentador – que já tinha problema nos rins antes de receber o coração novo – teve que passar pelo transplante de rim e por que acabou tendo prioridade na fila.

“Ele já vinha com a função renal comprometida e acabou tendo insuficiência renal crônica e necessitando de tratamento por hemodiálise. Como a insuficiência renal pode trazer repercussões no coração, no caso dele, o coração transplantado, por lei, ele é priorizado. O segundo órgão sólido em transplante pode ser priorizado. Aí ele entrou na fila e apareceu um rim compatível e ele foi submetido ao transplante”, disse.

Explicações não convencem internautas

As explicações do médico, entretanto, não convenceram muitos internautas, que continuam acreditando tratar-se de favorecimento ao apresentador.

Quem é transplantado ou tem alguém transplantado sabe bem como funciona mas quem tá na fila de espera lutando por um órgão é bem difícil acreditar na prioridade”, escreveu Andrea Nunes.  “De milhares na fila de espera, foi o único que se encaixou nesses requisitos? Ninguém mais preenchia esses requisitos?”, duvidou Jonatas Couto de Lima.

“Meu amigo @fpricci operou há 10 anos. Já 2 anos um rim teve falência e desde então ele está na fila de prioridade. Dois anos fazendo diálise 3x por semana. Ele também tem vários fatores que o fazem ter prioridade. E aí. O que vcs explicam ? Não tem o que explicar. Simplesmente Brasil”, escreveu o perfil Rodrigo Gomes.

“Sabemos que ele foi privilegiado por ter uma equipe fantásticas de médicos super bem remunerados que trabalham incansavelmente pra demonstrar que ele precisava dos órgãos. Enquanto pacientes do SUS ficam esquecidos. Cada um que durma com sua consciência. O dinheiro sempre vence! Sempre!”, escreveu outro perfil.

Pacientes e familiares de pacientes na fila mostram indignação

Outros perfis de pacientes e familiares de pacientes renais crônicos comentaram o post do médico, relatando com indignação casos em que pacientes graves, que necessitam de transplante, continuam na fila de espera do SUS.

Elisa Alvim, transplantada de pâncreas e rim em fevereiro de 2020, conta que ficou dois anos e três meses na fila de espera e não passou nem dos exames iniciais. “Quando resolvi trocar pra outro estado fiz tudo em menos de 3 meses por plano de saúde e fui inscrita na fila”, conta.

Ela também duvida da prioridade a Faustão, por conta de um suposto critério que priorizaria pacientes mais jovens: “Como ele conseguiu 2 transplantes tão facilmente tendo mais de 70 anos? Pergunto pq estive em 4 equipes de transplantes diferentes e TODAS disseram que dificilmente alguém acima dos 60 é contemplado, que a prioridade são os mais jovens. A rapidez com que ele foi colado na fila é justificada por ter dinheiro. Ele não fez os exames pelo SUS”, escreveu.

“Eu consultei várias vezes no Lefort (hospital que mantém um centro de transplante em São Paulo), tenho o doador de rins para fazer entre vivos e nunca consegui pelo SUS. Só se eu pagasse. Para quem é rico tudo é rápido que devia ser assim para todos”, escreveu Marcos Machado Miranda, que é vereador.
“Pena que não todos que a mesma prioridade a minha filha está a três anos na fila até foi tirada da fila do Lefort não sei por qual motivo tem vários problemas o qual deveria ser prioridade mas não foi e está há mais de três anos esperando mais que bom pro Faustão não vou ser um pouco crítica mais aqui no Brasil que pode mais chora menos”, escreveu Matilde Alencar.

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Faustão ocupava a 13ª posição na fila do transplante de rim

Faustão entrou na fila para o transplante de rim em 6 de fevereiro e ocupava a 13ª posição e cumpriu os requisitos de prioridade para a cirurgia. segundo a Central de Transplantes do Estado de São Paulo, que é controlada pela Secretaria de Saúde.

O comunicador realizou o procedimento na segunda-feira (26 de fevereiro), no Albert Einstein, em São Paulo, exatamente seis meses após receber um novo coração no mesmo hospital. O hospital foi acionado na madrugada para avaliar a compatibilidade do órgão e Faustão foi internado às pressas.

A cirurgia, que durou cerca de 2h30 e foi bem sucedida, foi realizada em decorrência do agravamento “de uma doença renal crônica”. O apresentador já recebeu alta da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e segue em recuperação no quarto.

Segundo o jornalista Flávio Ricco,  amigo de Faustão, ele sabia da necessidade do novo procedimento desde a época em que ele passou pelo transplante de coração. “Ele ficou esse período todo em casa, na expectativa para o novo transplante”.

Suspeita de furar fila também para receber o coração

Em 27 de agosto do ano passado, Faustão recebeu um novo coração, após ficar 20 dias internado. Ele entrou como prioridade na fila de transplante por causa da gravidade do seu caso. Na época, também especulou-se que o comunicador ‘furou fila’.

Mas tanto a Secretaria de Saúde de São Paulo quanto o Ministério da Saúde explicaram que o quadro do apresentador era prioritário – na ocasião, 12 pacientes aguardavam na fila, quatro eram casos prioritários, incluindo Faustão, que ocupava o segundo lugar na fila, onde foi incluído no dia 8 de agosto.

Como funciona a lista de transplantes de órgãos no Brasil?

O Brasil é referência mundial na área de transplantes e possui o maior sistema público de transplantes do mundo. Em números absolutos, o País é o 2º maior transplantador do mundo, atrás apenas dos EUA.

Atualmente, mais de 42 mil pessoas no Brasil aguardam por um órgão para transplante. Dessas, mais de 38 mil aguardam um transplante de rim. De janeiro a setembro de 2023,  por exemplo, o rim foi o órgão mais transplantado, sendo responsável por 66,72% dos procedimentos.

Existem dois tipos de transplante deste órgão: vivo e falecido. Geralmente, as pessoas nascem com dois rins. Caso ambos apresentem condições saudáveis e compatibilidade com receptor, esse procedimento pode acontecer sem a dependência da lista de espera.

A lista de espera por um órgão funciona baseada em critérios técnicos, são eles:

– Pacientes em estado crítico, com risco de morte, por exemplo, são atendidos com prioridade, em razão de sua condição clínica;

– A tipagem sanguínea, compatibilidade de peso e altura, compatibilidade genética e critérios de gravidade distintos para cada órgão determinam a ordem de pacientes a serem transplantados;

– A impossibilidade total de acesso para diálise (filtração do sangue), no caso de doentes renais; a insuficiência hepática aguda grave, para doentes do fígado; necessidade de assistência circulatória, para pacientes cardiopatas; e rejeição de órgãos recentes transplantado são critérios também utilizados;

– Quando os critérios técnicos são semelhantes, a ordem cronológica de cadastro, ou seja, a ordem de chegada, funciona como critério de desempate.

Com informações do Portal Terra

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