Do lado da minha casa está ‘nascendo’ uma nova farmácia – fenômeno, aliás, que será motivo de outra pauta específica aqui no VIDA E AÇÃO. Mas hoje queremos falar do excesso de barulho, que tanto incomoda as pessoas. Há semanas que acordo já por volta das 7h da manhã com o barulho insuportável de britadeiras e outros equipamentos usados pelos trabalhadores da obra do meu novo ‘vizinho’ de janela.
De fato, o barulho está por todo lado, principalmente para quem vive em grandes cidades. A qualquer hora do dia são obras, trânsito, carros de som, buzinas, sirenes de ambulância, ronco de caminhões, gritos e algazarra em prédios e condomínios, música alta em casa ou no vizinho, TV em alto volume, e outras incontáveis formas de ruído.
Na maioria das vezes, não percebemos o risco. É o que acontece quando aumentamos o volume da música que ouvimos nos fones de ouvido durante a caminhada ou no trajeto para o trabalho.
O Dia Internacional da Conscientização sobre o Ruído, comemorado em 24 de abril, reflete sobre a agitação e o barulho que, cada vez mais, fazem parte de nosso cotidiano. A data serve como alerta sobre a responsabilidade que cada indivíduo tem de reduzir a emissão de ruídos em suas atividades diárias.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) já considera poluição sonora o segundo tipo mais nocivo de poluição, atrás apenas da contaminação do ar. Segundo a Agência Europeia do Meio Ambiente, sons que alteram a condição normal de audição causam por ano 12 mil mortes prematuras e 48 mil novos casos de problemas cardíacos por ano apenas na Europa.
De acordo com critérios da OMS, ruídos constantes acima de 55 decibéis são nocivos. Este é o limite previsto pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) em áreas residenciais para o período diurno, das 7h às 20 h; e 50 decibéis para o período noturno, das 20h às 7h da manhã.
Como o barulho impacta na saúde mental corporativa
Ruídos excessivos podem causar, de imediato, incômodo e irritação, mas as consequências podem vir mais tarde, em forma de estresse, problemas cardíacos e perda auditiva. Os ruídos que atravessam a concentração dos trabalhadores em ambientes fechados entram, cada vez mais, na lista de itens mínimos para a saúde mental corporativa.
Estudo publicado, na revista científica Nature Digital Medicine, avaliou o desempenho de 231 funcionários de uma agência federal dos Estados Unidos. Os pesquisadores testaram a exposição deles a diferentes níveis de barulho, e rastrearam os índices de relaxamento e estresse a partir dos batimentos cardíacos.
A partir de modelos matemáticos, o resultado projetou que o índice ideal de ruído dentro de um escritório seria de 50 decibéis, algo como o barulho de uma chuva de média intensidade. Do contrário, quando o ruído é incômodo no trabalho, estudos também apontam a associação do barulho com quedas drásticas de produtividade, e até mesmo o surgimento de doenças mais graves como depressão e burnout.
A Síndrome de Burnout é reconhecida como fenômeno ocupacional, segundo a Classificação Internacional de Doenças. Em 2022, o diagnóstico de esgotamento mental por causas profissionais entrou para a lista de doenças do trabalho, da OMS.
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Um terço dos casos de perda de audição é decorrente de ruídos elevados
A Sociedade Brasileira de Otologia estima que entre 30% a 35% das perdas de audição são consequências da exposição a ruídos comuns do dia a dia. São os próprios médicos e fonoaudiólogos que advertem: a juventude deve ter mais consciência quanto aos riscos do som alto e proteger a audição, sob pena de ter dificuldades para ouvir antes de envelhecer.
É um problema sério. Já se constata que a perda auditiva está começando a surgir cada vez mais cedo entre moradores de grandes cidades. E o barulho intenso e prolongado pode causar danos cada vez maiores à audição, ao longo da vida”, explica a fonoaudióloga Marcella Vidal, gerente de Audiologia na Telex Soluções Auditivas.
Para a especialista, a ideia de que nos acostumamos com o barulho é um mito. Mesmo quando acreditamos que ele não incomoda, biologicamente continua a nos fazer mal. “Infelizmente a poluição sonora ainda não é percebida como um mal à saúde”.
Segundo ela, o ruído é um poluente invisível que, contínua e lentamente, agride as pessoas. As consequências não são as mesmas para todos. Variam de acordo com o período de exposição sonora e a predisposição genética de cada um. Os especialistas advertem: o ruído em excesso faz mal à saúde e pode ser a causa de problemas auditivos precoces nas novas gerações.
Essa geração da tecnologia, que não larga os smartphones e videogames, dependerá mais de aparelhos auditivos no futuro. Isso porque, ao se expor a uma intensidade sonora elevada todos os dias, se arrisca a sofrer danos irreversíveis à audição com o passar do tempo”, conclui Marcella Vidal.
Consciência sonora nas empresas
Para tentar contornar esse tipo de situação, alguns departamentos de Recursos Humanos têm apostado em uma nova técnica: o treinamento de “consciência sonora”, como explica o músico e terapeuta especializado neste método, Wesley Lima.
Lima defende que as empresas podem estimular boas práticas, como a conscientização sobre os ruídos e a oferta de espaços de descompressãoe relaxamento. O especialista também aponta que medidas individuais, como o uso de dispositivos para abafar esses barulhos, ajudam a criar uma relação mais saudável com ambientes de barulho.
Wesley Lima, um músico e terapeuta sonoro brasileiro que se dedica ao uso da música e dos sons como ferramenta de cura e bem-estar, está à disposição para falar sobre o tema e gostaria muito de colocá-los em contato.
A abordagem do especialista, conhecida como Sound Healing (Cura Sonora, em português), é baseada na ideia de que os sons podem influenciar positivamente o corpo e a mente, ajudando a equilibrar as emoções, reduzir o estresse e melhorar a qualidade de vida.
Wesley Lima é um dos principais expoentes da técnica de Sound Healing no Brasil e tem se dedicado a difundir essa abordagem através de palestras, workshops, apresentações e eventos., que tem sido estudada e comprovada cientificamente como uma ferramenta eficaz para reduzir o estresse, melhorar o sono, diminuir a pressão arterial e fortalecer o sistema imunológico.
Nossa abordagem de Sound Healing oferece uma forma única e poderosa de melhorar a saúde e o bem-estar através do uso da música e dos sons. Os métodos são cuidadosamente desenvolvidos e personalizados para cada pessoa e, proporcionando uma experiência transformadora que pode ser benéfica em muitos aspectos da vida”, diz o especialista.
Com informações de Assessorias