O Dia Mundial do Doador de Sangue, celebrado em 14 de junho, ganha um significado profundamente humano e inspirador no Rio de Janeiro. Enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) reverencia a data em homenagem ao imunologista austríaco Karl Landsteiner — descobridor dos grupos sanguíneos e do fator RH —, nos corredores do Instituto Estadual de Hematologia Arthur de Siqueira Cavalcanti (Hemorio), o verdadeiro significado do diagnóstico clínico ganha o rosto de voluntários dedicados.

É o caso do segurança aposentado Ilton Borges da Silva, morador de Anchieta, na Zona Norte da capital. Pouco antes de completar 70 anos — a idade limite estabelecida pela legislação brasileira para a doação de sangue —, ele realizou sua 41ª e última contribuição no Hemorio, em março deste ano.

A despedida fechou um ciclo iniciado em 1997. Ao longo de quase três décadas, a rotina de Seu Ilton era milimétrica: saía de casa rigorosamente às 6h, pegava o trem até a Central do Brasil e seguia caminhando até a sede do Hemorio, no Centro. O motivo? Doar o sangue do tipo O negativo (O-), o doador universal, vital para situações de extrema emergência.

Sabendo da importância do meu sangue, que é universal, é gratificante demais saber que salva tantas vidas. É uma sensação de dever cumprido, valeu a pena. Queria até seguir doando, mas, pela idade, não poderei mais”, emocionou-se o aposentado, que também estendeu sua dedicação à doação de plaquetas, fundamentais para pacientes em tratamento de leucemia e outros cânceres.

A dedicação exemplar rendeu a Ilton uma festa surpresa organizada pela equipe do Salão do Doador, com direito a medalha, broche de honra ao mérito e o carinho dos profissionais da instituição vinculada à Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ), responsável por abastecer mais de 100 unidades de saúde fluminenses.

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‘Amor é Doação’: Marvvila e namorado convocam o público jovem

Seu Ilton fechou o seu ciclo de doações com chave de ouro, mas o estoque do hemocentro não pode parar.   Para que histórias de fidelização como a do aposentado não deixem lacunas nos estoques públicos, o Hemorio aposta na mobilização das novas gerações.

Aproveitando o embalo do Junho Vermelho e a proximidade com as datas comemorativas, a cantora Marvvila, um dos maiores nomes do pagode atual e ex-participante do Big Brother Brasil (BBB), lançou a campanha “Amor é Doação”.

Ao lado do namorado, o músico Morfasi, a artista fluminense é o rosto da ação que incentiva casais a transformarem o romantismo em um ato coletivo de cidadania. O objetivo é criar o hábito da doação regular entre jovens, lembrando que cada bolsa coletada pode salvar até quatro vidas em cirurgias, transplantes e atendimentos de urgência.

Rota Solidária 2026 garante transporte gratuito para doadores

Para derrubar uma das principais barreiras apontadas pelos voluntários — o custo e a logística de deslocamento —, o Hemorio realiza, entre os dias 15 e 19 de junho, a quarta edição da Rota Solidária. A campanha oferece transporte totalmente gratuito para quem se deslocar até a instituição para doar.

O benefício é garantido a todos os candidatos que comparecerem à sede do Hemorio, independentemente de serem considerados aptos ou inapto na triagem clínica. Ao todo, empresas parceiras do setor de mobilidade disponibilizaram 3.200 gratuidades, com apoio da Semove, Riocard Mais, Jaé, MetrôRio e VLT Carioca.

Adicionalmente, a empresa de transporte por aplicativo Uber oferece 1.400 cupons com 20% de desconto para viagens que tenham como destino o hemocentro (basta adicionar o código DOAHEMORIO na aba de promoções do aplicativo).

Como funciona o reembolso da passagem:

  • Onde ir: Compareça ao Hemorio (Rua Frei Caneca, nº 8, Centro), das 7h às 18h, entre os dias 15/6 e 19/6.

  • Procedimento: Informe no guichê qual meio de transporte utilizou para chegar.

  • Retorno garantido: Após o atendimento, o voluntário recebe o valor equivalente a duas passagens para custear o deslocamento, permitindo a combinação de modais diferentes, como trem e metrô.

Saiba o que é preciso para ser um doador de sangue

De acordo com dados da SES-RJ, o esforço para ampliar a captação é contínuo. Em 2025, o Hemorio registrou a coleta de 96 mil bolsas de sangue. Para manter o ritmo de abastecimento da rede hospitalar, a secretaria estruturou recentemente uma terceira equipe de coleta externa e novos polos regionais.

Quem está apto a doar:

  • Idade: Entre 16 e 69 anos (jovens de 16 e 17 anos necessitam de autorização formal dos pais ou responsáveis legais; o modelo do documento está disponível no site oficial do hemocentro);

  • Peso: Mínimo de 50 kg;

  • Saúde: Estar em boas condições gerais, sem sintomas de resfriado ou gripe;

  • Alimentação: Não há necessidade de jejum. Recomenda-se apenas evitar refeições gordurosas nas 4 horas que antecedem a coleta;

  • Restrições temporárias: Não ter consumido bebidas alcoólicas nas 12 horas anteriores. Grávidas ou lactantes não podem doar temporariamente.

Para obter esclarecimentos detalhados sobre impedimentos por uso de medicamentos específicos, viagens recentes ou vacinas, a população pode entrar em contato com o serviço de atendimento gratuito do Disque-Sangue, pelo telefone 0800 282 0708, que funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 17h.

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Com informações da SES-RJ

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