O mês de agosto reserva marcos fundamentais para a medicina circulatória no país. Além do Dia do Cirurgião Vascular, celebrado em 15 de agosto, o período marca a campanha nacional Agosto Azul Vermelho, instituída em 2021 pela Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV). A mobilização utiliza as cores tradicionais das estruturas anatômicas de veias e artérias para conscientizar a população sobre a importância dos cuidados preventivos com o sistema circulatório.

O Congresso Nacional será iluminado nas cores azul e vermelha, de sábado (15/8) até segunda-feira (17/8), para conscientização sobre a prevenção, o diagnóstico precoce e o tratamento das doenças vasculares. A iniciativa faz referência à “Semana Nacional da Saúde Vascular”, que é celebrada anualmente na semana que compreender o dia 17 de agosto, e ao “Agosto Azul e Vermelho”, mês dedicado a alertar a população sobre a prevenção e os cuidados com a saúde vascular.

As cores da campanha representam o sistema vascular: azul para o sangue venoso, com menor concentração de oxigênio, e vermelho para o sangue arterial, rico em oxigênio.  De acordo com a SBACV, que promove a campanha, as doenças cardiovasculares correspondem a cerca de 30% dos óbitos no país.

Entre as mais frequentes estão trombose venosa profunda, varizes, doença arterial periférica, acidente vascular cerebral (AVC), linfedema, pé diabético e aneurisma da aorta abdominal. Muitas dessas condições se desenvolvem de forma silenciosa e são diagnosticadas somente em fases mais avançadas.

Fatores de risco

Hipertensão, diabetes, colesterol alto, tabagismo, sedentarismo, obesidade, histórico familiar e envelhecimento são fatores que aumentam a probabilidade de desenvolver doenças vasculares. A prevenção inclui alimentação equilibrada, atividade física, abandono do tabagismo e controle de peso, pressão arterial e glicemia, além de check-ups periódicos.

Outras medidas para preservar a saúde vascular são: manter a movimentação regular durante o trabalho; fazer pausas frequentes; usar meias de compressão quando indicado; adotar cuidados em viagens longas e estar atento aos sinais de alerta.

Quando procurar um especialista

O atendimento médico deve ser imediato diante de sinais como dor súbita e intensa em uma perna com inchaço, dificuldade para respirar acompanhada de dor no peito, sintomas de AVC (boca torta, fraqueza nos braços, fala enrolada), feridas nos pés que não cicatrizam, dor abdominal intensa com pulsação ou alteração súbita na cor da pele das pernas. 

A avaliação de um cirurgião vascular é recomendada para varizes sintomáticas, inchaço persistente, dor ao caminhar ou histórico familiar de doenças vasculares.

Palavra de Especialista

Na coluna Palavra de Especialista, o angiologista e cirurgião vascular Marcelo Rodrigo de Souza Moraes, membro da Comissão do Departamento de Emergência Vascular da SBACV-SP, analisa a amplitude da especialidade, detalha os riscos das principais afecções vasculares e reflete sobre as batalhas éticas e econômicas enfrentadas pela categoria profissional na defesa da segurança do paciente.

Da simples varizes até o temido AVC, como tratar as doenças vasculares?

Por Marcelo Rodrigo de Souza Moraes*

O mês de agosto é especial para nós, cirurgiões vasculares. Além de comemorarmos o Dia do Cirurgião Vascular, em 15 de agosto, também foi oficializado, desde 2021, um mês comemorativo para a conscientização da saúde vascular para a população brasileira. Desde então, houve grandes mobilizações nos diversos estados do Brasil por conta da campanha intitulada Agosto Azul Vermelho, uma clara alusão às cores com as quais as estruturas vasculares são retratadas em nossos livros de anatomia.

É fundamental comentar alguns pontos sobre o que faz um cirurgião vascular. Muitos não sabem exatamente o enorme campo de atuação que a minha especialidade, na qual se incluem a Angiologia e a Cirurgia Vascular, alcança. Mas vou tentar dar essa dimensão, resumidamente, explicando sobre as doenças que mais frequentemente acometem o sistema circulatório e, de forma simples, o que podemos fazer para diminuir a chance de contrair tais afecções ou de melhor tratá-las.

Sem dúvida, a Cirurgia Vascular é muito conhecida por tratar das varizes nas pernas, e isso pode ser explicado por ser esta uma das doenças mais prevalentes no mundo moderno, causada principalmente por fatores genéticos, mas também por hábitos de vida.

Outra doença bem conhecida e temida é a trombose venosa, na qual uma parte do coágulo nas veias das pernas pode se desprender, atingir os pulmões e provocar embolia pulmonar, uma condição grave e potencialmente fatal.

Entre as doenças do sistema arterial, podemos destacar a aterosclerose, o estreitamento das artérias carótidas, responsáveis pela irrigação do cérebro. O bloqueio reduz o fluxo sanguíneo cerebral e pode ocasionar acidentes vasculares cerebrais (AVC), com diversos graus de sequelas físicas.

A maior artéria do corpo, a aorta, que se origina no coração e se estende até o abdômen, pode sofrer dilatação ao longo dos anos diante da grande pressão interna, formando um aneurisma de aorta que corre o risco de se romper, caracterizando um quadro de extrema gravidade e alto risco de morte.

Na dúvida, converse com seu cirurgião vascular

Estas são algumas entre as várias doenças que tratamos. Cada uma tem suas características próprias e cada método terapêutico possui suas vantagens e limitações. Se você tem qualquer suspeita ou diagnóstico confirmado de doença circulatória, converse com seu cirurgião vascular.

Ele é o profissional habilitado com o domínio de todas as modalidades de investigação e técnicas de tratamento para definir, em conjunto com o paciente, a melhor conduta. Os médicos associados à Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular Regional São Paulo (SBACV-SP) possuem acesso contínuo a aperfeiçoamento e atualização técnica.

Desafios profissionais e o futuro da assistência médica

Aos colegas de profissão, muitas batalhas se alinham à nossa frente. Enfrentamos a invasão de nossas atribuições e competências por profissionais sem a devida formação médica especializada, o que configura uma realidade preocupante para a segurança dos procedimentos. Somam-se a isso o encolhimento das fontes de financiamento no Sistema Único de Saúde (SUS), a pressão sobre a saúde suplementar e a perda do poder aquisitivo da população, fatores que acendem um alerta sobre o futuro da nossa classe.

Além disso, a abertura indiscriminada de cursos médicos sem a devida infraestrutura de ensino lança no mercado uma grande massa de profissionais em uma rede mal distribuída, o que impacta diretamente a qualidade da assistência prestada a quem é mais importante: nossos pacientes.

Apesar dos gargalos, sigo otimista. Temos motivos para celebrar. Contamos com a tradição de uma entidade com mais de 70 anos de história, sendo uma das maiores associações da especialidade no mundo, resultado de gestões sérias e de uma base institucional sólida.

Observamos a cada ano o amadurecimento das discussões com o Conselho Federal de Medicina (CFM), os conselhos regionais, a Associação Médica Brasileira (AMB) e instâncias governamentais como o Ministério da Saúde.

A Sociedade é a soma de seus associados. Se cada um dedicar parte de seu esforço, tempo e conhecimento aos interesses comuns da medicina e dos pacientes, continuaremos a construir uma especialidade forte e preparada para o futuro.”

*Marcelo Rodrigo de Souza Moraes é angiologista, cirurgião vascular e membro da Comissão do Departamento de Emergência Vascular da SBACV-SP.

 

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