Todos os anos, pelo menos 400 mil brasileiros perdem a vida em decorrência de complicações no coração — o que equivale a uma morte a cada um minuto e meio. As doenças cardiovasculares são as líderes absolutas em mortalidade no Brasil, provocando mais mortes do que todos os tipos de câncer juntos. O impacto dessas enfermidades supera também os óbitos decorrentes de problemas respiratórios, violência e acidentes de trânsito.
Em âmbito global, dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam mais de 17 milhões de mortes anuais, enquanto o Ministério da Saúde indica que as patologias cardíacas representam cerca de 30% de todos os óbitos registrados no país. Os números chamam atenção principalmente neste Dia Mundial do Coração, celebrado em 29/9 como ponto alto da campanha Setembro Vermelho, de conscientização sobre as doenças cardiovasculares.
A alta prevalência ocorre porque as patologias que afetam o sistema cardiovascular são diversas, de alta prevalência na população e frequentemente associadas a fatores de risco silenciosos e de longo prazo. Condições como hipertensão arterial, diabetes, níveis elevados de gordura no sangue (colesterol e triglicerídeos), obesidade, sedentarismo, tabagismo, estresse contínuo, histórico familiar e alterações na tireoide atuam de forma combinada para danificar progressivamente o coração e os vasos sanguíneos.
SUS no Estado do Rio faz 350 mil eletrocardiogramas por ano

Para enfrentar essa alta mortalidade e garantir que o atendimento chegue a tempo, a rede pública de saúde vem investindo na expansão de linhas de cuidado e tecnologia. No Estado do Rio de Janeiro, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ) conta com a Linha de Cuidado Cardiovascular, que integra o diagnóstico inicial, o atendimento de urgência e o acompanhamento contínuo dos pacientes.
Um dos principais pilares dessa estratégia é o uso da telemedicina:
-
Exames em escala: O estado realiza cerca de 350 mil eletrocardiogramas (ECGs) por ano na rede pública. O exame é uma das principais ferramentas para identificar alterações cardíacas e faz parte da linha de cuidado, especialmente no atendimento a casos de infarto agudo do miocárdio
-
Diagnóstico ágil: Mais de 100 unidades de urgência e emergência utilizam sistemas de telemedicina para transmitir os exames em tempo real para cardiologistas, acelerando a definição do diagnóstico.
-
Tratamento precoce do infarto: Em casos indicados de infarto agudo do miocárdio, a equipe pode iniciar imediatamente a trombólise — procedimento que utiliza medicamentos para dissolver o coágulo e desobstruir a artéria.
A Linha de Cuidado Cardiovascular também prevê o acompanhamento dos pacientes após o atendimento de urgência, com o objetivo de reduzir o risco de novos eventos e garantir a continuidade do tratamento de condições como insuficiência cardíaca, doença coronariana e valvopatias.
As iniciativas foram apresentadas pelo coordenador da Linha de Cuidado Cardiovascular da SES-RJ, Antonio Ribeiro, durante o 47º Simpósio do Instituto Nacional de Cardiologia (INC), realizado no Flamengo, Zona Sul da capital, reunindo profissionais para discutir prevenção, diagnóstico e tratamento das doenças cardiovasculares.
Segundo ele, a rapidez na resposta inicial é determinante para salvar vidas e reduzir sequelas graves. Além disso, a linha de cuidado assegura a continuidade do tratamento após a alta de emergência, prevenindo novos eventos em pessoas que convivem com insuficiência cardíaca, doença coronariana e doenças das válvulas cardíacas.
O perigo silencioso das valvopatias e os direitos do paciente

Entre as diversas enfermidades cardíacas, as doenças das válvulas do coração (valvopatias) destacam-se pelo impacto na vida de milhões de pessoas e por avançarem, em muitos casos, sem sintomas aparentes nas fases iniciais.
Segundo Marlene Oliveira, fundadora e presidente do Instituto Lado a Lado pela Vida (ILLP), a falta de diagnóstico precoce e a jornada complexa de cuidados ainda representam grandes obstáculos no país:
Ao longo de mais de 12 anos, ouvimos pacientes, cuidadores e médicos que relataram as mesmas dificuldades, falta de informação, dificuldade de acesso a exames e tratamentos, e a sensação de não participar das decisões sobre o próprio cuidado”.
Para orientar a população e assegurar um acompanhamento adequado, o Instituto Lado a Lado pela Vida, em parceria com a organização internacional Global Heart Hub, elaborou o Estatuto do Paciente com Valvopatia e Cuidadores. O documento funciona como um desdobramento do recém-sancionado Estatuto dos Direitos do Paciente (Lei nº 15.378/2026),.
O Estatuto detalha sete direitos essenciais — como acesso agilizado a consultas, exames de diagnóstico, tratamentos e suporte psicológico —, além de reforçar a corresponsabilidade do paciente no sucesso terapêutico. O guia completo pode ser baixado gratuitamente no portal da campanha Siga seu Coração.
Leia mais
Vinho: será que uma taça por dia pode salvar seu coração?
Doenças do coração atingem mais os homens? Puro mito!
Quando o coração dispara: conheça os riscos da arritmia cardíaca
Como prevenir o avanço das doenças cardiovasculares
Apesar dos índices alarmantes, grande parte das patologias do coração pode ser prevenida ou controlada por meio de mudanças no estilo de vida e do acompanhamento médico regular. A Organização Mundial da Saúde recomenda a adoção contínua de medidas de proteção à saúde cardiovascular:
-
Atividade física regular: Prática constante de exercícios adequados à faixa etária e condição física;
-
Alimentação equilibrada: Redução do consumo de açúcares e gorduras saturadas, priorizando frutas, legumes e alimentos integrais;
-
Combate ao tabagismo: Eliminação do uso de cigarros e derivados do tabaco;
-
Moderação no álcool: Restrição e controle rigoroso do consumo de bebidas alcoólicas;
-
Acompanhamento médico: Consulta regular com o cardiologista ao notar qualquer sinal de alerta ou para exames preventivos de rotina.
Mobilização e conscientização pelo Setembro Vermelho

Como parte das iniciativas de conscientização que marcam o Dia Mundial do Coração (29 de setembro) e o encerramento do Setembro Vermelho, monumentos e instituições de saúde realizam ações integradas em todo o país.
No Rio de Janeiro, o monumento ao Cristo Redentor recebe uma iluminação especial em vermelho, em cerimônia no Santuário Cristo Redentor, fruto da cooperação entre o Instituto Lado a Lado pela Vida, o Instituto Nacional de Cardiologia (INC) e o Santuário, com apoio do reitor Padre Omar. A ação simboliza a união entre sociedade civil e poder público no combate às doenças cardíacas.
De acordo com Aurora Issa, diretora do Instituto Nacional de Cardiologia, o enfrentamento do problema exige atuação conjunta: “A iluminação do Cristo Redentor no Dia Mundial do Coração simboliza a integração entre instituições, profissionais, pacientes e sociedade trabalhando juntos pela prevenção, pelo cuidado integral e pela redução das desigualdades em saúde”.
A mobilização estende-se também ao Palácio do Congresso Nacional, em Brasília, que é iluminado em vermelho nos dias 30 de setembro e 1º de outubro. Na esfera científica, o Instituto Nacional de Cardiologia promove o 48º Simpósio do INC no Hotel Windsor Florida (Flamengo, RJ), reunindo especialistas para debater inovações clínicas, cirúrgicas e a integração das redes assistenciais sob o tema “Cardiologia em rede: construindo uma saúde cardiovascular integrada”.
Com informações do Instituto Lado a Lado pela Vida, Congresso Nacional e SES-RJ
Quer receber notícias atualizadas sobre segurança digital, saúde e bem-estar diretamente no seu celular? Entre no canal oficial do Portal Vida e Ação no WhatsApp e acompanhe todas as novidades

Quer receber notícias atualizadas sobre segurança digital, saúde e bem-estar diretamente no seu celular? Entre no 


