Enquanto o mundo discute saúde, bem-estar e novas formas de consumo, o Brasil começa a refletir essa transformação também no copo. Presente em festividades e refeições há milhares de anos, o vinho tem crescido no gosto dos brasileiros nos últimos anos, em múltiplas versões, inclusive com baixo ou nenhum teor alcoólico. Antes vistos como produtos de nicho, eles passam a ocupar um espaço cada vez mais relevante na rotina de consumo, especialmente em períodos de calor e em ocasiões sociais mais informais e até mesmo na praia, em pleno verão carioca.
A tendência acompanha um movimento global. Estudos recentes indicam que mais da metade dos consumidores reduziram a ingestão de álcool nos últimos anos, motivados por escolhas mais conscientes, qualidade de vida e busca por experiências mais equilibradas. Esse comportamento impulsiona a expansão da categoria conhecida como low & no alcohol, que cresce de forma consistente no mundo e começa a influenciar diretamente o mercado brasileiro de vinhos.
Para promover o setor e incentivar o enoturismo, foi criado o Dia Nacional do Vinho, comemorado anualmente no primeiro domingo de junho no Brasil. Em 2026, a data é celebrada oficialmente no dia 7 de junho. A bebida ocupa uma linha tênue entre prazer e preocupação. Mas, afinal, tomar uma taça de vinho por dia faz bem ou mal à saúde? Segundo especialistas, p vinho contém propriedades nutricionais importantes e pode sim ser benéfico, desde que consumido com moderação.
De acordo com Dayanne Maynard, professora de Nutrição do Centro Universitário de Brasília (CEUB), o vinho tinto, em especial, contém polifenóis como o resveratrol, que têm ação antioxidante. Esses compostos ajudam a neutralizar os radicais livres, elementos que contribuem para o envelhecimento celular e o surgimento de doenças crônicas.
Estudos também apontam que o consumo moderado da bebida pode beneficiar o coração, aumentando os níveis de HDL, o colesterol considerado bom, que auxilia na eliminação do LDL, o ruim”, destaca a nutricionista, lembrando que o excesso de LDL nas artérias é um dos fatores que elevam o risco de infarto e AVC.
Como produto da uva, o vinho oferece vitaminas do complexo B, além de minerais como ferro, potássio e magnésio, mas também contém álcool, que tem alto valor calórico: cada grama equivale a cerca de 7 kcal. Assim, a docente do CEUB alerta que o limite entre o benefício e o dano é estreito.
Quando inserido com equilíbrio na alimentação saudável, o vinho pode funcionar como ‘remédio’: uma taça diária para mulheres, até duas para homens. Porém, em excesso, os prejuízos à saúde como danos hepáticos, neurológicos e maior risco de dependência e câncer, superam qualquer possível ganho.”
Apesar dos efeitos positivos, a especialista alerta que a Organização Mundial da Saúde (OMS) reforça que nenhuma quantidade de álcool é totalmente segura, desaconselhando o consumo de bebidas alcoólicas como estratégia de promoção da saúde.
De acordo com Dayanne Maynnard, quem evita o álcool ou tem contra indicações médicas para consumir este tipo de bebida, não precisa abrir mão dos compostos benéficos presentes na bebida, basta consumir a fruta in natura.
Vinhos de baixo teor alcoólico estão mudando a forma de beber no Brasil
Leves, refrescantes e versáteis, rótulos com menor teor alcoólico ganham espaço no calor e revelam uma mudança profunda no comportamento do consumidor brasileiro
Segundo a consultoria internacional Wine & Spirits Research (IWSR), o mercado global de bebidas com baixo ou nenhum teor alcoólico ultrapassou US$13 bilhões em 2023 e segue em trajetória de crescimento. No Brasil, embora o vinho tradicional ainda lidere as vendas, categorias mais leves, como espumantes suaves, vinhos adocicados e rótulos pensados para consumo refrescante ou em drinks, vêm ganhando protagonismo, sobretudo durante o verão.
Para o sommelier Tiago Locatelli, da Decanter Vinhos, essa mudança vai além de uma preferência sazonal. “O calor brasileiro pede bebidas mais leves, mas o que estamos vendo é algo mais profundo. Existe uma mudança real na forma como as pessoas querem beber: com mais consciência, mais frequência e menos excesso”, afirma.
Essa nova relação com o álcool também amplia o papel do vinho em momentos sociais. “Esses rótulos se encaixam melhor no dia a dia, em encontros ao ar livre, happy hours e até como base para drinks. O vinho deixa de ser exceção e passa a integrar a rotina”, completa o sommelier.
Receita de clericot tropical (alcoólico ou com versão sem álcool)
Um clássico das festas — e ainda mais prático porque pode ser servido em jarra.
Ingredientes:
- Uvas, morangos, manga ou abacaxi picados
- 1 garrafa de vinho branco ou espumante
- Água com gás
- Para versão sem álcool: substitua o vinho por suco branco de uva
Basta misturar os ingredientes em uma jarra grande com gelo. As frutas dão sabor, cor e deixam a mesa ainda mais bonita.
Dia Nacional do Vinho: curiosidades






