A tecnologia se consolidou como uma ponte crucial para exercer a cidadania e salvar vidas no Brasil. Regulamentada nacionalmente pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (AEDO) acaba de completar dois anos de funcionamento, acumulando um crescimento contínuo. Desde o seu lançamento, a plataforma já contabiliza 29.745 manifestações formais de intenção de doação de órgãos realizadas de forma totalmente eletrônica e gratuita.
Os dados ganham urgência quando confrontados com o tamanho das filas de espera no país. De acordo com informações oficiais do Ministério da Saúde, mais de 48 mil pessoas aguardam atualmente por um transplante de órgão no território nacional — sendo os procedimentos de rim e de fígado os que concentram as maiores demandas do sistema. Do outro lado, o esforço das equipes médicas segue intenso: apenas nos primeiros meses de 2026, mais de 3 mil transplantes já foram realizados no país.
A virada de chave no acolhimento familiar
A corrida por salvar vidas esbarra em uma dificuldade: a autorização das famílias. Nesse cenário, o Estado do Rio de Janeiro vem se consolidando como uma das principais referências públicas do país. De acordo com o mais recente Registro Brasileiro de Transplantes (RBT), o Rio de Janeiro alcançou a segunda maior taxa de autorizações familiares para transplantes do Brasil, registrando 67% de respostas positivas das famílias.
O índice fluminense empata com o do Paraná e fica logo atrás de Santa Catarina (68%), superando com folga a média nacional, que é de 55%. O estado também registra uma média de 22,4 doadores por milhão de população (pmp), número superior à taxa média nacional de 20,3 doadores.
Este avanço estrutural é impulsionado pelo Plano Estadual de Doação e Transplantes, que estruturou mais de cem Comissões Intra-hospitalares de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT). Essas equipes são rigorosamente treinadas para acolher famílias enlutadas em UTIs por meio de técnicas de escuta ativa e apoio humanizado durante o luto.
A doação de órgãos simboliza a continuidade da vida, e por isso temos trabalhado para ampliar os transplantes. Temos tecnologias de ponta e profissionais preparados para acolher as famílias enlutadas. Também fortalecemos as Organizações de Procura de Órgãos que atuam em todo o estado”, afirma o secretário de Estado de Saúde do Rio de Janeiro, Ronaldo Damião.
Alan Melquíades, diretor do RJ Transplantes. orienta a conversar abertamente com seus familiares hoje mesmo e manifeste o seu desejo de ser doador de órgãos e de sangue. Um único doador de órgãos tem o poder de salvar e estender a vida de até oito pessoas. Informar quem você ama sobre essa escolha é o primeiro passo para permitir que a dor da perda seja ressignificada na forma de vida nova para outra pessoa.
Como funciona a Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos
Criada pelo Colégio Notarial do Brasil – Conselho Federal (CNB/CF) por meio da plataforma e-Notariado, a Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos permite que o cidadão registre oficialmente sua vontade pela internet, contando com plena validação jurídica realizada pelos Cartórios de Notas. Em 2024, no primeiro ano completo de operação, o sistema registrou 18.659 solicitações.
No ano seguinte, em 2025, foram somadas mais 8.886 manifestações. Já em 2026, os dados coletados até o início de maio mostram que o sistema já recebeu mais de 2.200 novas autorizações eletrônicas, mantendo a curva de adesão aquecida.
A Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos representa um avanço importante ao permitir que a população manifeste oficialmente sua vontade de forma simples, segura e totalmente digital. Ao longo desses dois anos, a AEDO se consolidou como uma ferramenta de cidadania, conscientização e apoio direto à política pública de transplantes no Brasil, uma vez que a conversa que antes era somente familiar agora pode ser formalizada oficialmente pela internet”, destaca o tabelião Eduardo Calais.
Incentivos legais e a busca por engajamento nacional
O sucesso da plataforma digital começou a inspirar também o poder público a criar mecanismos de incentivo social. No Paraná, por exemplo, a aprovação da Lei estadual nº 22.618/2025 passou a garantir benefícios práticos, como o direito à meia-entrada em eventos culturais e esportivos, para cidadãos que estiverem devidamente cadastrados e com a manifestação ativa na AEDO. Medidas como essa buscam dar ainda mais visibilidade e estimular o engajamento da população jovem e adulta na causa.
Passo a passo: Como realizar a sua AEDO
O processo de cadastramento é moderno, rápido e não exige que o cidadão compareça presencialmente a um cartório:
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Acesso ao portal: O interessado deve acessar o site oficial da AEDO através da plataforma eletrônica do e-Notariado.
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Certificado digital: É feita a solicitação gratuita de um Certificado Digital Notarizado dentro da própria plataforma.
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Videoconferência: O cidadão realiza uma breve chamada de vídeo com um tabelião de notas para confirmar sua identidade e conferir segurança jurídica ao ato.
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Assinatura eletrônica: O usuário assina o documento digitalmente, especificando em detalhes quais órgãos e tecidos deseja autorizar para doação.
Após a conclusão, o documento é inserido imediatamente na Central Nacional de Doadores de Órgãos, ficando disponível para consulta restrita por profissionais autorizados do Sistema Nacional de Transplantes (SNT). Vale destacar que o documento é 100% flexível e pode ser revogado ou alterado pelo cidadão a qualquer momento.
DOE VIDA: Facilite o processo para quem você ama
Embora a AEDO seja um marco jurídico fantástico e um avanço burocrático sem precedentes, na prática médica do Brasil a palavra final pós-morte ainda pertence aos familiares do doador. O documento eletrônico funciona como uma prova incontestável e formal da sua vontade, servindo como o maior amparo que sua família pode ter para tomar a decisão correta em um momento de luto.
Por isso, na seção Doe Vida, o portal Vida e Ação ressalta: utilize as facilidades da internet para registrar sua vontade na plataforma e-Notariado, mas não deixe de conversar diretamente com seus parentes em casa. Deixe claro que você quer ser um doador de órgãos e de sangue. Um ato simples no celular pode dar início ao processo que salvará a vida de muitas pessoas que hoje não têm tempo a perder na fila.
Com Assessorias









