A estreia do documentário Preta — Eu Não Ando Só” , exibido pela Globo nesta segunda-feira (20/7), mostrou os últimos momentos de Preta Gil após a cantora receber a notícia de que, o tratamento alternativo realizado nos Estados Unidos não surtira o efeito esperado. As imagens acompanham a artista na casa onde estava hospedada, ao lado de pessoas próximas, depois da conversa com os médicos que recomendaram que ela retornasse para o Brasil.

Além de emocionar os fãs e seguidores da artista, a produção volta a chamar a atenção para um dos tipos de câncer que mais crescem no Brasil. O câncer colorretal – ou câncer de intestino – que levou a cantora à morte aos 50 anos, pouco mais de dois anos após o diagnóstico, tem se tornado cada vez mais conhecida entre a população brasileira.

Oito em cada 10 brasileiros reconhecem como grave a presença de sangue nas fezes ou a mudança de funcionamento no intestino por mais de um mês, dois dos principais sintomas da doença. Apesar disso, quase metade dos brasileiros que percebem os sintomas não procura ajuda médica de imediato, como aponta a pesquisa inédita realizada pelo A.C.Camargo Cancer Center em parceria com a Nexus, Pesquisa e Inteligência de Dados.

A região Sudeste se destaca no cenário nacional pelo comportamento proativo diante de sinais de alerta para o câncer colorretal. O levantamento nacional “A saúde do brasileiro, hábitos de vida e o uso de tecnologia em diagnósticos médicos” ouviu mais de 2 mil pessoas para mapear a percepção e as atitudes da população em relação à doença.

Entre os moradores do Sudeste que perceberam a presença de sangue nas fezes — um dos principais sintomas do tumor —, 72% procuraram um médico, posto de saúde ou hospital imediatamente. O índice é o maior entre todas as regiões do país, ficando bem acima da média nacional, que é de 59%. O contraste é evidente quando comparado a outras localidades, como o Sul (53%), o Nordeste (49%) e a região Norte/Centro-Oeste (39%).

Consciência e gravidade dos sintomas

O engajamento rápido no Sudeste caminha lado a lado com o reconhecimento da gravidade do problema. Na região, 84% dos entrevistados classificam como grave ou muito grave a presença de sangue nas fezes ou alterações no funcionamento intestinal que persistam por mais de um mês. Além disso, 70% associam diretamente esses sinais ao câncer de intestino.

Apesar da agilidade na busca por ajuda, os especialistas ressaltam que o acesso à informação e aos serviços de saúde pesa mais do que a experiência pessoal na região: 78% dos sudestinos disseram nunca ter tido contato com pacientes diagnosticados com esse tipo de tumor. A doença é a mesma que a cantora Preta Gil, natural do Rio de Janeiro, enfrentou durante dois anos, até falecer em julho do ano passado.

Desafios no rastreamento e prevenção

Mesmo com a resposta mais rápida aos sintomas evidentes, o Sudeste ainda esbarra no desconhecimento sobre os exames preventivos. 64% dos entrevistados da região nunca ouviram falar do exame de Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes (PSO), ferramenta simples e fundamental para identificar sinais da doença antes mesmo do aparecimento dos sintomas.

Apesar de alto, o percentual de desconhecimento sudestino é o menor do Brasil. Apenas 12% já realizaram o procedimento. Diante do cenário epidemiológico — o INCA estimou mais de 53 mil novos casos anuais de câncer colorretal no Brasil para o triênio —, a recomendação dos especialistas é clara:

O diagnóstico precoce do câncer colorretal está diretamente ligado a taxas de cura mais elevadas, o que reforça o papel de exames simples, como a pesquisa de sangue oculto nas fezes e a colonoscopia, na detecção da doença ainda em estágio inicial”, destaca Samuel Aguiar, líder do Centro de Referência de Tumores Colorretais do A.C.Camargo Cancer Center.

Especialistas reforçam a importância de não ignorar sinais persistentes como sangramentos, mudanças no ritmo intestinal, dor abdominal e perda de peso sem causa aparente, além de manter os exames preventivos em dia a partir dos 45 anos — ou antes, conforme a orientação médica e o histórico familiar.

O levantamento inédito revela que:

  • Dos 80% de entrevistados que reconhecem a gravidade de sangue nas fezes ou uma mudança no funcionamento intestinal que persista por mais de um mês, 42% consideram esses sintomas “muito grave”
  • 9% dos brasileiros já notaram a presença de sangue nas fezes; desse grupo, 59% buscaram atendimento médico imediatamente
  • 19% apenas esperaram o sintoma passar
  • 75% dos entrevistados nunca tiveram contato com pacientes desse tipo de câncer
  • Dois em cada três brasileiros (67%) nunca ouviram falar do exame “Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes” (PSO)

‘Quanto mais Preta, melhor’

O legado de Preta Gil é celebrado no projeto especial ‘Quanto mais Preta, melhor’, lançado exatamente no dia 20 de julho de 2026, data que marca um ano do falecimento da artista. A homenagem póstuma se divide em duas grandes produções que mostram diferentes fases de sua trajetória.
Exibido em TV aberta pela Globo (na sessão Tela Quente) e disponível no Globoplay, este longa-metragem foca de maneira muito íntima e sem filtros nos últimos dois anos de vida da cantora e sua batalha contra o câncer colorretal. 
    • Imagens reais: Construído com registros caseiros feitos por celulares da própria Preta, de familiares e de amigos próximos.
    • Rede de afeto: Destaca o suporte diário que ela recebeu de nomes como Carolina Dieckmann, Ivete Sangalo, Regina Casé, Gominho e de sua família.
    • Direção: Assinada por Sandra Kogut e Monica Almeida, com roteiro de Renato Terra. 

Série Documental “Meu Nome É Preta
Uma produção Original Globoplay dividida em quatro episódios semanais. Sob a direção de Mini Kerti e produção de Flora Gil, a série faz uma retrospectiva completa: 
  • Início e Bastidores: Mostra desde a infância cercada pela Tropicália, a juventude em São Paulo, a maternidade precoce de Francisco Gil e a atuação de Preta nos bastidores da publicidade.
  • Casamentos e Desafios: Conta com depoimentos inéditos de ex-maridos como o ator Otávio Müller e o diretor Rafael Dragaud, que relembram momentos marcantes e vulneráveis, como as perdas gestacionais que o casal enfrentou. [1, 2]
  • Legado Musical: Detalha sua transição tardia para os palcos, o sucesso dos seus blocos de Carnaval e seu impacto na quebra de tabus sobre o corpo e a representatividade.

Com informações do A.C. Camargo Cancer Center e Nexus

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