Como anda a saúde mental e o HPV em pessoas transgênero?

É o que duas pesquisas querem saber para dar visibilidade a esse público e mais acesso a mais informações de saúde

Pesquisadores aproveitam grandes eventos como a Parada LGBT no Rio de Janeiro para ouvir público trans sobre saúde mental (Foto: Tomaz Silva - Agência Brasil)
Gostou desse conteúdo? Compartilhe em suas redes!

Há muito tempo a população transgênero tem lutado para conquistar mais visibilidade e direitos em diversas esferas sociais, incluindo a área da saúde. Além disso, ainda há uma lacuna significativa no conhecimento científico sobre as necessidades específicas e os desafios enfrentados por essa comunidade. Por isso, algumas pesquisas em andamento deverão ajudar a realizar um raio X da saúde desta população. Uma delas é sobre a saúde mental e a outra, sobre a prevalência do vírus do HPV entre pessoas trans.

“Infelizmente, a população LGBTQIAPN+, principalmente a população transgênero, ainda é sub-representada em muitos estudos científicos, o que limita a generalização dos resultados e a aplicabilidade dos tratamentos. É crucial que mais pesquisas sejam realizadas com foco nessa comunidade, a fim de eliminar essa disparidade e garantir que as necessidades de saúde específicas de pessoas trans sejam devidamente atendidas”, Estevam Baldon, gerente médico da MSD Brasil.

Outro ponto importante é o empoderamento da população transgênero por meio da pesquisa. Ao participar de estudos científicos, os indivíduos têm a oportunidade de contribuir para o avanço da ciência e melhorar a compreensão de sua própria saúde. A inclusão de pessoas trans em pesquisas ajuda a desafiar estigmas e preconceitos, promovendo uma sociedade mais justa e igualitária.

Pesquisa vai até paradas LGBTI+ para ouvir população sobre saúde mental

Em novembro de 2023, representantes do estudo Smile já participaram da 17ª Parada LGBTI+ de Nova Iguaçu para divulgar essa pesquisa pesquisa internacional sobre saúde mental (incluindo desafios e bem-estar geral) de pessoas que são identificadas como minorias sexuais e/ou de gênero. A ação obteve um alcance de público de ao menos 1.500 pessoas.

Também em novembro membros da equipe estiveram na Marcha Trans, na Candelária, e no dia 19 estarão na 28ª Parada do Orgulho LGBTI+ Rio, em Copacabana (concentração a partir das 11h no Posto 5). A pesquisa Smile Brasil é uma das apoiadoras oficiais da Parada e, neste dia, fará uma exposição para distribuir material da pesquisa e orientar os voluntários no acesso, além de marcarem presença no trio da saúde integral.

Realizado pela Universidade Duke, localizada nos Estados Unidos, e conduzido no Brasil por pesquisadores da Fiocruz e Instituto Federal do Rio de Janeiro, o estudo Smile tem como objetivo coletar dados da maior quantidade possível de pessoas LGBTI+, para documentar os variados desafios enfrentados por eles. A proposta é entender como políticas públicas, programas e serviços podem ser mais bem desenvolvidos ou adaptados para ajudar e dar suporte.

“As paradas são a expressão viva do princípio que move o movimento LGBTI+ desde a ‘Revolta de Stonewall’, de 1969: a visibilidade massiva. Falar da nossa saúde mental e promovê-la, tendo um trio próprio da saúde integral, com protagonismo da pesquisa Smile Brasil, demonstra nosso envolvimento direto e estimula a participação das pessoas!”, comenta a professora Jaqueline Gomes de Jesus, coordenadora da pesquisa SMILE.

A Parada do Orgulho LGBTI+ Rio é considerada o terceiro maior evento da cidade e marca a luta por direitos iguais, combate a intolerância, ao preconceito e ao ódio. A marcha pretende reunir milhares de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, mulheres trans, homens trans, pessoas intersexo, não-binárias e aliados, com o objetivo de celebrar os direitos conquistados e lutar para que não haja retrocessos.

Para a realização da pesquisa, o estudo SMILE reuniu uma equipe multidisciplinar, que conta com pesquisadores brasileiros, americanos e de outras nacionalidades, de diferentes formações acadêmicas e vasta experiência no trabalho com comunidades de minorias sexuais e de gênero.

Os voluntários que participarem também contarão com acesso a serviços como o Planejamento de Segurança, que consiste em um material de prevenção para lidar com pensamentos e comportamentos suicidas. Para participar, pessoas LGBTI+ devem acessar o link: https://encr.pw/ttRzO – a pesquisa virtual dura cerca de 15-20 minutos.

Pesquisa sobre a incidência de HPV na população trans

Um estudo inédito no país. iniciado em outubro, vai avaliar a prevalência e como estão distribuídos os diferentes tipos do papilomavírus humano (HPV) entre pessoas transgênero. Realizada pela MSD Brasil, a pesquisa é fundamental para avançar na compreensão de questões médicas complexas e aprimorar a prestação de cuidados de saúde a grupos específicos.

No contexto da população transgênero, a falta de informações precisas e atualizadas pode levar a disparidades na assistência médica e em cuidados em saúde, dificultar diagnósticos adequados e limitar o acesso a tratamentos modernos e eficazes.

Estevam Baldon, gerente médico da MSD Brasil, explica que existe uma escassez de dados sobre prevalência de HPV na população transgênero no geral, além de demais informações em saúde sobre essa população. Portanto, esses dados são importantes para garantir uma discussão que possibilite a inclusão e o acesso à vacinação a esta população no PNI.

A pesquisa vai avaliar indivíduos que se auto identificam como transgênero (termo que abrange travestis, mulheres transgênero e homens transgênero, indivíduos de gênero diverso e indivíduos não-binários), maiores de 18 anos de idade, e que já tenham tido qualquer tipo de contato sexual.

O período de recrutamento total será de 12 meses, com início previsto para outubro de 2023 e finalização em setembro de 2024, e a participação de 300 voluntários. Já os resultados devem ser publicados no segundo semestre de 2025. Um dos objetivos do estudo é a geração de dados locais sobre prevalência e distribuição dos tipos de HPV nessa população.

“As informações reunidas na pesquisa podem ser utilizadas para discussões de políticas públicas em saúde, que podem facilitar o acesso da população trans à vacinação. Além de contribuir para o desenvolvimento de recomendações preventivas e de cuidado e educação em saúde contínuas, garantindo a equidade de direitos a esses grupos minorizados e aumentando sua visibilidade perante a sociedade”, completa.

Com informações de assessorias

Gostou desse conteúdo? Compartilhe em suas redes!

You may like

In the news
Leia Mais
× Fale com o ViDA!