Cerca de 7,3 milhões de pessoas atuam em trabalho voluntário no Brasil, o equivalente a 4,2% da população com 14 anos ou mais, segundo dados do IBGE. O engajamento é ainda mais amplo: pesquisa nacional do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) aponta que 56% dos brasileiros afirmam já ter participado de alguma atividade voluntária ao longo da vida.

Da população adulta, com 16 anos ou mais, 60% afirmam que já participaram de ações solidárias. Os dados são da edição 2026 da Pesquisa Voluntariado no Brasil, realizada pelo Datafolha, e mostram que três em cada cinco brasileiros já se envolveram em algum tipo de trabalho voluntário.

As doações já fazem parte da realidade da maioria dos brasileiros. Segundo a Pesquisa Doação Brasil 2024, realizada pelo Idos. 78% da população já fez algum tipo de doação de dinheiro, bens ou tempo. É nesse cenário de fortalecimento da participação social que o país comemora mais um Dia Nacional do Voluntariado, neste 28 de agosto. 

Mutirões de limpeza unem cooperativismo e voluntariado

A conexão entre voluntariado e cooperativismo ganha forma por meio de uma iniciativa do Instituto Unicred, que propõe mobilizar as cooperativas de crédito em diferentes regiões do Brasil para realizar mutirões de limpeza em espaços públicos, como rios, praias, praças e parques. A ideia é incentivar o cuidado com locais que fazem parte da vida das comunidades e que são importantes para a biodiversidade, a convivência e a qualidade de vida.

Além do impacto direto nos espaços escolhidos, esse tipo de iniciativa fortalece a conexão entre colaboradores, cooperados e comunidade. Pessoas se reúnem em torno de um objetivo comum e colocam em prática um valor central do cooperativismo: cooperar para cuidar do que é coletivo.

A mobilização promovida pela Cooperativa Financeira Unicred do Brasil e Instituto Unicred, que propõe ações voluntárias de cuidado com espaços públicos em diferentes regiões do Brasil. A iniciativa envolve as cooperativas da Unicred em mutirões de limpeza de rios, praias, praças e parques, reforçando um dos princípios do cooperativismo: o interesse e o cuidado com as comunidades onde está presente.

Voluntariado e cooperativismo

voluntariado pode aparecer em grandes ações, mas também está presente em atitudes simples do dia a dia: doar algumas horas para uma causa, participar de alguma ação ou atividade em grupo, compartilhar conhecimento ou ajudar a cuidar de um espaço coletivo.

É essa ideia que aproxima o Dia Nacional do Voluntariado, celebrado em 28 de agosto, do Dia C, movimento do cooperativismo realizado em 29 de agosto para incentivar ações com impacto positivo nas comunidades.

As duas datas falam sobre participação. E cooperar também significa olhar para o seu entorno e entender que o desenvolvimento de uma comunidade depende do envolvimento das pessoas que fazem parte dela.

Dia Nacional do Voluntariado valoriza pessoas que dedicam tempo, trabalho e conhecimento para apoiar causas, instituições ou comunidades, sem receber remuneração ou qualquer outra forma de contrapartida.

Dia C, por sua vez, mobiliza cooperativas, cooperados, colaboradores e comunidades em torno de ações voluntárias. A proposta é mostrar como a cooperação pode se transformar em cuidado, participação e impacto positivo.

Quando essas duas datas se encontram, a mensagem fica clara: voluntariado e cooperativismo têm muito em comum.

E essa conexão também tem relação direta com um dos princípios do cooperativismo: o interesse pela comunidade. Em uma cooperativa, o crescimento não é pensado apenas de forma individual. Ele também considera o desenvolvimento das pessoas e dos lugares onde a cooperativa está presente.

Cooperação na prática

Muitas vezes, o voluntariado é visto como algo distante ou difícil de encaixar na rotina. Mas ele pode começar com ações simples e próximas da realidade de cada pessoa. Participar de uma limpeza em uma praça, ajudar uma instituição em uma campanha, organizar uma atividade educativa ou mobilizar outras pessoas para uma causa são exemplos de atitudes voluntárias.

O ponto principal está na intenção e no envolvimento: doar tempo, trabalho ou conhecimento para beneficiar outras pessoas, uma instituição ou um espaço coletivo. No cooperativismo, esse gesto ganha ainda mais sentido porque transforma valores em prática. Quando colaboradores, cooperados e parceiros se unem em uma ação voluntária, o resultado vai além da atividade realizada: fortalece vínculos, aproxima pessoas e reforça a cultura de cuidado com a comunidade.

Dia C e o Dia Nacional do Voluntariado lembram que a transformação social também nasce de escolhas simples. Participar de uma ação voluntária é dedicar tempo a algo que beneficia outras pessoas, fortalece vínculos e ajuda a cuidar dos espaços onde a vida acontece. Às vezes, a primeira ação começa com uma simples pergunta: como você pode contribuir com a comunidade ao seu redor?

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Terceiro setor já emprega quase 6 milhões de pessoas

E não estamos falando só “fazer  bem sem olhar a quem”. O mercado das organizações não governamentais (ONGs) e entidades beneficentes, integradas ao chamado terceiro setor, deve alcançar um valor movimentado de US$ 443,2 bilhões até 2029, conforme o relatório NGOs and Charitable Organizations Market Report 2025, divulgado pela Research and Markets.

A taxa de crescimento anual composta (CAGR) está estável em 6,6%, impulsionada principalmente pelos mercados emergentes e pelo aumento das doações públicas e parcerias privadas. No Brasil, o cenário segue a tendência global: o país reúne cerca de 897 mil organizações da sociedade civil (OSCs) ativas, que já respondem por 4,27% do PIB nacional e empregam aproximadamente 5,9 milhões de pessoas.

O levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que, embora o crescimento do número de entidades tenha sido modesto nos últimos anos (em torno de 2% em 2024), o setor se consolida como um dos mais relevantes da economia e da inclusão social.

Hoje, o terceiro setor não é mais um espaço amador ou assistencialista. Ele é profissional, estratégico e essencial para o desenvolvimento do país”, destaca Sheila Zanchet, fundadora do Instituto Sow, organização voltada ao impacto social e educacional, que já atendeu mais de 60 mil pessoas desde 2017. “A sociedade começou a entender que as OSCs movimentam a economia, geram empregos e transformam comunidades inteiras.”

A presença feminina é outro marco importante: 65% dos profissionais do terceiro setor no Brasil são mulheres, e 46% delas ocupam cargos de liderança, segundo dados da plataforma Nossa Causa. Para Sheila, o número revela uma característica fundamental do setor.

As mulheres têm um olhar empático e estruturador. Essa liderança humanizada é o que dá sentido e consistência às iniciativas de impacto. No Instituto Sow, por exemplo, mais da metade das voluntárias são mulheres, e isso reflete diretamente nos resultados”, observa.

Em 2025, o setor cerca de US$ 353,21 bilhões, com destaque para o segundo semestre, apontado como o período mais desafiador do ano. O estudo internacional prevê que o fortalecimento das parcerias com o setor privado e o aumento das doações individuais serão fundamentais para manter a sustentabilidade financeira das organizações.

O apoio da comunidade continua sendo o principal pilar das OSCs. Patrocínios e doações são fundamentais para manter os projetos funcionando, e o desafio está em garantir transparência e constância nesses apoios. Hoje, nosso foco é transformar boas intenções em resultados práticos”, explica Zanchet.

O fortalecimento das OSCs brasileiras mostra que o terceiro setor não é apenas um agente solidário, mas também um motor de desenvolvimento humano e econômico. O impacto de quase R$ 221 bilhões na economia e a geração de milhões de empregos revelam a importância de um ecossistema baseado em propósito e participação coletiva.

 

Dia de Doar fortalece campanhas comunitárias e coalizões em todo o Brasil

Nova edição marca início da coordenação nacional pelo Movimento por uma Cultura de Doação e apoiará até 30 iniciativas de diferentes regiões do país

Com o objetivo de fortalecer a cultura de doação e incentivar a mobilização em torno da solidariedade, o Dia de Doar faz parte de um movimento mundial chamado #GivingTuesday (terça-feira de doação).  A iniciativa aconteceu pela primeira vez nos Estados Unidos, em 2012, e é realizada sempre na terça-feira após o Dia de Ação de Graças (Thanksgiving), uma resposta solidária à Black Friday e à Cyber Monday. No Brasil, a primeira edição foi em 2013 e, no ano seguinte, o país entrou oficialmente no movimento global.

Liderado pelo Movimento por uma Cultura de Doação (MCD), o Dia de Doar é uma iniciativa que visa estimular a doação de indivíduos, empresas e organizações, e tem um papel fundamental ao mostrar que todos podem participar, fortalecendo o hábito de doar como parte do cotidiano das pessoas.  Já as organizações sem fins lucrativos podem realizar ações para receber doações, virtuais ou presenciais. No site do Dia de Doar (www.diadedoar.org.br) estão disponíveis mais informações, dicas, materiais e manuais para quem quiser realizar sua própria ação de doação.

Acreditamos que uma cultura de doação se constrói por pessoas que mobilizam suas comunidades. O Brasil já é um país solidário, e nosso desafio é transformar essa solidariedade em um hábito cada vez mais presente no dia a dia. Quando lideranças locais fortalecem redes de colaboração, a doação deixa de ser um ato isolado e passa a fazer parte do cotidiano. Queremos continuar fortalecendo essas mobilizações e ampliar a participação de diferentes territórios na construção do Dia de Doar”, afirma Juliana Prado, líder de projetos do Movimento por uma Cultura de Doação (MCD).  

Inscrições para o edital de apoio à filantropia comunitária

A iniciativa Dia de Doar (DDD) lança a 6ª edição do Edital de Apoio à Filantropia Comunitária  vai selecionar até 30 campanhas comunitárias e coalizões de diferentes regiões do país para receber apoio financeiro de R$ 2.400,00 por campanha.

Para as 20 primeiras colocadas, também receberão apoio voluntário remoto, por meio de um trio de pessoas voluntárias conectado pelo Atados, maior plataforma de voluntariado do Brasil, que acompanhará as campanhas na mobilização e preparação de suas ações até o Dia de Doar, na realização de ações locais de incentivo à doação.

As inscrições seguem abertas até 28 de agosto, às 18h (horário de Brasília-DF) e o resultado será divulgado em 1º de outubro, nas redes sociais do Dia de Doar. A meta é fortalecer lideranças locais, ampliar redes de colaboração e apoiar o planejamento e a execução das campanhas até o Dia de Doar.

Mobilização que nasce nas comunidades

Para o edital do DDD, podem participar pessoas físicas, organizações da sociedade civil (OSCs), coletivos, escolas, fundações, institutos e empresas que estejam organizando uma campanha comunitária em seu município ou região. As propostas serão avaliadas com base em critérios como potencial de impacto, criatividade, inovação, diversidade regional e de causas, além da capacidade de mobilizar a comunidade e articular parcerias com outras organizações locais.

Os recursos poderão ser destinados à produção de materiais gráficos e audiovisuais, realização de eventos, impulsionamento de conteúdos em redes sociais, divulgação em veículos de comunicação locais, ações presenciais e despesas logísticas relacionadas à campanha, entre outras iniciativas alinhadas ao fortalecimento da cultura de doação. O regulamento e o formulário de inscrição estão disponíveis em https://bit.ly/4g4MKWU .

Novo ciclo para o Dia de Doar

6ª edição do Edital de Apoio à Filantropia Comunitária marca o início de um novo ciclo do movimento. Pela primeira vez, o Dia de Doar passa a ser coordenado nacionalmente pelo MCD, fortalecendo sua integração a uma agenda permanente de promoção da cultura de doação no Brasil.

O edital também inaugura uma nova etapa de articulação entre organizações comprometidas com o fortalecimento da filantropia comunitária. A iniciativa conta com financiamento do Hub GivingTuesday América Latina e Caribe e Fundação FEAC, e passou por um processo de revisão metodológica conduzido pela consultoria em investimento social e filantropia ponteAponte, com o objetivo de tornar o apoio às campanhas ainda mais efetivo e alinhado às diferentes realidades dos territórios brasileiros.

Com Assessorias

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