

Os dados de 2024 sistematizados no documento consideram, pela primeira vez, os padrões estabelecidos por uma resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que atualizou os limites admitidos no país e estabeleceu etapas de transição para alcançar os padrões da OMS.
As informações revelam a tendência de aumento ou diminuição da concentração dos poluentes, a sazonalidade e quando ultrapassam os padrões de qualidade do ar a partir da presença de ozônio, monóxido de carbono, dióxido de nitrogênio, dióxido de enxofre, material particulado fino e material particulado inalável. As informações são coletadas nas estações de monitoramento existentes em todo o país.
Na análise da ultrapassagem dos padrões de qualidade do ar, as únicas substâncias que se mantiveram nos limites admissíveis da tabela de transição do Conama, com poucas ultrapassagens, foram o monóxido de carbono (CO) e o dióxido de nitrogênio (NO₂).
As duas substâncias registraram ultrapassagens pontuais no Brasil, como no estado do Maranhão, que ultrapassou o limite de CO em 18% dos dias registrados pela estação Santa Bárbara. Todas as demais substâncias ultrapassaram e se mantiveram ao longo do ano acima dos limites intermediários de concentração admissíveis pela resolução do Conama.
Poluição do ar é problema crônico no Brasil
De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a poluição do ar é responsável por mais de 7 milhões de mortes no mundo a cada ano. No Brasil, cidades como São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre frequentemente registram índices acima do recomendado. A exposição prolongada a poluentes está associada a doenças respiratórias, cardiovasculares e até câncer de pulmão.
De acordo com a otorrinolaringologista Cristiane Passos Dias Levy, especialista em alergias respiratórias do Hospital Paulista, esses poluentes são um dos principais vilões das doenças respiratórias não infecciosas.
A poluição atmosférica está associada ao agravamento de quadros como asma, rinite e bronquite. Em dias secos, as partículas ficam mais concentradas no ar e penetram mais facilmente nas vias aéreas, provocando inflamação e piora dos sintomas em pessoas vulneráveis”, explica a médica.
Ambientes internos também sofrem com má qualidade de ar
Ao contrário do que muitos pensam, ambientes internos em casa ou no escritório também podem estar contaminados. Poeira, mofo, ácaros e até poluentes externos entram pelas janelas ou se acumulam em locais mal ventilados e com limpeza insuficiente. Por isso, manter o ar limpo dentro de casa é uma medida essencial para proteger a saúde, especialmente de crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas.
A qualidade do ar que respiramos dentro de casa pode ser ainda mais importante do que a do lado de fora. Um ambiente bem cuidado, limpo e com boa filtragem do ar reduz riscos de crises respiratórias, especialmente em épocas de poluição elevada”, reforça a otorrinolaringologista.
É nesse cenário que o ar-condicionado pode funcionar como aliado no controle da qualidade do ar interno, desde que utilizado corretamente. O uso do aparelho com portas e janelas fechadas ajuda a reduzir a entrada de poluentes externos.
O ar-condicionado limita a troca com o ar externo e, com a filtragem adequada, consegue reter partículas em suspensão, como poeira, fumaça e microrganismos”, explica Romenig Bastos, supervisor de Pesquisa & Desenvolvimento da Gree Electric Appliances.
Veja abaixo 5 dicas para melhorar a qualidade do ar dentro de casa:
1. Mantenha os filtros do ar-condicionado limpos e faça manutenção regularmente;
2. Evite abrir janelas em horários de pico de poluição (manhã e fim da tarde);
3. Aposte em plantas que ajudam a filtrar o ar, como jiboia, espada-de-são-jorge e lírio-da-paz;
4. Considere usar um purificador de ar com filtros de alta eficiência, especialmente em regiões muito poluídas.
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Conheça os estados com maiores concentrações de poluentes
De acordo com o relatório, o aumento de concentração de ozônio (O₃) chegou a atingir em média 11% do total de medições em 2024, com maiores magnitudes observadas nas estações de Minas Gerais, mas também observadas em estações dos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo e Bahia.
A tendência de aumento de concentração de monóxido de carbono (CO) chegou a 17%, detectado no Rio Grande do Sul e também observada em localidades no Rio de Janeiro e Pernambuco. Já a tendência de aumento do dióxido de Nitrogênio (NO₂) foi de até 22%, no Rio de Janeiro, com tendência positiva também em estações em São Paulo, Espírito Santo, Minas Gerais e Bahia.
O Espírito Santo detectou aumento de 16% de concentração de dióxido de enxofre (SO₂), que também teve variação positiva detectada no Rio de Janeiro e em Minas Gerais. O material particulado fino – que reúne micropartículas de poluição com maior penetração nos pulmões e corrente sanguínea – registrou tendência de redução da concentração que chegou a 8,4% em estações de São Paulo.
Já o material particulado inalável – composto por partículas maiores, mas capazes de penetrar no trato respiratório pelo nariz e boca – atingiu a maior tendência de aumento, 8%, em uma estação presente em uma escola, no estado de Minas Gerais.
Subnotificação impacta rede de monitoramento
Além das informações relativas à qualidade do ar, o relatório divulgado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) representa um grande avanço para o setor, ao ser estruturado com base na Política Nacional de Qualidade do Ar (Pronar), criada em 2024 e que viabilizou a sistematização das informações incluídas no MonitorAr pelos estados.
O Brasil dispõe de 570 estações de monitoramento da qualidade do ar em todo o país, um aumento de 91 unidades (19%), em relação aos dados de 2023 e de 175 unidades (44%), na comparação com 2022. Mas o relatório revela limitações no envio de informações pelos estados ao Sistema Nacional de Gestão da Qualidade do Ar (MonitorAr). Do total de estações cadastradas, 21 não tiveram seu status informado e outras 75 constam como inativas.
As falhas no envio de informações pelos estados também podem refletir subnotificação em relatórios anteriores, impactando no que foi considerado ampliação da rede, de forma que “acréscimos e reduções observados em comparação a 2023 nem sempre correspondem à instalação ou desativação de estações no período”.
Para o gerente de natureza do Instituto Alana e ex-conselheiro do Conama, JP Amaral, além da plena implementação da resolução do Conama, ainda é preciso avançar para estabelecer parâmetros para os níveis considerados críticos para a poluição no Brasil e criar planos de contingência para esses casos.
É algo que faltou aparecer no relatório e que a gente viveu nos últimos anos muito intensamente, que são esses picos de poluição que acontecem em um único dia. Isso acabou não entrando no capítulo de ultrapassagem dos padrões, que trouxe a média anual”, conclui.
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País tem menor área queimada para janeiro dos dois últimos anos
Em meio ao cenário preocupante da qualidade do ar, uma boa notícia. O Brasil registrou em janeiro deste ano 437 mil hectares de área queimada, o território atingido é 36% menor para mesmo mês em 2025 e diminuiu 58% na comparação com janeiro de 2024. Apesar do dado geral positivo, em comparação com 2025, houve crescimento de fogo no Pantanal, Caatinga e Mata Atlântica, revelam os dados do Monitor do Fogo, do MapBiomas.
Ao longo do primeiro mês do ano, o fogo alcançou mais de 337 mil hectares da Amazônia, 38 mil hectares do Pantanal, 26 mil hectares do Cerrado, 18 mil na Caatinga, 14 mil hectares de Mata Atlântica e apenas 59 hectares do Pampa.
Na comparação com janeiro de 2025, a Amazônia apresentou diminuição de 46% do território afetado pelo fogo, o Pampa registrou queda de 98% e o Cerrado de 8%, mas no Pantanal, a área queimada cresceu 323%, assim como na Mata Atlântica o aumento foi 177% e na Caatinga 203%.
Segundo a coordenadora técnica do MapBiomas Fogo, Vera Arruda, os aumentos observados em alguns biomas servem de alerta, “por ocorrerem em um mês que, em geral, registra menos fogo, já que grande parte do Brasil está no período chuvoso”, diz.
A maior parte da área que foi consumida pelo fogo no país em janeiro, 66,8%, foi de vegetação nativa. Sendo 35% de formações campestres, 17,3 % de campos alagados e 7,3% de florestas. Entre as áreas onde o uso do solo já foi modificado por atividades humanas, as pastagens foram as mais queimadas em janeiro, representando 26,3% do total do que o fogo atingiu no país.
Em extensão, a Amazônia foi o bioma mais queimado no primeiro mês do ano, tendo uma área nove vezes maior consumida pelo fogo que o Pantanal, segundo bioma com a maior área atingida. Somente o estado de Roraima teve uma área queimada três vezes maior que toda a área atingida pelo fogo no bioma Pantanal. Foram 156,9 mil hectares consumidos no estado. Maranhão e Pará também aparecem no topo da lista com 109 mil hectares e 67,9 mil hectares de queimadas respectivamente.
Roraima é o único inteiramente localizado acima da Linha do Equador, possui um calendário climático distinto do restante do país. “Atravessa a estiagem, chamado “verão roraimense”, entre dezembro e abril, o que aumenta a vulnerabilidade ao fogo, sobretudo em formações campestres – lavrados – e outras áreas abertas”, diz [o pesquisador do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), Felipe Martenexea,
Com informações da Agência Brasil e Assessorias


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