O mês de maio concentra duas importantes mobilizações de saúde pública que caminham lado a lado: a campanha Maio Vermelho, dedicada à conscientização sobre o câncer de boca, e o Dia Mundial Sem Tabaco, lembrado em 31 de maio. Juntas, as datas ampliam o debate sobre um ponto ainda pouco explorado pela população: os primeiros impactos do cigarro tradicional e dos dispositivos eletrônicos, como o vape, costumam surgir justamente na cavidade oral, muitas vezes de forma silenciosa.
O câncer bucal, apesar de pouco conhecido, é o oitavo tipo de tumor mais frequente no Brasil. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o país registra uma média superior a 15 mil novos casos anuais da doença. Infelizmente, a maioria dos diagnósticos ainda ocorre em estágios avançados, o que compromete o sucesso do tratamento. No entanto, quando a neoplasia é identificada precocemente, as taxas de cura dão um salto animador e podem ultrapassar 80%.
O perigo do tabaco tradicional e a ilusão dos cigarros eletrônicos
Esse cenário ganha ainda mais relevância diante de dados do Vigitel, do Ministério da Saúde, que apontam uma desaceleração na queda do tabagismo nas capitais brasileiras desde 2015. A prevalência de fumantes caiu de 15,7% em 2006 para 9,3% em 2023. Mantido o ritmo atual, a projeção para 2030 é de 7,96%, ficando acima da meta de 6,24% prevista no plano nacional de enfrentamento de Doenças e Agravos Não Transmissíveis (DANTs).
Paralelamente ao cigarro convencional, o uso de cigarros eletrônicos (vapes ou pods), frequentemente vistos pela população jovem como uma alternativa menos nociva, preocupa gravemente os especialistas.
O cirurgião-dentista Sérgio Bernardes, especialista em Implantodontia da Neodent, adverte que o vape pode provocar inflamações severas na mucosa oral, alterações celulares e maior ressecamento bucal, criando um ambiente propício para o surgimento de lesões e infecções que podem evoluir para quadros malignos.
A boca funciona como uma porta de entrada e como um termômetro da saúde. Muitos pacientes ignoram sintomas iniciais por não associarem ao risco de câncer. Antes de qualquer outro sintoma no corpo, é na boca que podem surgir os primeiros sinais de que algo não vai bem no organismo”, destaca Bernardes.
Sinais na boca que você nunca deve ignorar
Os sintomas iniciais do câncer bucal costumam ser silenciosos e facilmente confundidos com pequenos machucados comuns. A cirurgiã-dentista Flávia Rabello de Mattos, diretora do Centro de Reabilitação Rabello (CORR), no Rio de Janeiro, esclarece que o tumor pode atingir diferentes regiões, como a língua, gengiva, lábios, céu da boca, bochechas e o assoalho bucal.
Os profissionais alertam para que a população fique atenta aos seguintes sinais persistentes:
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Feridas ou úlceras na boca que não cicatrizam em até 15 dias;
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Manchas esbranquiçadas ou avermelhadas na mucosa, bochechas ou língua;
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Nódulos, caroços ou áreas endurecidas;
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Sangramentos sem causa aparente;
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Rouquidão persistente ou mudanças na voz;
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Dor contínua ou dificuldade para mastigar, engolir e falar.
Infelizmente, o câncer bucal ainda é diagnosticado, muitas vezes, em estágios avançados, justamente porque os sinais iniciais podem passar despercebidos. Por isso, campanhas como o Maio Vermelho são fundamentais para conscientizar a população sobre a importância do autoexame e das consultas periódicas ao dentista”, afirma Flávia Rabello de Mattos.
Prevenção além do “não fumar”
Embora o abandono do tabaco em todas as suas formas continue sendo a principal recomendação para proteger a saúde e salvar vidas, os especialistas reforçam que a prevenção do câncer de boca envolve um conjunto de cuidados práticos no dia a dia.
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Autoexame da boca: Realizado de forma simples e rápida em frente ao espelho, observando e apalpando com cuidado a língua, gengivas, bochechas e o céu da boca à procura de alterações.
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Atenção ao consumo de álcool: O consumo frequente de bebidas alcoólicas agride a mucosa oral e potencializa de forma drástica os efeitos nocivos do tabaco.
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Fotoproteção labial: O uso diário de protetor solar próprio para os lábios previne o câncer labial, associado à exposição prolongada ao sol.
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Alimentação equilibrada: Dietas ricas em frutas, verduras e antioxidantes essenciais contribuem diretamente para a saúde e proteção celular.
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Consultas periódicas: Visitas ao cirurgião-dentista pelo menos a cada seis meses ajudam a identificar lesões suspeitas antes que se tornem graves.
Alerta para idosos e pacientes com implantes
O risco de desenvolvimento do câncer de boca aumenta de forma natural com o envelhecimento, tornando-se mais expressivo em indivíduos após os 50 anos de idade. Para quem possui implantes dentários, o Dr. Sérgio Bernardes reforça que os cuidados preventivos e o acompanhamento profissional devem receber o mesmo rigor.
O dentista consegue identificar qualquer alteração durante as consultas de manutenção, o que é imprescindível não só para manter a integridade dos implantes, como também para investigar a fundo possíveis lesões que mereçam mais atenção. Pacientes com implantes devem manter a rotina de higiene e acompanhamento profissional, assim como qualquer outro paciente”, conclui o especialista.




