O mês de maio é marcado pela campanha Maio Vermelho, uma iniciativa que intensifica as ações de conscientização sobre a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de boca. A doença, que afeta lábios, gengivas, bochechas, céu da boca, garganta e a língua, acende um alerta preocupante no Brasil: a grande maioria dos pacientes só descobre o tumor quando ele já está em estágio avançado.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o país deve registrar mais de 17 mil novos casos de câncer de boca por ano no triênio de 2026 a 2028. Embora a cavidade oral seja de fácil visualização, o índice de diagnóstico tardio é alarmante.

Estimativas do Inca apontam que mais de 60% dos casos são identificados em fase avançada — índice que chega a 70% segundo levantamentos de clínicas especializadas. O atraso na descoberta reduz drasticamente as chances de cura e aumenta a necessidade de tratamentos invasivos.

Sinais de alerta: quando procurar ajuda?

O principal desafio no combate ao câncer de boca é fazer com que a população reconheça os primeiros sintomas. O tipo histológico mais comum da doença é o carcinoma de células escamosas (CEC), e a língua é uma das regiões mais afetadas.

A oncologista clínica Letícia França, da Oncomed-MT, destaca os principais sinais que exigem investigação médica ou odontológica imediata:

Lesões que não cicatrizam por mais de 15 dias, manchas avermelhadas ou esbranquiçadas, sangramento inexplicável, nódulos no pescoço e rouquidão persistente estão entre os principais sintomas de alerta.”

Em fases mais avançadas, o paciente pode manifestar dor, dificuldade para mastigar, engolir e falar, além de limitações na movimentação da língua e presença de massas ou nódulos visíveis na mandíbula ou no pescoço.

O médico oncologista clínico Álvaro Guimarães Paula, especialista da Croma Oncologia, reforça que qualquer alteração ou afta que persista por mais de duas ou três semanas não deve ser negligenciada. “Quando descobrimos a doença no início, conseguimos utilizar modalidades únicas de tratamento, que são menos invasivas e preservam melhor a funcionalidade e a estética do paciente”, explica.

Fatores de risco e o perfil dos pacientes

O câncer de boca é significativamente mais frequente em homens com mais de 40 anos. Os principais vilões da doença estão atrelados ao estilo de vida: o tabagismo e o consumo frequente de bebidas alcoólicas.

Segundo dados do livro Diagnóstico Precoce do Câncer de Boca, publicado pelo INCA e pelo Ministério da Saúde, a chance de fumantes desenvolverem a doença é quase cinco vezes maior do que entre não fumantes. Quando o tabaco e o álcool são combinados, o risco potencializa-se drasticamente.

Outros fatores de risco importantes incluem:

  • Exposição solar prolongada: Sem a devida proteção nos lábios, pode desencadear tumores na região.

  • Próteses dentárias mal ajustadas: Lesões crônicas causadas por próteses mal adaptadas exigem atenção e correção imediata.

  • Infecção pelo vírus HPV (papilomavírus humano): Tem sido relacionada a casos da doença, especialmente em pacientes mais jovens e não fumantes (embora especialistas ponderem que a eficácia da vacina contra o HPV seja mais consolidada na prevenção de tumores de orofaringe do que nos da cavidade bucal propriamente dita).

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O papel fundamental do dentista e os tratamentos

Por estarem em contato direto com a saúde bucal da população, os cirurgiões-dentistas são os principais aliados na identificação precoce. Muitas vezes, as alterações suspeitas são detectadas durante consultas de rotina, antes mesmo que o paciente sinta qualquer desconforto.

O papel do dentista é fundamental, porque ele é o primeiro profissional que costuma avaliar essas queixas, principalmente nos pacientes com lesões que persistem por mais de duas semanas”, complementa o cirurgião de cabeça e pescoço Pedro Turra.

Quando o diagnóstico é confirmado, a cirurgia (com ou sem reconstrução) surge como a conduta mais indicada. A depender do caso, pode ser necessária a retirada dos gânglios linfáticos do pescoço para evitar que a doença se espalhe.

Para os tumores descobertos em estágios tardios, a abordagem exige uma discussão multiprofissional. “Quanto mais precoce a detecção, melhor a chance de cura. Em um estágio mais avançado, o tratamento é mais invasivo e o trauma é maior, sendo necessário agregar radioterapia e quimioterapia”, resume Turra.

Atualmente, avanços na oncologia, como o uso de imunoterapia combinada ao tratamento quimioterápico, têm ajudado a aumentar as taxas de sucesso na remoção cirúrgica e a sobrevida de pacientes com tumores avançados. A prevenção, contudo, baseada em visitas regulares ao dentista, boa higiene bucal e abandono do cigarro e do álcool, continua sendo a melhor escolha.

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Com Assessorias

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