Estudo clínico compara novas vacinas contra a dengue

Hospital estuda efeitos de nova vacina em relação à desenvolvida pelo Butantan. Vacina QDenga, recém-aprovada pela Anvisa, só na rede privada

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Antes mesmo da chegada do verão, o temido mosquito Aedes aegypti volta a assustar a população brasileira e tem feito milhares de vítimas, principalmente no Rio de Janeiro. De acordo com especialistas, a forma mais eficaz de não desenvolver a dengue é por meio da vacinação, principal meio para a erradicação e eliminação de doenças.

No Brasil, a vacina QDenga, fabricada pelo laboratório japonês Takeda e recém-aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), já está disponível desde agosto nas clínicas particulares de vacinação, mas não tem atraído muita gente devido ao alto custo, podendo passar de mil reais a aplicação das duas dose necessárias para o esquema completo de imunização (veja mais abaixo).

Por enquanto não há previsão para a QDenga ser incorporada ao calendário do Sistema Único de Saúde.  No entanto, existe uma vacina em fase 3 de pesquisa clínica, desenvolvida pelo Instituto Butantan, em São Paulo, que deverá ser incorporada de acordo com as análises e discussões nos comitês orçamentários, mas ainda não há previsão e nem informações sobre a faixa etária que será designada.

Há outros estudos também em andamento. A biofarmacêutica MSD desenvolve uma pesquisa para lançar o seu próprio imunizante contra a dengue. Um estudo clínico com a nova vacina contra da MSD (V181) está sendo realizado para avaliar sua segurança e tolerabilidade em comparação com a vacina do Instituto Butantan (Butantan-DV). Ainda não se sabe quando a nova vacina chegará ao mercado nem quanto custará.

O estudo, conduzido pelo médico infectologista Paulo Ernesto Gewehr Filho, deverá abranger cerca de 1.200 participantes e é realizado pelo Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre (RS). A instituição segue recrutando participantes para o estudo clínico. Pessoas a partir de 18 até 50 anos de idade, sem histórico de dengue, podem se candidatar. Para se candidatar, preencha o formulário.

O formulário foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital. Os dados coletados neste formulário serão acessados exclusivamente pela equipe do Centro de Pesquisa Clínica responsável pelo estudo e não serão utilizados para outros fins. Os potenciais participantes serão contatados por e-mail ou por telefone para avaliação dos critérios de elegibilidade e instruções sobre as etapas seguintes. O número de registro do estudo no site https://clinicaltrials.gov é NCT05710224.

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Por que é importante se vacinar

De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), nas últimas décadas, a incidência global de dengue aumentou de forma extrema. Somente até abril de 2023, no Brasil, os casos cresceram 43% em relação ao ano passado, segundo o Ministério da Saúde.

“No atual cenário epidemiológico da dengue, com aumento importante no número de casos, a existência de uma vacina segura e eficaz é uma importante ferramenta no combate à doença”, recomenda a infectologista do Grupo São Cristóvão Saúde, Andreia Maruzo Perejão.

De acordo com especialistas, o grande diferencial da QDenga – nova vacina contra a dengue vendida em diversas farmácias – é que pessoas de 4 a 60 anos podem ser imunizadas, independentemente de ter pego a doença ou não.

Conforme Dra. Andreia, pessoas que já tiveram dengue devem tomar a vacina, sendo consideradas grupo de risco para dengue grave, além de terem melhor resposta imune à vacina. Já pessoas sem histórico prévio dessa doença também podem receber a vacina.

A nova vacina oferece proteção contra os quatro sorotipos vivos do vírus da dengue (DEN1, DEN2, DEN3 e DEN4). A administração é realizada em duas doses, com um intervalo de três meses entre elas, sempre mediante prescrição médica.

“Como estamos a poucos meses do pico da doença, uma vez que é durante o verão que ocorre uma explosão de casos, esse é o momento ideal para que a população se vacine e esteja com as duas doses entre novembro e dezembro”, diz Thaís Farias, sócia diretora da AMO Vacinas.

Ela lembra que a dengue é uma doença instável, que pode causar sintomas leves, mas também pode causar sintomas fortíssimos e levar à morte. “Além disso, as pessoas podem ter dengue quatro vezes, pois são 4 vírus. Por isso, é extremamente importante se vacinar”, ressalta.

A proteção máxima do organismo após a vacina, observada em estudos, ocorre cerca de 30 dias após a segunda dose. Porém, uma proteção significativa é observada 30 dias após a primeira dose, o que a torna recomendada para viajantes que irão para áreas de risco da doença.

Pediatras recomendam vacina para crianças e adolescentes

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) publicou um documento científico recomendando a vacina QDENGA® contra a dengue como escolha preferencial para imunizar crianças e adolescentes.

O texto ressalta ainda que a aprovação da nova vacina pela Anvisa foi baseada em diversos estudos clínicos de fases 1, 2 e 3, envolvendo mais de 28 mil crianças e adultos em 13 países.

Conforme explica a publicação da SBP, a imunização é formulada com vírus vivo atenuado para a prevenção da dengue causada por qualquer um dos quatro sorotipos existentes (1, 2, 3 e 4) e pode ser administrada independentemente de exposição anterior do paciente à dengue e sem necessidade de teste pré-vacinação.

CLIQUE AQUI PARA CONFERIR O DOCUMENTO CIENTÍFICO

Quem não deve tomar a nova vacina contra a dengue

De acordo com especialistas, a QDenga é segura e eficaz contra as quatro variantes do vírus. Apesar da sua eficácia, por ser uma vacina de vírus vivos atenuados, nem todo mundo pode tomar o imunizantes.

Segundo a SBP, a imunização é contraindicada a mulheres grávidas ou nutrizes (mães em período de amamentação) e para  pessoas imunossuprimidas (seja por doença ou medicação), ou seja, indivíduos com imunodeficiência congênita ou adquirida – incluindo aqueles em uso de corticoides ou outros medicamentos em doses imunodepressoras.

vacinação também deve ser adiada em pacientes que apresentem doença febril aguda. Já a presença de uma infecção leve, como um resfriado, não deve resultar no adiamento da imunização. Pessoas com histórico de alergia a algum componente contido na fórmula da vacina ou que tiveram reação de hipersensibilidade a dose anterior devem evitar a segunda dose.

“Assim como toda vacina, eventos adversos podem ocorrer, sendo, em sua maioria, leves – como dor e vermelhidão no local da aplicação. Eventualmente, febre baixa, dores no corpo e cefaleia podem acontecer”, alerta a infectologista Andreia Maruzo Perejão.

Alto custo da nova vacina da dengue

Segundo Thaís, a procura pela nova vacina contra a dengue está cada vez maior, mas ainda há muita desinformação por parte da população. “A ideia de se vacinar contra a dengue é muito nova, mas estamos batalhando para que cada vez mais brasileiros saibam da existência do imunizante e se protejam”.

Um dos fatores que pode influenciar na procura é o custo da vacina na rede privada. Na rede AMO Vacinas, por exemplo, o valor de cada dose é  R$ 599,00 e a AMO preparou um combo por  R$ 1.099, 00 com as duas doses.

Também nas duas Clínicas de Vacinação do São Cristóvão Saúde, no bairro da Mooca, em São Paulo, a nova vacina contra o vírus da dengue já está disponível, de forma particular, para o público. Para tomar as doses da QDenga não é necessário o agendamento. O Grupo também realiza a aplicação da vacina no formato drive-thru. Para isso, é necessário o agendamento prévio. Os valores das vacinas nas clínicas do grupo ou pelo sistema de drive thru não foram divulgados.

As farmácias Pague Menos e a Extrafarma anunciaram recentemente a disponibilização da vacina QDenga no Clinic Farma, os consultórios farmacêuticos da rede em 10 estados do país: Ceará, Piauí, Pará, São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Paraná, Maranhão e Amapá. Não é preciso agendar previamente a aplicação da vacina. O valor das doses não foi informado.

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Atualmente, o Brasil dispõe agora de duas vacinas quadrivalentes contra a dengue, conforme esclarece a SBP

· Vacina Dengvaxia© (Sanofi) – recomendada apenas aos que já tiveram infecção prévia confirmada pelo vírus da dengue (soropositivos), administrada num esquema de três doses para indivíduos de seis até no máximo 45 anos.

· Vacina QDENGA© (Takeda) – recomendada no esquema de duas doses, para indivíduos de quatro até 60 anos de idade, independentemente de infecção prévia (soropositivos e soronegativos).

A SBP sinaliza também que, em função da escassez de dados sobre segurança e imunogenicidade, no momento, “não é recomendado realizar intercâmbio de doses entre as diferentes vacinas”, finaliza o documento.

Como se proteger do mosquito Aedes Aegypti

Considerada uma doença perigosa, a dengue é transmitida através da picada da fêmea do mosquito Aedes Aegypti, este de aparência semelhante a de um pernilongo. Adaptado ao ambiente urbano, é facilmente encontrado em regiões tropicais e subtropicais, inclusive dentro de casas, cuja proliferação se dá, principalmente, pelo acúmulo de água limpa e parada em recipientes expostos, tornando-se criadouros do mosquito.

O processo infeccioso pode ser assintomático ou apresentar sintomas, como febre, dor de cabeça, dores musculares e nas articulações, dor atrás dos olhos e erupções na pele. Em alguns casos, pode progredir para dengue grave, caracterizada por hemorragia, falta de ar e complicações nos órgãos, com possibilidade de óbito.

Além de manter repouso e ingerir bastante água, em caso de suspeita, é fundamental que o paciente procure um profissional de saúde para um diagnóstico e conduta mais precisos, visto que não há um tratamento específico para a doença.

Com Assessorias

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