Aquela sensação de que a comida “não caiu bem” — o estômago pesado, o inchaço e a queimação persistente — pode ser mais do que um simples mal-estar passageiro. Conhecida como síndrome dispéptica, ou má digestão, essa condição é muito mais comum do que se imagina e pode afetar significativamente a qualidade de vida.
O alerta ganha força neste dia 29 de maio, data em que se celebra o Dia Mundial da Saúde Digestiva, instituído pela Organização Mundial de Gastroenterologia (WGO) para conscientizar a população sobre a importância de prevenir e diagnosticar precocemente doenças que afetam todo o trato gastrointestinal.
Os sintomas podem variar de leves a bastante incômodos, interferindo no dia a dia e até na alimentação”, explica Ernesto Alarcon, cirurgião geral com especialização em videolaparoscopia.
O que está por trás da má digestão?
As causas são diversas — e nem sempre relacionadas apenas à alimentação. “Além de hábitos alimentares inadequados, há outros fatores que podem desencadear o problema, como o uso de certos medicamentos, a presença de bactérias e até o estresse emocional”, destaca o Dr. Alarcon.
Os principais gatilhos incluem a infecção por Helicobacter pylori (H. pylori), refluxo gastroesofágico, infecções intestinais, uso prolongado de anti-inflamatórios, sedentarismo, obesidade, consumo excessivo de álcool, além de ansiedade e estresse, que impactam diretamente o processo digestivo.
Entre os sinais mais frequentes da síndrome dispéptica estão:
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Ardor ou queimação na parte superior do abdômen;
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Náuseas e sensação de enjoo após as refeições;
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Arrotos frequentes e sensação de estômago cheio com pouca comida;
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Inchaço abdominal, dor após comer e, em casos mais graves, perda de apetite e de peso.
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Sintomas persistentes, avanço do câncer colorretal em jovens e o perigo da automedicação acendem o alerta
A saúde digestiva está diretamente ligada ao funcionamento adequado do organismo e ao equilíbrio do sistema imunológico, uma vez que o intestino desempenha papel essencial na absorção de nutrientes e concentra grande parte das células de defesa do corpo. No entanto, o avanço do consumo de alimentos ultraprocessados no país tem comprometido esse equilíbrio.
O tema é tão urgente que ganhou repercussão internacional durante a Assembleia Mundial da Saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS), realizada em maio, na Suíça, quando o Brasil defendeu regras globais mais rígidas para a venda e publicidade desses produtos.
O excesso de ultraprocessados na dieta alimenta processos inflamatórios crônicos no intestino que elevam de forma significativa o risco de desenvolvimento de tumores. Esse fator tem contribuído para um dado alarmante: o crescimento dos casos de câncer colorretal entre pessoas abaixo dos 50 anos. Antes mais associado ao envelhecimento, o tumor vem sendo identificado mais cedo.
Apesar do avanço da doença, o diagnóstico precoce ainda é um desafio. De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), no Sistema Único de Saúde (SUS) cerca de 65% dos casos são identificados em estágios avançados, o que reduz drasticamente as chances de cura. Sintomas como azia frequente, alterações do ritmo intestinal (constipação ou diarreia), presença de sangue nas fezes e perda de peso sem causa aparente exigem investigação médica imediata.
O perigo oculto da automedicação
Por apresentarem sintomas silenciosos ou que parecem corriqueiros, muitas pessoas recorrem à automedicação para aliviar desconfortos momentâneos. Especialistas advertem que o uso indiscriminado de medicamentos pode mascarar sintomas importantes, atrasar diagnósticos e até agravar quadros clínicos graves.
O tratamento para a má digestão e outros problemas gastrointestinais deve ser individualizado. “O primeiro passo é identificar a causa. A partir daí, ajustamos a alimentação, tratamos possíveis infecções e orientamos mudanças no estilo de vida”, explica o Dr. Ernesto Alarcon. “O mais importante é não ignorar os sinais. Sintomas persistentes exigem avaliação profissional”, conclui.
Pilares da saúde digestiva: como se prevenir
Para manter o bom funcionamento do aparelho digestivo e o equilíbrio da microbiota intestinal, os especialistas recomendam:
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Alimentação rica em fibras: Inclua frutas, vegetais, legumes e grãos integrais na rotina, além de manter uma ingestão adequada de água.
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Redução drástica de ultraprocessados: Evite o consumo excessivo de açúcares, gorduras trans, cigarro e bebidas alcoólicas.
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Prevenção ativa e exames de rotina: Realize exames como a endoscopia e a colonoscopia para identificar precocemente pólipos, inflamações ou a presença da bactéria H. pylori.
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Prática regular de atividade física: Essencial para estimular a motilidade intestinal e combater o sedentarismo.
Cuidado: O uso de antiácidos e protetores gástricos deve ser feito exclusivamente sob orientação médica.
Fontes: Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde (BVS MS), CRN-8 e Assessorias de imprensa





