A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou o recolhimento e a proibição da comercialização, distribuição e uso de lotes específicos de dois antibióticos injetáveis de uso hospitalar: o Polycid (União Química) e o fosfato de clindamicina (Hypofarma). A medida foi motivada por desvios de qualidade graves, que incluem a presença de fragmentos de vidro e corpos estranhos dentro dos frascos.
Oalerta da Anvisa acende uma discussão crucial sobre a segurança no uso de antibacterianos, especialmente durante o inverno. Com a queda das temperaturas, os casos de infecções respiratórias disparam, e, com eles, cresce a busca perigosa por antibióticos por conta própria ou a pressão sobre os médicos para que os prescrevam.
A maioria das infecções de inverno (como gripes, resfriados e grande parte das dores de garganta e bronquites) é causada por vírus. Antibióticos combatem exclusivamente bactérias. Segundo especialistas, o uso de antibióticos contra infecções virais não traz benefício algum e expõe o paciente a efeitos colaterais desnecessários, além de mascarar sintomas de outras condições.
O uso excessivo, interrompido antes do prazo ou inadequado desses fármacos acelera o surgimento de bactérias superresistentes. Esse fenômeno faz com que infecções outrora simples se tornem intratáveis, elevando o tempo de internação hospitalar e as taxas de mortalidade. A recomendação fundamental é nunca utilizar as chamadas “sobras” de tratamentos anteriores e seguir rigorosamente os horários e prazos estipulados pelo médico.
Vidro e alterações visuais motivaram a suspensão
Os problemas que levaram à intervenção da Anvisa envolvem diretamente a segurança física dos medicamentos injetáveis:
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Polycid (Lote 2519879): O recolhimento foi iniciado de forma voluntária pela própria fabricante, a União Química, após a identificação de um pedaço de vidro no interior de um frasco do medicamento, que é comumente utilizado no tratamento de infecções graves.
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Fosfato de clindamicina 150 mg/ml (Lote 24101854): Fabricado pela Hypofarma, o lote do antibiótico (caixa com 50 ampolas) apresentou uma solução amarelada com a presença de corpos estranhos e precipitados dentro do frasco lacrado. Em nota, a Hypofarma declarou que está colaborando com os órgãos competentes e adotando as medidas cabíveis.
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Soro Fisiológico Equiplex (Lote 2513588): A solução de cloreto de sódio 9 mg/ml também foi suspensa por desvio de qualidade.
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Farmácia S J do Jabour: Teve todas as suas preparações recolhidas por vender medicamentos manipulados padronizados pela internet e redes sociais, sem receita médica e utilizando nomes comerciais de forma irregular.
A resolução, publicada no Diário Oficial da União, também afeta um lote de soro fisiológico da marca Equiplex e todas as formulações magistrais da Farmácia S J do Jabour Ltda., esta última flagrada comercializando produtos manipulados sem a exigência de prescrição médica individualizada.
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O conceito de Saúde Única (One Health) na resistência bacteriana
O descontrole no uso de antibióticos não afeta apenas a saúde humana isoladamente; ele se conecta diretamente ao ecossistema global. De acordo com a abordagem de Saúde Única (One Health) — modelo que integra a saúde humana, animal e ambiental —, a resistência antimicrobiana é uma das maiores ameaças biológicas da atualidade.
Quando os antibióticos são excretados pelo organismo humano ou descartados incorretamente no lixo comum e na rede de esgoto, resíduos químicos contaminam o solo e os recursos hídricos. Da mesma forma, o uso intensivo desses medicamentos na pecuária e na agricultura cria um ciclo de contaminação: bactérias resistentes evoluem no ambiente e nos animais de consumo, retornando posteriormente aos seres humanos por meio da água e dos alimentos.
Portanto, zelar pela prescrição consciente e pelo descarte correto de medicamentos é um ato de preservação que protege os hospitais, os ecossistemas e a eficácia terapêutica das futuras gerações.




